quinta-feira, 29 de julho de 2010

Estudo aponta deficiências em infraestrutura como empecilho para negócios no Brasil


29/7/2010 - CNT


O Brasil está em evidência, mas ainda terá um longo caminho pela frente para superar os problemas que afetam seu ambiente de negócios. Deficiências em infraestrutura, problemas na educação, falta de investimentos em inovação e baixo reconhecimento de suas empresas no mercado internacional foram apontados em relatório produzido e divulgado pelo banco HSBC, em parceria com a Economist Intelligence Unit (EIU).
 
O documento é uma síntese das impressões de especialistas e empresários, somadas às previsões de analistas da EIU, braço de pesquisa da revista britânica The Economist. Com avaliações em geral positivas no que diz respeito ao desempenho do país em termos econômicos, o estudo aponta problemas de infraestrutura como uma das grandes razões para a baixa colocação do Brasil nos rankings de ambiente de negócios da EIU  (40º lugar entre 82 países). E observa que relatórios de instituições como o Banco Mundial apresentam a mesma avaliação.  
 
Além de entrevistas com analistas de mercado, o documento incluiu pesquisa com 536 executivos de companhias com receita anual de até US$ 500 milhões (41% do total), além de dirigentes de empresas com receita acima de US$ 10 bilhões. Um terço dos entrevistados trabalham para companhias brasileiras, 11% para companhias sediadas na América Latina e os demais na região Ásia-Pacífico (20%), América do Norte (15%) e Europa Ocidental (12%).
 
O baixo padrão da infraestrutura em setores como telefonia, redes de transporte e concessões de serviços públicos são apontados por 49% dos participantes da pesquisa como o principal obstáculo operacional no país. À frente até de itens considerados importantes como desrespeito a contratos, corrupção, problemas de gestão, baixo controle de qualidade e risco de crédito.
 
O documento cita especificamente as fragilidades da infraestrutura de transporte e logística, na visão dos analistas. Lembra que pouco mais de 10% da malha rodoviária do país é pavimentada e, à exceção dos trechos privatizados, têm manutenção inadequada.
 
Dois outros problemas listados no documento do HSBC são a concentração (mais de 60%)  das cargas em rodovias e a frota antiga de caminhões em circulação no país. Malha ferroviária insuficiente (25% da matriz de transportes) e subutilizada, potencial hidroviário inexplorado, portos e aeroportos congestionados fazem parte do “pesadelo logístico” que terá de ser resolvido antes da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 no Brasil, segundo o relatório.
 
O documento também reproduz avaliações de especialistas em relação à ausência de visão estratégica dos operadores logísticos em relação ao transporte, que poderiam resultar em redução de custos para as empresas. Um desses especialistas, Andrew Morgan, acredita que o problema é que não existe quem assuma a responsabilidade por toda a cadeia logística, de ponta a ponta. Morgan cita como exemplo o caso de um exportador de grãos que enfrentou dificuldades porque o operador brasileiro desconhecia a diferença de tamanho dos contêineres ferroviários usados na Rússia.
 
As previsões da Economist Intelligence Unit para o desempenho da economia brasileira consideram a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto – a soma das riquezas produzidas no país) de 7,8% em 2010 e de 4,5%  para o próximo ano. A inflação ficaria em 5,4% e 4,6% e taxa básica de juros (Selic) em 10,3% e 11,5%, respectivamente, em 2010 e 2011.

 
Veja aqui a integra do relatório: Brazil Unbound – How investors see Brazil and Brazil sees the world.

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