segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Infraestrutura impede expansão do Comex



Economia do BR pode ser atravancada por problemas
Valor exportado deveria ser o dobro do que é hoje
Caro leitor, imagine um País onde todos os modais de transporte são interconectados e os portos são sinônimo de eficiência. Caso o Brasil convivesse com essa realidade, o montante de exportação anual seria o dobro do que é registrado hoje. Ao menos é essa a projeção de José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) .
“Deveríamos estar exportando aproximadamente US$ 450 bilhões, enquanto atualmente este volume é de US$ 190 bilhões”, afirma ele. E prossegue: “o Brasil ocupa a oitava posição no ranking das dez maiores economias do mundo levando em consideração o PIB. Entretanto, destas nações apenas o Brasil não está entre os maiores exportadores (ocupa a 22º colocação). Isso acontece por causa das deficiências de transporte”.
Além dos reflexos já sentidos hoje, caso estas questões não sejam solucionadas projeções otimistas para a economia brasileira podem ficar apenas em projetos. De acordo com um estudo da PricewaterhouseCoopers, China, Estados Unidos, Índia, Japão, Brasil, Rússia, Alemanha, México, França e Reino Unido serão as grandes potências mundiais em 2030.
O levantamento indica ainda que, até 2020, o PIB (Produto Interno Bruto) do grupo das sete maiores emergentes - chamado E-7 e formado por China, Índia, Brasil, Rússia, México, Indonésia e Turquia - será maior que o do G-7. Com isso, cinco das dez maiores economias, até 2030, serão países hoje tidos como emergentes.
Para Rodrigo Maciel, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Management, o perfil exportador do País será o fator que proporcionará o crescimento frente às outras nações.
“O Brasil tem uma característica exportadora essencialmente ligada à matéria-prima e isso não é ruim. A exploração de petróleo, a importância do minério e do agronegócio em concomitância à demanda de outros países torna o País cada vez mais importante. Temos que aproveitar esta oportunidade e criar um cenário para enviar produtos manufaturados também”, pontua.
Entretanto, Castro destaca que “se não melhorarmos nossa infraestrutura não vai adiantar haver demanda por nossos produtos, pois não teremos condições de escoar a produção”. Além disso, o executivo destaca o custo logístico no Brasil.
“Hoje, um produtor de soja, por exemplo, não exporta a commoditie e sim o frete. Uma tonelada deste produto custa US$ 400, porém, se levarmos em consideração apenas o transporte interno será gasto US$ 130”, pontua.
Um estudo também destaca as questões logísticas como desafios para o crescimento do País. De acordo com a análise “Brazil unbound: How investors see Brazil and Brazil sees the world” (Como os investidores veem o Brasil e o como o País vê o mundo, em tradução livre), realizada neste ano pela Economist Intelligence Unit, os problemas logísticos aparecem como o primeiro item da lista de desafios para os investidores.
Neste cenário, Castro destaca que estes gargalos podem fazer com o Brasil perca novos investimentos e negócios. “Não é algo comum, mas é uma realidade. Temos condições de produzir muito mais, mas estamos impossibilitados de escoar, isso acarreta em menos investimentos por parte das empresas no País”, sentencia.

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