terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Salário mínimo sobe 9% e será de R$ 678 em 2013

25/12/2012 - O Estado de São Paulo

Governo também decide isentar de IR a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) até R$ 6 mil; valores mais altos terão alíquota progressiva

RAFAEL MORAES MOURA

A partir de janeiro, o salário mínimo subirá dos atuais R$ 622 para R$ 678 (um reajuste de 9%), conforme a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. O governo também decidiu alterar a cobrança do Imposto de Renda (IR) de trabalhadores sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), com isenção para valores de até R$ 6 mil.

"É um bom anúncio de Natal para o trabalhador, reconhecendo o esforço de todos os trabalhadores nos resultados que o País teve neste ano", disse Gleisi, acompanhada do secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, e da ministra da Comunicação Social, Helena Chagas. "Ela (Dilma Rousseff) fez questão de que isso (o anúncio) acontecesse hoje, na véspera de Natal."

O decreto com o novo valor do salário mínimo deverá ser publicado na edição de amanhã do Diário Oficial da União, informou a ministra. O valor é maior que o previsto na proposta orçamentária para 2013, que é de R$ 674,96.

Pelas regras em vigor, o índice que corrige o salário mínimo é obtido pela soma da inflação (medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do ano anterior com a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. De acordo com Gleisi, o valor considera o crescimento de 2,7% da economia em 2011 e o INPC de 6,1%.

Em discurso transmitido anteontem em rede nacional de rádio e televisão, Dilma disse que "2013 será o ano de ampliar ainda mais o diálogo com todos os setores da sociedade, acelerar obras, melhorar a qualidade dos serviços públicos e continuar defendendo o emprego e o salário dos brasileiros".

Conforme informou o Estado no dia 4, o governo está preocupado com o salário mínimo no ano eleitoral de 2014. O fraquíssimo resultado do PIB em 2012 (que deve crescer em torno de 1%) vai afetar o centro da política econômica num ano considerado crucial em Brasília - pelas estimativas preliminares do governo, o salário mínimo terá reajuste inferior a 6% em 2014.

PLR. Gleisi também anunciou que o governo vai encaminhar nesta quarta-feira medida provisória ao Congresso com alterações no IR cobrado sobre a PLR.

Segundo Gleisi, a MP prevê isenção de IR em PLR de até R$ 6 mil, valor abaixo do reivindicado por centrais sindicais, que pediam isenção para PLR de até R$ 10 mil. Em reunião com sindicatos em maio passado, o governo havia proposto isenção para valores de até R$ 5 mil.

De acordo com Gleisi, a MP prevê uma "escadinha", escalonando o IR cobrado sobre a PLR. Para PLR de R$ 6.000,01 a R$ 9.000,00, a alíquota de IR cobrada será de 7,5%; de R$ 9.000,01 a R$ 12.000, de 15%; de R$ 12.000,01 a R$ 15.000,00, 22,5%; e acima de R$ 15 mil, 27,5%.

"Hoje, o impacto é de 27,5% para todas as faixas", disse Gleisi. Nas contas do governo, o impacto das mudanças na área fiscal será de R$ 1,7 bilhão em 2013.

Contrariando a previsão inicial da sua agenda, Dilma decidiu despachar pela manhã no Palácio do Planalto, o que pegou de surpresa assessores e até ministros.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Na fronteira com a Venezuela, a farra da gasolina barata

09/12/2012 - O Estado de São Paulo

Nos 230 km entre Boa Vista e Paracaima, em Roraima, não há um só posto; com R$ 25, é possível encher o tanque no país vizinho.

SERGIO TORRES , ENVIADO ESPECIAL , SANTA ELENA DE UAIRÉN , VENEZUELA

O transporte clandestino da gasolina barata da Venezuela para o Brasil, pela fronteira com Roraima, criou no extremo norte do Brasil uma imensa área sem postos de combustíveis. Ao longo dos 230 quilômetros da estrada entre a capital Boa Vista e Pacaraima, última cidade do Estado antes do território venezuelano, não há um só posto. Também não há revendedores oficiais de combustíveis em nenhum outro ponto em trechos a pelo menos 200 quilômetros da fronteira.

Enche e volta. Carros fazem fila para atravessar fronteira
A razão desse vazio é porque, com um máximo de R$ 25, o brasileiro enche o tanque de um carro de passeio logo ao entrar na Venezuela, sem precisar passar pela aduana de lá. País produtor de petróleo, a Venezuela vende o litro da gasolina a preços que variam de R$ 0,20 a R$ 0,50. Em Boa Vista, a capital de Roraima, o litro da gasolina custa R$ 2,90. O tanque cheio, dependendo da marca do carro, pode valer até R$ 180.

A enorme disparidade de valores fez surgir em Roraima um mercado negro de venda de gasolina que causa prejuízos mensais de pelo menos R$ 5,8 milhões ao empresariado do setor, de acordo com avaliação do Sindicato dos Postos de Combustíveis de Roraima (Sindipostos-RR).

Traficantes de combustíveis vão à Venezuela, enchem o tanque, descarregam a carga do lado brasileiro em galões, retornam ao país vizinho e abastecem novamente. Repetem a operação dezenas de vezes ao longo do dia. À noite e de madrugada, a fim de fugir de um eventual patrulhamento, voltam à capital roraimense para abastecer depósitos ilegais, onde o litro é vendido por R$ 2.

A soma dos prejuízos aos cofres estadual e federal decorrentes da sonegação de tributos obrigatórios alcança R$ 1,68 milhão por mês, especialmente quanto ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

O presidente do Sindipostos-RR, Abel Mesquita Júnior, avalia que os postos de Roraima deixam de vender, por causa da concorrência da gasolina venezuelana, algo entre 1,8 milhão e 2 milhões de litros mensais de combustíveis. E não só gasolina, mas também óleo diesel.

"Acontece em Roraima um quadro inédito no País. Aumenta a frota de carros e diminui a venda de combustível. Todos os postos do interior, ao norte da capital, fecharam. Vendemos de 7 milhões a 8 milhões de litros por mês. Esse número poderia ser 25% maior, não fosse a evasão", diz o sindicalista.

Pouca fiscalização. O efetivo pequeno da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Estado de Roraima torna a situação de difícil resolução a curto prazo. Há 48 servidores na PRF local, dos quais 20 dedicados a atividades administrativas.

Os demais são divididos em equipes de plantão diário, incumbidas de patrulhar vastas áreas desertas cortadas por seis rodovias federais e dezenas de vicinais. A fronteira de Roraima com Venezuela e Guiana se estende por 1,9 mil quilômetros.

Há dias em que a equipe é formada por apenas dois patrulheiros, por causa da falta de pessoal. E há dias em que as equipes, pela precariedade do efetivo, nem vão para a estrada.

Mesmo assim, as apreensões da PRF têm crescido em Roraima. Em 2011, foram recolhidos 13.890 litros de combustível no trecho da BR-174 entre Boa Vista e a fronteira com a Venezuela. Este ano, até o início de dezembro, a soma das apreensões de gasolina já alcança os 23.568 litros.

Para o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz, a situação de Roraima "é tão absurda que fica difícil tentar enquadrar os formiguinhas (os traficantes que circulam de um lado para o outro da fronteira)".

"Roraima é como se fosse uma área fora do mapa do comércio nacional de combustíveis. O preço da gasolina na Venezuela é irreal, talvez seja o mais barato do mundo. Já procuramos as autoridades brasileiras, mas nada de efetivo aconteceu. Fizemos nosso papel. Esse quadro inviabiliza o comércio legal", afirma Vaz.

Caroteiros e tanqueiros. Há dois tipos de contrabandistas de combustíveis em Roraima. Os chamados caroteiros trazem a gasolina em recipientes plásticos de até 60 litros, galões conhecidos na região como carotes. Costumam usar carros de passeio e caminhonetes para transportar a maior quantidade possível de carotes. Chegam a tirar todos os bancos do veículo a fim de trazer o máximo possível de gasolina.

Os carros usados pelos caroteiros são, geralmente, de marcas antigas, velozes e espaçosos, como Santana e Monza, por exemplo. Têm vidros negros, para impedir a visualização da carga. Os caroteiros preferem não entrar com os recipientes na Venezuela. Optam por deixá-los em esconderijos na Reserva Indígena São Marcos, atravessada pela BR-174 e próxima à fronteira. Daí a necessidade de ir e voltar à Venezuela até ter gasolina suficiente para encher todos os carotes disponíveis.

Já os tanqueiros, segundo tipo de contrabandistas, acondicionam a gasolina em tanques adicionais de caminhões e carros maiores adaptados. Como os caroteiros, retiram os bancos dos veículos, especialmente os traseiros, a fim de abrir espaço para os tanques adicionais.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Dieese: mínimo deveria ter sido R$ 2.514,09 em novembro

05/12/2012 - Agência Estado

SÃO PAULO - O salário mínimo do trabalhador do País deveria ter sido de R$ 2.514,09 em novembro para que ele suprisse suas necessidades básicas e da família, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A constatação foi feita por meio da utilização da Pesquisa Nacional da Cesta Básica do mês passado, realizada pela instituição em 17 capitais do Brasil.

Com base no maior valor apurado para a cesta no período, de R$ 299,26, em São Paulo, e levando em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para garantir as despesas familiares com alimentação, moradia, saúde, transportes, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência, o Dieese calculou que o mínimo deveria ter sido 4,04 vezes maior do que o piso vigente no Brasil, de R$ 622,00.

O valor é menor que o apurado para outubro, quando o mínimo necessário foi estimado em R$ 2.617,33 (4,21 vezes o piso em vigor). Em novembro de 2011, o Dieese calculava o valor necessário em R$ 2.349,26 ou 4,31 vezes o mínimo então em vigor, de R$ 545,00.

A instituição também informou que o tempo médio de trabalho necessário para que o brasileiro que ganha salário mínimo pudesse adquirir, em novembro de 2012, o conjunto de bens essenciais diminuiu, na comparação com o mês anterior e com o mesmo período do ano passado.

Na média das 17 cidades pesquisas pelo Dieese, o trabalhador que ganha salário mínimo necessitou cumprir uma jornada de 92 horas e 37 minutos em novembro, o que representou 3 horas a menos do que era necessário em outubro. Em novembro de 2011, a jornada média de trabalho exigida para a compra da cesta somava 96 horas e 13 minutos.




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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Artigo: Grandes safras antecipam caos logístico

30/11/2012 - Exame

*Paulo Costa

Em momento mais que oportuno, ABAG e ABIOVE organizaram o Fórum "Safra Recorde de Grãos: Os Desafios da Logística em 2013″, com a participação de representantes de associações de classe ligadas ao agronegócio, ao setor de transporte rodoviário e autoridades do Ministério dos Transportes. A conclusão é extremamente preocupante em relação aos desafios e problemas que o País vai enfrentar na área de logística no ano que entra. O fato claro é que não temos estrutura de armazenagem, de transporte e capacidade logística para escoar sem grandes danos a grande safra de grãos e cana-de-açúcar que se aproxima.

Há uma enorme dependência na matriz logística brasileira do transporte rodoviário, como que bem se sabe. Estima-se que o crescimento da produção brasileira de grãos na temporada 2012/13 demande um aumento de cerca de 20 mil caminhões para escoamento da safra. Aliado ao fato de que o licenciamento de caminhões novos em 2012 foi reduzido em 30% ante 2011, existem dois grandes empecilhos para complicar o que mais do que complicado já está: 1. há uma falta de aproximadamente 50 mil motoristas profissionais qualificados para dirigir os modernos caminhões pesados e semi pesados, hoje veículos bastante automatizados e que exigem treinamento específico; 2. a necessidade de se cumprir as exigências da chamada "Lei dos Caminhoneiros" (Lei 12.619 de 30 de abril de 2012), que dispõe sobre a jornada de trabalho dos caminhoneiros, com dificuldades instransponíveis para ser aplicada integralmente, acarretando aumento nos valores de frete e disponibilidade de veículos.

A preocupação faz todo o sentido. Neste ano de 2012 tivemos uma acomodação que ainda permitiu que as coisas andassem, aos "trancos e barrancos" (apesar de algumas greves nos portos que ajudaram a atrapalhar o processo). A safra de soja foi exportada bem cedo e a de açúcar foi retardada por condições climáticas que afetaram o setor canavieiro. Com isto elas não se acumularam. Em 2013 a safra de soja está atrasada em vários Estados e tudo leva a crer que a produção de cana-de-açúcar volte a um ritmo mais próximo de seu potencial. Ocorrendo isto, podemos estar infelizmente certos de que nos meses do segundo trimestre de 2013 o conjunto logístico campo/indústria+armazenagem+transporte+ portos vai "travar".

Tratando do assunto a agência Reuters resumiu em uma frase o sentimento que prevaleceu no Fórum da ABAG/ABIOVE: " Começam a crescer as dúvidas de que o Brasil consiga escoar até 20 por cento a mais de soja através de uma rede de transporte carente de caminhões, estocagem e capacidade portuária, deixando importadores e traders vulneráveis." Os planos apresentados pelo Governo contemplam medidas para aprimoramento das malhas rodoviárias e ferroviárias, dentro de planos de 5 a 20 anos. No momento a prioridade é ver como vai ser movida o que resta da safra de milho do Mato Grosso para o Nordeste – problema de bombeiro apagando incêndio.

*Paulo Costa é blogueiro da revista Exame.



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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sistemas de transporte urbano para Copa apresentam problemas

02/12/2012 - Folha de São Paulo

As obras de mobilidade urbana também enfrentam atrasos graves. As seis cidades-sede previam ter concluído até o evento-teste a maior parte dos seus novos sistemas de transporte urbano --VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) e BRTs (ônibus em corredores exclusivos).

A previsão é que em quatro cidades não haverá nenhum dos sistemas previstos em operação. Em duas, Brasília e Salvador, os governos desistiram das obras previstas e os principais sistemas informados no compromisso de 2010 não estarão disponíveis nem para a Copa-2014.

Das cinco obras que, segundo as previsões oficiais, ainda podem ficar prontas para a Copa das Confederações, quatro são em Belo Horizonte e uma em Recife.

Na capital pernambucana a intervenção é pequena, a reforma de um terminal de ônibus, e terá pouca influência no evento. Os três BRTs só ficam prontos após o evento-teste. Na capital mineira, as quatro obras que podem ficar prontas também terão pequena influência no evento.

Além de atrasar, as obras estão em média 10% mais caras. As 28 remanescentes do projeto original estão orçadas agora em R$ 5,4 bilhões, ante R$ 4,9 bilhões em 2010 (os preços são baseados em 2010).


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Só 7% dos R$ 7,38 bi de verbas federais para obras de mobilidade da Copa já foram liberados

03/12/2012 - UOL

Faltam um ano e meio para o início da Copa do Mundo de 2014 e o governo federal liberou apenas 7% dos recursos destinados às obras de mobilidade urbana nas cidades-sede

Projeto do monotrilho de Manaus (Imagem : Reprodução)
Segundo o Ministério das Cidades, a Caixa Econômica Federal, responsável pelos financiamentos, transferiu até novembro R$ 522 milhões dos R$ 7,38 bilhões disponíveis para esse tipo de projeto.

De acordo com o TCU (Tribunal de Contas da União), quase todas as obras estão atrasadas. Dos 46 projetos previstos para serem entregues a tempo da competição, 21 ainda não saíram do papel, segundo o último relatório divulgado no início de outubro pelo órgão de controle. Na ocasião do anúncio da realização da Copa no Brasil, as obras de mobilidade urbana foram anunciadas pelo governo federal como o maior legado que a competição deixaria ao país.

Incluem a construção de corredores exclusivos para ônibus, metrô, linhas de trem, terminais rodoviários e ferroviários além da adequação de vias públicas. Quem propõe os projetos e toca as obras são os governos estaduais e municipais, que investem uma contrapartida ao financiamento da União. Para o dinheiro ser liberado pela Caixa, porém, os governos têm que se adequar a uma série de exigências e mecanismos de controle do banco. Na maioria dos casos não têm conseguido, de acordo com o relatório do TCU.

Pedidos para sair

A Caixa chegou a disponibilizar R$ 9,5 bilhões para as obras de mobilidade, mas três cidades-sede já retiraram projetos da linha especial de financiamento por conta dos atrasos no cronograma de execução: Fortaleza, Salvador e Brasília. E a lista vai crescer.

No dia (28), o UOL Esporte revelou que o governo do Estado de São Paulo pediu ao Ministério do Esporte para retirar o monotrilho, único projeto sob sua responsabilidade para a Copa de 2014, do planejamento oficial dos jogos. O monotrilho tem custo estimado de R$ 3,1 bilhões, dos quais R$ 1,083 bilhão seria financiado pela Caixa. Este valor ainda não foi abatido do orçamento geral do banco porque a retirada ainda não foi oficializada.

No dia 18, o UOL Esporte revelou que as duas obras de mobilidade urbana em Manaus também seriam retiradas da Matriz. As obras têm custo estimado em R$ 1,3 bilhão e ainda não saíram do papel. De acordo com o Ministério dos Esportes, o pedido ainda não foi oficializado.

No dia 28 de setembro, o governo federal confirmou que o a construção do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) de Brasília, outra das cidades-sede, havia sido retirado da Matriz a pedido do governo do Distrito Federal, já que também não ficaria pronto para o Mundial. O VLT ligaria o aeroporto da capital ao Terminal da Asa Sul.

Sem previsão

A obra, que tinha previsão de entrega para janeiro de 2014, não tem nova data para terminar. Do custo estimado de R$ 276,9 milhões do trecho prometido para a Copa, a obra teria um financiamento de R$ 263 milhões da Caixa. Agora, os recursos irão sair do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Mobilidade, de acordo com o Ministério do Planejamento.

Também foi retirado do documento o Corredor Expresso Norte-Sul em Fortaleza, um dos sete projetos da área de transporte urbano da cidade previstos inicialmente para o Mundial. A construção de corredores de ônibus BRT (Bus Rapid Transport) em Salvador também foi excluída do planejamento para a Copa. Até agora, pelo menos cinco projetos de mobilidade urbana previstos em 2010 não ficarão prontos até o início do mundial.

De acordo com a Matriz de Responsabilidades, documento assinado entre todos os organizadores do Mundial, só tem direito ao financiamento quem for entregar as obras concluídas até o começo da Copa 2014.

A retirada deste compromisso é uma manobra para não ficar sem dinheiro da União para os empreendimentos. Fora da Matriz de Responsabilidade, os governos ficam livres para pedir verbas por outras linhas de financiamento, como o PAC Mobilidade.

Dinheiro está disponível

De acordo com o Ministério das Cidades, todos os financiamentos aprovados pela Caixa para os projetos da Matriz estão disponíveis aos governos estaduais e prefeituras, basta cumprir as exigências do banco para a liberação. "É importante ressaltar que a execução das obras é de responsabilidade dos municípios e Estados, que recebem o recurso de acordo com o andamento e a medição da obra", afirma o ministério em nota.

Segundo a pasta das cidades, apenas o monotrilho de Manaus, um projeto de R$ 1,3 bilhão, com R$ 600 milhões em financiamento da Caixa, teve sua linha crédito suspensa após recomendação do Ministério Público. Há suspeita de irregularidades.

Fonte: Uol, Por Aiuri Rebello




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sábado, 1 de dezembro de 2012

Infraestrutura precisa atrair US$ 100 bi por ano

30/11/2012 - O Estado de S.Paulo

Os investimentos em infraestrutura no Brasil poderão alcançar entre US$ 500 bilhões e US$ 700 bilhões em cinco anos. A estimativa é da presidente da Standard & Poor's para o Cone Sul, Regina Nunes, que participou na quarta-feira, em São Paulo, do evento Financiamento para o Desenvolvimento, da série Fóruns Estadão Brasil Competitivo, promovido pelo Grupo Estado em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

"É uma média de US$ 100 bilhões por ano de recursos necessários para modernizar vários setores fundamentais para o País, como rodovias, portos e aeroportos", afirmou. Segundo ela, entre esses recursos está uma parcela dos investimentos previstos para o pré-sal que, se fossem considerados integralmente, elevariam o montante para US$ 1 trilhão.

Ela apontou que a própria classificação de risco do Brasil poderia ser elevada se o País tivesse uma melhor infraestrutura - a nota do Brasil é BBB, cuja perspectiva estável tem viés positivo para o médio prazo.

A presidente da Standard & Poor's se mostrou otimista e disse acreditar que, conforme os novos investimentos forem sendo feitos, isso deve ocorrer. "Na medida em que os investimentos do setor de logística e transportes começam a maturar, em poucos anos isso vai reduzir os custos das empresas, o que vai baixar pressões sobre inflação e elevar o PIB potencial."

Velocidade. O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, concorda com a importância da infraestrutura para o desempenho do Brasil. "Temos de utilizar a infraestrutura como fator indutor da atividade econômica", disse. "Precisamos ter uma logística que dê competitividade ao nosso setor produtivo."

Mas ele admitiu que o governo tem deixado a desejar no ritmo de execução das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Figueiredo defendeu, porém, o programa e afirmou que o nível de execução vem melhorando.

"O PAC trouxe uma grande novidade, que é o fato de todas as obras terem recursos para começar e acabar. Ele trouxe essa condição financeira para executar as obras. Também trouxe para o setor público o compromisso com prazos. Hoje só é possível identificar atraso nas obras porque há um cronograma", disse, ressaltando que a cada quatro meses o governo presta contas à sociedade sobre o andamento dessas obras.

Na semana passada, o governo informou que a execução global dos investimentos no PAC 2 soma R$ 181,5 bilhões no acumulado entre janeiro e setembro, 26% mais do que no mesmo período do ano passado. No acumulado de janeiro de 2011 até setembro deste ano, são R$ 385,9 bilhões, 40,4% do investimento total previsto até 2014.

Segundo Figueiredo, há grandes dificuldades de execução das obras e a origem disso está na "desestruturação do Estado nos anos 90". "Não tinha estrutura de gestão pública bem formada e bem aparelhada", afirmou.

A grande dependência dos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nos projetos de infraestrutura hoje, no Brasil, que geralmente respondem por cerca de 70% dos recursos das obras, foi um dos temas do debate.

Mas Gustavo Nunes da Silva Rocha, presidente da Invepar, que liderou o consórcio vencedor do leilão do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, realizado em fevereiro, disse acreditar que haverá um aumento na disponibilidade de recursos privados para os projetos de infraestrutura.

Segundo ele, a própria crise dos governos contribui nesse sentido. "Alguns títulos de projetos de infraestrutura têm se mostrado mais seguros do que os de alguns governos", afirmou o executivo.

Rocha considera que as debêntures de infraestrutura, criadas recentemente pelo governo, serão uma importante fonte de recursos. O executivo também afirmou que já é possível verificar no mercado de financiamento privado condições mais alongadas para captação de recursos.

O presidente da Invepar ressaltou, porém, que é fundamental que o ambiente regulatório seja forte para que esses papéis atraiam o investidor. A Invepar é formada pela construtora OAS e pelos três maior fundos de pensão de empresas públicas no Brasil - a Previ, do Banco do Brasil; o Petros, da Petrobrás; e a Funcef, da Caixa.


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