quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Acidentes “roubam” recursos do Brasil






Todos os anos, uma quantia próxima a R$ 22 bilhões é destinada ao custeio de acidentes de trânsito no País. Este valor, na opinião do médico Dirceu Rodrigues Alves Junior, diretor de comunicação da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego), está sendo tirado de áreas importantes para o crescimento brasileiro.
“É um absurdo. Com este dinheiro seria possível construir escolas, hospitais ou casas populares, por exemplo. É um desperdício”, desabafa. O levantamento foi realizado pelo IPEA (Instituto de Pesquisas Aplicadas) em 2006, e trata-se da mais recente pesquisa sobre o assunto.
Na época da pesquisa, anualmente, R$ 6,5 bilhões eram destinados a acidentes em rodovias federais, R$ 14 bilhões em estradas estaduais e R$ 1,4 bilhão em vias municipais. Entretanto, segundo a CNT (Confederação Nacional do Transporte), atualizando os valores a preços de maio de 2009 - apenas para as estradas federais -, observa-se que o custo médio de cada acidente sem vítima é de R$ 20.118,47.
Já os acidentes com vítimas fatais implicam em um custo médio de R$ 500 mil. Assim, considerando acidentes com ou sem vítimas, incluindo as fatais, o custo médio de um acidente rodoviário é de R$ 70.342,98.
Em uma média de 120 mil acidentes por ano, no período de 2004 a 2008, envolvendo veículos de todos os tipos, o custo estimado foi de R$ 8,4 bilhões ao ano, apenas nas estradas federais.
Ocorrências
Questionado sobre o porquê de os acidentes de trânsito ainda serem um fardo tão pesado ao Estado, Alves Junior, destaca que a questão deve ser solucionada onde está o problema.
“O fator humano é a causa de 93% das ocorrências registradas. Em segundo lugar aparecem os problemas de conservação e manutenção do automóvel. Portanto, é preciso acabar com a imprudência”, argumenta.
Para ele, este índice ainda é alto pois falta preparo aos condutores. “Hoje o motorista sai da auto-escola sem a noção real do que fazer com um automóvel. Ele anda a 30 ou 40 quilômetros por hora, sem passar da terceira marcha. Portanto, não conhece o funcionamento e os perigos de um carro” argumenta.
E prossegue: “é preciso também aumentar a fiscalização e punir severamente infratores, não apenas pelo código de trânsito, mas fazer com que pessoas que causem acidentes paguem pelo código civil, tornando um acidente de trânsito algo criminoso”.
Prevenção
Com o objetivo de prevenir e, consequentemente, reduzir os ônus ocasionados pelos acidentes de trânsito, o governo vem investindo pesado em educação. Apenas em 2009, o Denatran aplicou mais de R$ 428 milhões em ações voltadas para a melhoria do trânsito.
Conforme os números do órgão, deste montante R$ 7,5 milhões foram destinados à área de educação e R$ 189 milhões foram repassados a 499 municípios para a execução de projetos para reduzir os números de ocorrências.
Para este ano, de acordo com Rita de Cássia Ferreira Cunha, coordenadora de Educação do órgão, estão previstos investimentos de R$ 14 milhões para cidadania no trânsito. Além de R$ 120 milhões em campanhas de utilidade pública.
“Os trabalhos realizados pelo Denatran abordam questões referentes à cidadania no trânsito e a importância da boa convivência entre pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas”, afirma.
Nesta semana, o Portal Webtranspo está publicando uma série de reportagens especiais sobre estradas. Acompanhe!
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