sábado, 30 de março de 2013

Governo teme que caos em porto piore deficit comercial

30/03/2013 - Folha de SP

Leia o Editorial da Folha de SP: A conta de US$ 4 bilhões

O caos logístico enfrentado pelos produtores de grãos que tentam escoar o resultado da "supersafra" nos portos do país causa preocupação ao governo, que teme pelo agravamento da situação da balança comercial.

Desde janeiro, o deficit acumulado já chega a US$ 5,3 bilhões, ou seja, o país importou um valor US$ 5,3 bilhões maior que o de exportações.

A dificuldade para embarcar os grãos da safra extraordinária, que ajudaria a atenuar o descompasso entre importações e exportações, tornou "impossível" estimar qual será o real resultado comercial do ano, relatam técnicos do governo.

Segundo apurou a Folha, o Ministério do Desenvolvimento trabalhava no cálculo de uma meta para as exportações brasileiras neste ano e planejava finalizar o trabalho ainda neste mês. O plano, contudo, foi abandonado.

A justificativa é que, com o caos logístico, o cenário tornou-se "muito incerto".

Nos últimos dias, os produtores de soja e milho têm enfrentado uma amargo périplo para exportar os grãos, devido a filas quilométricas de caminhões e de navios nas áreas próximas aos portos.

Como resultado, há atraso de semanas nos embarques e aumento do custo das vendas. O nó logístico já provocou até mesmo o cancelamento de encomendas por uma grande empresa chinesa, especializada na compra e na venda de grãos.

Além dos atrasos na entrega dos produtos no porto, há também baixa produtividade no embarque nos navios.

TIRO NO ESCURO

A ausência de uma meta e de uma estimativa clara para as exportações por parte do Ministério do Desenvolvimento é criticada por quem atua no setor.

"Ela funciona como um norte. A tendência é que, com ela, haja motivação maior do governo para descomplicar a vida do exportador e buscar novos acordos comerciais", afirma a advogada especialista em comércio exterior Carol Monteiro de Carvalho.

Os técnicos do governo concordam que a meta é necessária, mas afirmam que hoje qualquer projeção seria "um tiro no escuro" diante do caos nos portos. A intenção é retomar o cálculo em maio.

No ano passado, o governo abandonou em setembro a meta estabelecida de exportar US$ 264 bilhões, o que representaria crescimento de 3% nas vendas sobre 2011.

A explicação na época também foi um cenário "confuso" em razão das incertezas da crise internacional.

No fim do ano, as exportações apresentaram queda em relação a 2011. E o saldo comercial recuou 35%.

A conta de US$ 4 bilhões

30/03/2013 - Folha de SP

Nada parece mais distante do cidadão que as agruras vividas pelo agronegócio brasileiro, com os vários gargalos de infraestrutura que prejudicam sua rentabilidade. Eles são tão graves, contudo, que seus efeitos já transbordam das fronteiras agrícolas e invadem o cotidiano das cidades.

O paulista que se dirige para as praias do Guarujá, de Bertioga e redondezas, por exemplo, passou a enfrentar enormes congestionamentos na rodovia Cônego Domênico Rangoni, principal via de ligação entre esse balneário e as cidades de Cubatão e Santos. Na raiz do problema estão os cerca de 3.200 caminhões carregados de soja que descem a serra do Mar, todos os dias, para embarque nos terminais de exportação do porto de Santos.

Saturada e ineficiente, essa que é a maior instalação do gênero no Brasil não dá conta de escoar a parte que lhe cabe na safra recorde de grãos deste ano. Os caminhões entram em fila e esperam dias a fio, no acostamento da estrada, pelo momento de descarga.

Outra fila se forma no mar: no começo da semana, 45 navios aguardavam a vez para embarcar 2,6 milhões de toneladas de grãos. É o suficiente para encher 54 mil caminhões, que chegam a percorrer milhares de quilômetros de rodovias esburacadas entre as regiões produtoras no Centro-Oeste e portos como Santos e Paranaguá (PR) -neste, a fila de navios ultrapassava a centena.

Com tantos percalços, a soja brasileira sofre acréscimo de US$ 70 por tonelada só para transitar da fazenda às docas, na comparação com o custo do frete para produtores argentinos e americanos.

Como a exportação neste ano deve alcançar 40 milhões de toneladas de soja e mais 18 milhões de milho, o prejuízo estimado pela Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) monta a mais US$ 4 bilhões. Segundo cálculos da entidade, tal valor permitiria construir mais de uma hidrovia, modalidade de transporte preferida por vários especialistas em logística agrícola.

Entre as prioridades despontam os corredores dos rios Teles Pires-Tapajós e Araguaia-Tocantins, que facilitariam o escoamento da safra do Centro-Oeste pelo rio Amazonas e sua foz no Atlântico. Encontra-se disponível, hoje, unicamente a hidrovia do rio Madeira, a partir de Porto Velho (RO).

A perda anual equivalente a cerca de R$ 8 bilhões, mesmo que não pudesse ser inteiramente revertida em favor do Brasil, parece mais do que suficiente para financiar -e justificar- esse investimento. É pura aritmética.

80% dos municípios do PR são altamente dependentes da União

19/03/2013 - Gazeta do Povo

Dos 399 municípios paranaenses, 322 (80% do total) são altamente dependentes de repasses federais para sobreviver. Levantamento feito pela Gazeta do Povo revela que, nessas prefeituras, mais de 50% dos recursos recebidos por meio de repasses são oriundos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O fundo é composto por valores arrecadados pela União com o Imposto de Renda (IR) e o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), que tem sido alvo constante de desonerações fiscais – o que diminui as transferências da União para os municípios. Como as receitas geradas com tributos municipais é muito baixa nessas cidades, na prática elas precisam da União para fechar suas contas.

"É uma situação nacional. Os estados engolem uma parte [da arrecadação]. A União pega a parte maior dos impostos e repassa umas migalhas para os municípios", diz o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski. Segundo ele, não há interesse do Congresso em repensar o pacto federativo. Até agora, aliás, os debates se concentraram na discussão dos problemas dos estados.

Para Ziulkoski, a atual discussão na Câmara e no Senado para rever o pacto é "sujeira empurrada para debaixo do tapete". "Estão discutindo endividamento. Não adianta perdoar dívida desse ou daquele. Isso é aspirina para doente terminal. Qual a origem da doença? A carga tributária e sua destinação."

Ziulkoski se referia à pauta de revisão do pacto federativo apresentada pelos governadores na semana passada ao Congresso, mais focada da revisão das dívidas dos estados do que em outros assuntos.

Um desses outros assuntos é a unificação em 4% das alíquotas do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo estadual. Os governadores não têm consenso sobre o tema – o que pode impedir sua aprovação. A unificação, segundo a União, beneficiaria 20 das 27 unidades da federação – o Paraná receberia R$ 850 milhões anuais a mais. Os prefeitos poderiam ser beneficiados porque uma parte do ICMS é destinado aos municípios.

Ainda assim, a tendência é que as mudanças no ICMS, caso aprovadas, beneficiem sobretudo as cidades que já são ricas. Segundo o levantamento da Gazeta, no 1.° bimestre de 2013, em apenas três cidades paranaenses (Curitiba, São José dos Pinhais e Araucária) o repasse do ICMS foi maior que o dinheiro recebido pelo FPM. No extremo oposto, nos municípios de Nova Aliança do Ivaí, Santa Inês e Miraselva (localizados nas regiões Norte e Noroeste do Paraná), 80% do repasse vêm do FPM, ante menos de 15% do ICMS.

O senador paranaense Sérgio Souza (PMDB), vice-presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, lembra que os municípios pequenos e médios têm sido prejudicados ainda mais nos últimos meses com as desonerações tributárias do governo federal. "Para aquecer a economia, a União desonera justamente o IPI, que é a base do FPM", diz ele. Mas Souza afirma que um alívio para as prefeituras do país – R$ 3 bilhões anuais – deve vir da nova divisão dos royalties do petróleo.

Cidade "sobrevive" com orçamento de R$ 18,8 mil por dia

Nova Aliança do Ivaí, cidade com 1,4 mil habitantes no Noroeste do Paraná, foi a que teve o menor orçamento em 2012 dentre todos os 399 municípios paranaenses. Foram apenas R$ 6,9 milhões para custear as atividades – uma média de gastos de somente R$ 18,8 mil. Apenas 1,1% da arrecadação – ou R$ 74 mil – foi gerado dentro do município, dependente do plantio de mandioca e abacaxi. Segundo a prefeitura, os 98,9% restantes são repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

O prefeito João Tormena (PT) afirma que a baixa arrecadação é o principal fator para tamanha dependência. "A arrecadação do ICMS [Imposto de Circulação de Mercadoria] é muito baixa, a do IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano] é insignificante e a do IPVA [Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores] é praticamente zero."

Segundo Tormena, a baixa arrecadação compromete os investimentos na infraestrutura da cidade. O município não dispõe de rede de esgoto e 40% das ruas não têm asfalto.

O prefeito conta que que assumiu o município no início do ano com uma dívida de R$ 1,6 milhão – 23% da arrecadação. Segundo ele, cerca de 30% do débito é com fornecedores e o restante, referente ao pagamento de impostos sobre os salários dos servidores municipais, como INSS e Pasep. Tormena afirma ainda que a dívida pode ser ainda maior. "Estamos organizando os recibos do que foi empenhado, do que falta pagar e do que o município recebeu mesmo. Então, sabemos que conforme formos nos organizando podemos encontrar uma dívida ainda maior."

Para tentar quitar os débitos, Tormena afirma que a prefeitura procurou os fornecedores para parcelar os pagamentos. "Não temos verba para zerar tudo o que devemos a curto prazo. Inicialmente, acho que só vamos fazer isso [quitar a dívida] em dois ou três anos, se não demorar mais."

O ex-prefeito Adir Schimitz (PP) foi procurado para comentar a dívida do município, mas até o fechamento desta edição não foi localizado.

Congresso

Prefeitos de capitais se reúnem para discutir o pacto federativo

(Agência Estado)

Prefeitos de capitais participarão amanhã de um encontro com os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para discutir o pacto federativo. A previsão é que os prefeitos apresentem aos parlamentares uma pauta de sugestões de projetos que são de maior interesse das prefeituras. Na semana passada, governadores apresentaram ao Congresso uma agenda de propostas para reequilibrar as contas estaduais.

Pesquisa nacional

Dívidas comprometem 18,6% das receitas municipais, em média

Além da baixa arrecadação, a maioria das prefeituras brasileiras também sofre com as dívidas. Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) em mais de cinco mil prefeituras dos 26 estados brasileiros revela que as dívidas de curto prazo deixadas pela gestão anterior comprometem, em média 18,6% do orçamento anual dos municípios.

O caso é mais grave quando o prefeito eleito era de um grupo de oposição até o ano passado. Segundo o levantamento, divulgado ontem, 81% dos prefeitos eleitos pela oposição herdaram dívidas de curto prazo. Mas o problema existe mesmo quando o chefe do Executivo municipal foi reeleito ou conseguiu fazer o sucessor. Segundo a pesquisa da CNM, 55% dos prefeitos de "situação" têm débitos de curto prazo para quitar.

Os pagamentos atrasados também apresentaram discrepância entre os prefeitos do grupo que se manteve no poder e aqueles que eram de oposição. Enquanto apenas 47% do primeiro grupo admitiram atrasos em dívidas com fornecedores, 72% dos prefeitos "adversários" dizem vivenciar o problema.

Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, a situação é corriqueira. Ele acredita que o problema seja, antes de tudo, estrutural. "Os municípios estão assoberbados de atribuições e não há como governar. O prefeito que assume com essa dívida vai deixar a prefeitura em situação igual ou pior quando sair", diz ele.

sábado, 23 de março de 2013

Chineses trocam soja brasileira por argentina

21/03/2013 - O Estado de S. Paulo

A importadora chinesa Sunrise disse ontem que teria "enorme prejuízo" se não cancelasse a compra de 2 milhões de toneladas de soja do Brasil em razão de atrasos nos embarques e negou que a decisão seja uma estratégia para renegociar os preços do produto.

"Não adianta nada ter um preço bom se a soja não pode ser entregue. Se a situação do transporte melhorar, nós podemos reconsiderar e voltar a comprar", declarou ao Estado o gerente de grãos e óleos da empresa, Shao Guorui. Segundo ele, a Sunrise estuda a possibilidade de compensar o cancelamento dos contratos com a aquisição de soja na Argentina a partir de abril.

Shao disse que a empresa deveria ter recebido seis navios em fevereiro e seis em março, mas a chegada dos carregamentos foi adiada para abril, por causa do apagão logístico que atinge os portos brasileiros.

Caminhões carregados de soja estão parados em filas intermináveis nas estradas de acesso ao porto de Santos, o principal canal de escoamento, responsável por um terço dos embarques. Sem a possibilidade de serem carregados, os navios não podem atracar nos terminais.

Diante dos atrasos, a Sunrise cancelou a carga de dez navios que já deveriam ter chegado e de outros 23 que deveriam atracar em portos chineses nos próximos meses. "Não há nem informação de quando os navios estarão prontos", observou.

Preços

Shao afirmou que o preço atual da soja na China é maior que o do produto comprado no Brasil, em razão de limitações na oferta. Mas, com os atrasos, os carregamentos só chegariam em abril ou maio, quando as cotações terão se reduzido em consequência da entrada de novas safras no mercado.

A diferença entre o preço atual e o de chegada do produto na China é a origem do "enorme prejuízo" previsto pela Sunrise. "O preço na China agora está alto, porque o suprimento é pequeno, mas em abril e maio, quando uma grande quantidade de soja entra no mercado chinês, o preço vai cair", justificou.

A empresa é uma das maiores importadoras de soja do país e compra cerca de 8 milhões de toneladas do produto por ano, das quais 3 milhões vêm do Brasil. O Brasil é o principal exportador de soja para a China, que é de longe o maior consumidor mundial do produto. No ano passado, os embarques para o país asiático representaram quase 70% dos US$ 17,5 bilhões de exportações nacionais do produto.

O ministro-chefe da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino, responsabilizou ontem o clima e a produtividade do campo pelo apagão que toma conta do porto de Santos. "Temos de fazer um trabalho científico para diminuir as dificuldades", disse ao ser questionado sobre o que pode ser feito no curto prazo para amenizar o gargalo logístico."O problema mais grave hoje é o aumento da produção como a quantidade de chuva que está caindo. Com essa chuva, não tem condições de movimentar granel."

O programa de concessão de ferrovias e rodovias e a Medida Provisória 595, que abre espaço para mais investimentos privados em portos, são respostas do governo para as dificuldades de escoamento da produção. São, porém, iniciativas lançadas na metade da administração da presidente Dilma Rousseff, que até o momento estão no papel. Para a atual safra, o governo mal tem respostas.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Nó logístico derruba preço de grãos e eleva custo de frete

22/03/2013 - O Globo

Os gargalos logísticos que travam o escoamento da atual supersafra de grãos já derrubam os preços ao produtor, aumentam os custos dos exportadores e significarão descontos maiores nas cotações do produto brasileiro na próxima safra. Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja), Carlos Fávaro, 80% da safra da região já foram comercializados, e a maior parte disso embutindo uma estimativa de custo de frete de US$ 100 por tonelada — média entre a cidade de Sorriso (MT) e Santos (SP). Só que esse frete está em US$ 150.

— Quem está arcando com essa diferença hoje é o exportador (que comprou a soja a um preço que embutia os US$ 100 de frete), mas essa diferença chega ao produtor na formação dos preços da próxima safra — disse Fávaro.

De acordo com Daniel Latorraca, do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço do frete entre Sorriso e Santos subiu 46% entre março de 2012 e março de 2013, enquanto o preço para o produtor de Mato Grosso, um dos principais estados produtores, ao lado de Rio Grande do Sul, caiu 4%. Contribuíram para o salto no custo com transporte o forte aumento da demanda por caminhões, tendo em vista a safra recorde de soja, os recentes reajuste do diesel e o tempo maior na fila nos portos. A fila em Santos, que era de 10 a 15 dias para embarque, subiu para mais de 30 dias neste ano, enquanto em Paranaguá (PR) foi de 40 para 60 dias.

— Nós estamos perdendo credibilidade na pontualidade dos embarques, e isso será levado em conta também na formação de preços no futuro — diz Fávaro, da associação de produtores.

'É a crise da fartura'

A questão, segundo ele, é que nos últimos cinco anos a produção nacional de grãos saltou de 135 milhões para os atuais 183 milhões de toneladas, e quase nada foi feito em infraestrutura. De acordo com Aprosoja, enquanto o frete para transporte de uma tonelada de soja por 2 mil quilômetros custa entre US$ 10 e US$ 35 nos Estados Unidos, aqui escoar a mesma tonelada custa US$ 160.

— É a crise da fartura. Mas, como nós vamos ser competitivos assim? — pergunta o dirigente.

Daniel Furlan Amaral, gerente de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), observa que a demora nos portos eleva ainda mais o preços dos fretes, além de significar um custo adicional ao exportador de US$ 20 mil a US$ 25 mil por dia em que o navio fica parado esperando para embarcar os grãos.

— Quem acaba perdendo com esses problemas é o produtor rural e o exportador, que tinha comprado a soja antecipadamente. Isso foi a regra no ano passado por causa da escassez causada pela safra americana — afirmou Furlan.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Empresários reclamam de logística e burocracia

12/03/2013 - Agência Brasil

A comissão especial mista que analisa a Medida Provisória (MP) 595, a chamada MP dos Portos, recebeu hoje (12) representantes das entidades ligadas ao setor empresarial portuário, como as de transportes marítimos e de exploração dos terminais.

Os empresários que operam os portos apontaram gargalos relacionados ao setor, entre eles o excesso de burocracia e a falta de investimento em ferrovias e rodovias que levam aos portos. "Os gargalos estão no acesso aos portos, nas cargas tributárias e na burocracia", disse o conselheiro da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público, Richard Klein. Ele pediu a prorrogação dos contratos de arrendamento dos portos e a viabilização de obras para adaptar os terminais para navios maiores e mais modernos.

Os representantes de todas as entidades que participaram da audiência consideraram a medida provisória positiva e acreditam que ela irá estimular os investimentos no setor. Na opinião do presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários, Wilen Manteli, o Brasil tem perdido em competitividade para os países por causa da burocracia que afasta os investimentos. "Quando a gente diz que bilhões em investimentos estão indo para o ralo, na verdade eles não vão para o ralo. Vão para os Estados Unidos e para a China, prejudicando o comércio brasileiro", disse.

A discussão levantada na semana passada pelos trabalhadores portuários, que querem a obrigatoriedade do uso do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) pelos novos portos privados que surgirão com a MP, não recebeu a mesma atenção na audiência de hoje. O presidente da Abratec, no entanto, ressaltou a importância de que os portos públicos e privados devem receber tratamento isonômico e isso deverá ser estabelecido no texto da lei para evitar questionamentos jurídicos posteriores. "Os postos de trabalho do Ogmo vão ampliar [com o aumento da demanda por trabalhadores]. Com adaptações dos contratos ficam afastados os questionamentos da MP na Justiça", disse.

O relator da matéria, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), não quis adiantar detalhes do relatório que irá apresentar no dia 3 de abril. Segundo ele, as instituições recebidas hoje são partes interessadas e não podem ser consideradas isoladamente, mas dentro do conjunto de audiências que estão sendo feitas. "Vamos esperar para ouvir os usuários para saber os problemas que afetam aqueles que usam os portos", disse Braga. A audiência com empresários do setor produtivo interessados na criação de novos terminais portuários está marcada para amanhã (13).

A MP dos Portos altera o marco regulatório do setor permitindo a abertura de mais terminais privados e centralizando na Secretaria Especial de Portos (SEP), do governo federal, a responsabilidade pelo planejamento do sistema portuário. Atualmente os estados têm mais independência para coordenar seus portos. A partir de agora as companhias docas estaduais passarão a seguir as metas e diretrizes definidas pela SEP.

sábado, 9 de março de 2013

Artigo: Rumo ao pior ano da logística agrícola

26/02/2013 - O Estado de S. Paulo

*Marcos Sawaya Jank

Este ano o Brasil está colhendo a maior safra da sua História. Serão 185 milhões de toneladas (MT) de grãos e oleaginosas, 11% mais do que na safra anterior. Viramos o primeiro produtor (84 MT) e exportador (41 MT) mundial de soja. Também tomamos dos americanos a posição de primeiro exportador mundial de milho (25 MT, ante 23 MT dos EUA), um fato inédito e surpreendente que decorre da terrível seca que atingiu aquele país em meados do ano passado e provocou uma quebra de safra superior a 110 milhões de toneladas de grãos.

Em recente evento de que participei nos EUA, a principal questão não era saber a estimativa de quanto o Brasil vai produzir nesta safra, mas sim os volumes de soja e milho que serão efetivamente escoados através de nossos portos até o início da próxima safra americana. Ninguém mais tem dúvida de que o Brasil consegue responder rapidamente na produção. Basta dizer que só na soja ampliamos a área plantada em quase 3 milhões de hectares em apenas um ano. A segunda safra de milho - erroneamente chamada de "safrinha" e plantada após a colheita de soja no mesmo ano agrícola - superou a safra de verão em mais de 6 MT nos dois últimos anos. Trata-se de uma notável vantagem competitiva da agricultura tropical, que jamais vai ocorrer em países de clima temperado.

Acontece que em apenas um ano aumentamos a nossa exportação "potencial" de milho e soja em 18 milhões de toneladas, 36% mais do que na safra passada. Vale notar que o grosso da expansão de soja e milho se dá nos Estados de Mato Grosso, Goiás e Bahia, em áreas que se situam entre 1.000 e 2.300 km de distância dos portos. Se somarmos ainda as exportações de 25 MT de açúcar e a importação de 18 MT de matérias-primas para fertilizantes, não é de espantar que este ano assistiremos, passivos e apavorados, à maior asfixia na logística de granéis da nossa História!

Neste momento, as filas de navios para atracar nos Portos de Santos e de Paranaguá estão duas a três vezes maiores do que há um ano. Na última quinta-feira havia 82 navios esperando para carregar grãos no Porto de Paranaguá, ante 31 nesta mesma época do ano passado. Em Santos havia 59 navios, ante 29 há um ano. O custo médio de demurrage de um navio parado esperando carga é de US$ 30 mil por dia. Em seminário do Banco Itaú-BBA realizado na semana passada, operadores relataram que para evitar 45 dias de fila de espera em Paranaguá eles decidiram mandar os caminhões para o Porto de Rio Grande, onde as filas duram menos de dez dias. Ou seja, depois de rodar 2.300 km do norte de Mato Grosso até Paranaguá, a soja ainda tem de rodar outros 1.100 km para pegar uma "fila mais rápida" no Rio Grande do Sul. Uma verdadeira insanidade!

Para complicar ainda mais, a Lei 12.619, que restringe a jornada de trabalho dos caminhoneiros e o tempo de condução dos veículos, teve o efeito prático de "retirar" mais de 500 mil carretas das estradas. Os fretes de cargas já subiram entre 25% e 50% este ano. Além disso, o processo de votação da Medida Provisória n.º 595 - a chamada MP dos Portos, que propõe novas regras para a modernização destes - tem produzido uma sucessão de greves em escala nacional, que só tende a piorar com o avanço das negociações.

Essa situação calamitosa nos leva a pelo menos três reflexões importantes. A primeira delas, e mais óbvia, é a necessidade urgente de votar os novos marcos regulatórios que modernizariam a logística brasileira, particularmente a MP dos Portos. Apesar da calamidade nas estradas, da insuficiência histórica de ferrovias e hidrovias e da falta de armazéns (nossa capacidade de armazenagem equivale a 72% da safra de soja e milho, ante 133% nos EUA), o pior gargalo do País neste momento, de longe, são os portos. É hora de vencer a reserva de mercado, a burocracia e o corporativismo de um dos setores mais atrasados da economia brasileira.

A segunda é a necessidade urgente de viabilização sistêmica da nova logística do Norte do País, traduzida no escoamento pelos Portos de Itacoatiara (Rio Madeira), Santarém (Amazonas), Marabá (Tocantins), Miritituba (Teles Pires/Tapajós) e Vila do Conde (confluência do Amazonas e do Tocantins, no Pará), na conclusão da pavimentação das rodovias BR-163 e BR-158 e das Ferrovias de Integração Norte-Sul (FNS), Centro-Oeste (Fico), Oeste-Leste (Fiol) e Transnordestina. Basta dizer que 60% da produção de grãos se concentra nos cerrados, que serão beneficiados pela nova logística, mas só 14% dela é hoje escoada pelos portos do Norte e Nordeste. A viabilização dos novos corredores permitiria exportarmos com navios Capesize, que transportam 120 mil toneladas de grãos, o dobro da capacidade dos navios Panamax, hoje utilizados. Com a futura passagem desses navios pelo Canal do Panamá, em 2014, será possível reduzir em pelo menos 20% o frete marítimo para a China, que já responde por 40% da nossa exportação de grãos, além da redução potencial dos fretes terrestres, pelo uso de ferrovias e hidrovias.

A terceira reflexão tem que ver com o longo prazo. Precisamos estudar qual seria o melhor modelo de inserção do Brasil no agronegócio global do futuro. Hoje estamos engargalados num sistema ineficiente de transporte de soja e milho por caminhões, portos velhos e caros e navios pequenos. Milho e soja servem basicamente para produzir ração para bovinos, suínos e aves, que vão produzir a proteína animal consumida por países que estão do outro lado do planeta.

Num momento em que vários países constroem políticas comerciais mais agressivas - vide o anúncio do novo acordo EUA-União Europeia e a miríade de acordos asiáticos -, não seria a hora de repensar as nossas cadeias de suprimento, buscando explorar a combinação de maior eficiência e valor dos grãos, carnes e lácteos que serão demandados no futuro?

*Marcos Sawaya Jank é especialista em Agronegócio e Bioenergia, e foi presidente da Unica e do Icone.

Governo prepara corte de tributos para baixa renda

07/03/2013 - Folha de São Paulo

O governo prepara nova rodada de desonerações para ajudar no combate à inflação e estender o benefício da redução de tributos mais diretamente à baixa renda, depois de ações na área para aquecer a economia.

A equipe presidencial já decidiu isentar o etanol e os produtos da cesta básica da cobrança de PIS/Cofins, medidas que serão adotadas até o fim do semestre. E estuda reduzir ou isentar da cobrança dos dois tributos o diesel e o setor de transporte coletivo urbano (ônibus e metrô).

A desoneração dos produtos da cesta básica será divulgada até o início de maio e vai custar aos cofres públicos mensalmente entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões.

Assessores presidenciais admitem que, no caso da cesta básica, além de beneficiar diretamente a população, a medida ajuda a conter a inflação num momento em que ela supera 6% em 12 meses.

A ministra Miriam Belchior (Planejamento) disse ontem que o governo decidiu adicionar mais R$ 10 bilhões como "reserva de espaço" para as desonerações neste ano. Com isso, o limite previsto no Orçamento irá a R$ 36,1 bilhões.

TRANSPORTE

A desoneração para o transporte coletivo é a que está em fase mais inicial de estudo e o prazo de adoção depende do espaço fiscal disponível pelo governo. A presidente Dilma, porém, está decidida a adotar a medida.

A avaliação do Planalto é que, até aqui, as desonerações focaram beneficiar mais diretamente o setor produtivo e que seria a hora de estender o benefício à baixa renda.

De forte apelo eleitoral, pois permitiria reduzir ou evitar aumentos nas passagens de ônibus ou metrô, a medida pode ser baixada em 2014, ano de eleição presidencial.

No caso do etanol e do diesel, a desoneração visa dar alívio de caixa para a Petrobras e reduzir impacto de reajuste de preços de combustíveis no médio prazo. O governo quer tornar o preço do etanol mais competitivo e reduzir a importação de gasolina.

Fonte: Folha de S. Paulo
Publicada em:: 07/03/2013

sexta-feira, 8 de março de 2013

Brasil deve fechar 2012 com 5,7 milhões de turistas estrangeiros

14/12/2012 - Portal 2014

Embratur afirmou que em 2013 os trabalhos terão como foco principal a Copa das Confederações

O Brasil deve encerrar 2012 com 5,7 milhões de turistas estrangeiros e um faturamento recorde para o setor, segundo anunciou a Embratur nesta quinta-feira durante a 37ª reunião do Conselho Nacional de Turismo, realizada em Brasília

"Apesar da crise econômica mundial, superamos os números do ano passado, quando alcançamos 5,4 milhões de turistas estrangeiros no país", afirmou Paulo Guilherme de Araújo, chefe de gabinete da Embratur.

Araújo antecipou que em 2013 a Embratur concentrará o trabalho de promoção turística do país na América Latina, tendo como foco principal a Copa das Confederações, que será disputada em seis cidades, e a Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá no Rio de Janeiro e contará com a visita do papa Bento XVI.

"Vamos manter nossa estratégia de divulgação do país nos demais mercados, mas nossos vizinhos latino-americanos serão a prioridade", ressaltou.

O Ministério do Turismo, por sua vez, trabalha na elaboração de uma agenda nacional até 2022, com planos específicos para os segmentos de aventura, praia e negócios e eventos.

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Especialista prevê caos logístico no País

08/03/2013 - Agência Estado

O especialista em agronegócio e energia, Marcos Jank, ex-presidente da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), prevê um caos logístico no Brasil este ano. Com uma safra recorde e portos despreparados, 2012 será o pior ano do setor, o que já começa provocar dúvida entre clientes estrangeiros sobre a capacidade do País de conseguir entregar os produtos dentro do prazo.

A soja e o milho estão chegando nos portos ao mesmo tempo que o açúcar e os fertilizantes que estão sendo importados. Em um ano, explica Jank, o aumento no volume de soja e milho exportado será de 40%. Na avaliação dele, apesar das estradas deterioradas, o pior problema está nos portos, que sofrem com a concentração de cargas.

Sem rotas para escoar a produção pelos portos do Norte, os produtores mandam boa parte da carga para os portos do Sul e Sudeste, apesar de terem de percorrer milhares de quilômetros. Segundo Jank, 60%da produção de grãos está no cerrado brasileiro, no Norte do Mato Grosso, Bahia e Goiás. Desse produção, apenas 14% são exportados pelos portos do Norte. Os resto, 86%, saem pelo Sul e Sudeste.

A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) também está preocupada com os problemas de logística que atrapalham o escoamento da produção brasileira. As dificuldades de movimentação da safra tem sido tema de discussões e estudos que estão sendo levados ao governo federal. Para a entidade, está sendo um enorme desafio transportar as 81 milhões toneladas de soja, além das outras 73 milhões de toneladas de milho e mais 28 milhões de toneladas de outros grãos para os centros de consumo e portos de exportação.

Problemas estruturais de infraestrutura logística têm sido amplamente debatidos, mas a solução para os mesmos ainda está longe de contribuir para o aumento de competitividade da produção agropecuária brasileira. As distâncias são longas, o transporte hidroviário é precário e os fretes rodoviários e ferroviários são elevados no Brasil, porque a demanda por serviços de logística de transporte é maior do que a oferta.