quinta-feira, 17 de outubro de 2013

No transporte, a origem da revolta no Brasil

30/06/2013 - O Globo

O GLOBO acompanhou usuários de trem, ônibus e metrô de quatro capitais: Rio, São Paulo, Recife e Manaus, em busca de detalhes sobre as dificuldades enfrentadas

Usuários do sistema contam suas histórias no dia a dia do caótico serviço prestado em quatro capitais Num momento em que, pressionados pelas ruas, prefeituras de diversas cidades brasileiras discutem e fazem propostas com o objetivo de melhorar o transporte público, acompanhar o calvário de moradores da periferia das grandes cidades mostra como o caminho a percorrer é longo.

São estes os brasileiros que mais sofrem com a precariedade desses serviços e os que mais perdem tempo no caos urbano, segundo especialistas na área. O GLOBO acompanhou usuários de trem, ônibus e metrô de quatro capitais: Rio, São Paulo, Recife e Manaus, em busca de detalhes sobre as dificuldades enfrentadas. São muitas e vão muito além do preço da passagem, que caiu em capitais de todas as regiões após os protestos que varreram o Brasil neste histórico mês de junho de 2013.

O movimento, que teve como berço a mobilização em São Paulo, acabou por neutralizar também reajustes em praças de pedágio. Sem contar o aperto no ônibus - ou nas diversas conduções que devem ser tomadas para chegar e voltar do trabalho ou da escola -, o usuário do sistema perde, às vezes, seis horas diárias para alcançar seu destino, mesmo residindo em regiões metropolitanas de grandes cidades.

Estão muito longe de ser brasileiros dos grotões. Gente pobre diz, inclusive, que faria o sacrifício de gastar um pouco mais com transporte coletivo, desde que tivesse um serviço com o mínimo de qualidade. Porém, a realidade é um elogio à precariedade. No Rio, na linha 484, a viagem leva uma hora. O percurso é de apenas 13 quilômetros. Para Fábia, diarista, já são nove anos no calvário do transporte coletivo do Rio, que, tal como em outras cidades, é alvo, agora, de comissões parlamentares de inquérito para investigar as misteriosas planilhas de custo das empresas, que receberam concessões públicas para administrar o serviço.

Em Recife, o GLOBO ouviu o relato desolador de uma trabalhadora que viaja 30 quilômetros em uma "temperatura do inferno" para chegar ao trabalho. - Na época de chuva, as pessoas fecham os vidros para não se molharem. O resultado é que, no salão do ônibus, a temperatura é a mesma do inferno. Os relatos só reforçam o grito das ruas: a necessidade de melhorias urgentes. Como em Manaus, cuja solução para os inúmeros problemas do sistema é o Bus Rapid Transit (BRT) que, por lá, não tem previsão de sair do papel.

Fonte: O Globo

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