sábado, 7 de julho de 2012

Chineses cobram estrutura logística do Porto do Açu

05/07/2012 - O Estado de São Paulo

A chinesa Wuhan Iron & Steel (Wisco) negou ontem oficialmente que tenha desistido do projeto de construção de uma siderúrgica de US$ 5 bilhões no Brasil - o Porto do Açu, em São João da Barra, no litoral norte do Rio de Janeiro -, mas um representante da empresa afirmou que há dificuldades relacionadas à infraestrutura brasileira, em especial o atraso na construção de uma ferrovia de 300 km que abasteceria a usina.

"Nós esperamos que o lado brasileiro cumpra a promessa de construir a ferrovia. Isso teve influência negativa sobre a nossa cooperação", declarou ao Estado Peng Weike, diretor da Wisco responsável pelas operações no Brasil.

O investimento seria realizado em conjunto com a EBX, de Eike Batista, e teria capacidade de produção de 5 milhões de toneladas de aço por ano. Assinado em 2009, o acordo entre as duas partes previa que a usina entraria em operação em 2012. Mas até agora, nem os estudos de viabilidade econômica, que inicialmente deveriam ter ficado prontos em 2010, foram concluídos.

Na terça-feira, o jornal chinês 21st Century Business Herald divulgou reportagem segundo a qual a Wisco havia desistido da empreitada. A informação foi atribuída a duas fontes que não revelaram suas identidades. Se concretizado, o projeto da siderúrgica esse será um dos maiores investimentos já realizados pela China no Brasil.

"Nós não desistimos do projeto. Não sei de onde o jornal tirou a informação, mas posso dizer que ela não é verdadeira", afirmou Sun Jin, diretor de relações com a imprensa internacional da Wisco. Na terça-feira, o empresário Eike Batista já havia dito, no Twitter e em entrevistas à imprensa, que a informação não era verdadeira. "Não cabe a mim responder por eles, mas eles desmentiram. Isso não está correto", disse ele ao Estado.

Segundo Peng, da Wisco, a demora na concretização dos planos se deve à necessidade de avaliação de todos os "riscos" envolvidos na operação, entre os quais o jurídico, o operacional e o econômico. "É um investimento muito grande e temos que ser cautelosos antes de tomar uma decisão."

Transporte. O maior problema do projeto parece mesmo ser a infraestrutura. Peng, o chefe das operações no Brasil, disse que há dificuldades no transporte de matérias-primas e minério de ferro para o local onde a siderúrgica seria instalada. "Se quiser atrair mais investimentos, eu acho que o governo brasileiro deveria ver que esse é um elemento muito importante, que afeta as decisões de investimentos", observou.

Peng ressaltou que o lado brasileiro prometeu construir a ferrovia de 300 km "o mais rápido possível", mas até agora isso não ocorreu. Ele acrescentou que é difícil saber quando o estudo de viabilidade econômica estará concluído, porque há muitos elementos "incertos".

O embaixador do Brasil na China, Clodoaldo Hugueney, disse que visitou a sede da Wisco há cerca de um mês e ouviu que os planos de associação com o grupo de Eike Batista estavam mantidos, ainda que o investimento não deva ocorrer de forma imediata.

Eike afirma que acordo não prevê ferrovia

Apesar de Peng Weike, diretor da Wisco responsável pelas operações no Brasil, insistir na importância da construção da ferrovia para transporte do minério a ser produzido no projeto Porto do Açu, no Rio de Janeiro, o empresário Eike Batista, presidente do grupo EBX, disse na terça-feira, em entrevista ao 'Estado', que o acordo com a siderúrgica nunca incluiu a cláusula logística. "Não tem nada a ver. (A ferrovia) nunca fez parte do acordo", afirmou o empresário.

No entanto, o projeto, que deveria entrar em operação ainda este ano, enfrenta outras dificuldades para sair do papel. O próprio Eike Batista admitiu, em entrevista concedida há cerca de três meses, que a entrada definitiva da Wisco depende de uma definição da OGX - companhia de petróleo do grupo EBX - sobre a disponibilidade de gás para a operação da siderúrgica.

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