quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Brasil tem duas cidades entre as 100 mais sustentáveis

16/12/2014 - Panrotas

Diego Verticchio 

Mercado ,

Bonito, no Mato Grosso do Sul, e Arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, são as duas representantes brasileiras entre as 100 cidades mais sustentáveis do mundo, segundo a lista da Green Destinations.

A lista foi construída com base em análise feita por 30 especialistas da área que levaram em conta fatores como: natureza (qualidade da natureza, vida selvagem e paisagem); meio ambiente (qualidade do ar, qualidade da água e cuidados ambientais); cultura (patrimônio cultural, identidade do destino e tradição do destino); questões sociais (direitos humanos e respeitos humanos); economia verde (esforços do setor empresarial, energia verde, gestão da água, reciclagem de lixos); e política de turismo certificada.

Com intuito de apresentar um resultado global, a Green Destinations elaborou o ranking de forma que todos os continentes fossem contemplados. Dessa forma, Europa contou com 50 destinos, África com 10, Ásia-Pacífico com 25, América do Norte e Sul com 15. Segundo o ranking, a seleção não significa que um destino seja 100% sustentável. "O resultado mostra que estes destinos estão fazendo um bom trabalho sustentável", afirma o relatório.

Centenas de cidades estão prontas para replicar a experiência do Rio em medir e reduzir emissões

16/12/2014 - The City Fix

O Rio de Janeiro está usando o Global Protocol for Community-Scale Greenhouse Gas Emissions Inventories (GPC)

Wee Kean Fong e Ryan Schleeter

O Rio de Janeiro está testando o piloto do GPC
O Rio de Janeiro está testando o piloto do GPC
créditos: Gerben van Heijningen/Flickr
 
O Rio de Janeiro é uma das cidades do mundo à frente no processo de integrar a sustentabilidade no planejamento urbano. Em 2011, o prefeito Eduardo Paes decretou uma lei ambiciosa relacionada às mudanças climáticas, estabelecendo a meta de evitar a emissão de 2,32 milhões de toneladas de gases do efeito estufa com origem no setor industrial até 2020, o equivalente a 20% das emissões de 2005. Havia apenas um problema: a cidade não tinha certeza de quanto estava emitindo.
 
As autoridades municipais tentaram fazer um inventário das emissões da cidade em 2005, mas não havia um padrão internacional para esse tipo de mensuração ao nível das cidades. O resultado foi incompleto e inconsistente em relação à maneira como outras cidades faziam o cálculo. Então, com o apoio do WRI, o Rio passou a se dedicar a uma primeira versão do Global Protocol for Community-Scale Greenhouse Gas Emissions Inventories (GPC). Usando esse padrão, a capital carioca descobriu que os setores de transporte e resíduos eram os que mais contribuíam para o total de emissões da cidade – 39% e 19%, respectivamente – e percebeu que colocar esses dois setores como alvo das ações vai contribuir significativamente para atingir a meta de redução de 20% das emissões.
 
Um novo padrão para medir e gerenciar as emissões nas cidades

Hoje, WRI, C40 e ICLEI estão lançando a versão final do GPC. É o primeiro padrão para medir as emissões em escala municipal aceito internacionalmente, e dá às cidades o poder de identificar de forma precisa de onde vêm as emissões, de estabelecer metas de redução razoáveis e possíveis de serem atingidas e de acompanhar o progresso de forma consistente.


Não podemos vencer a batalha contra as mudanças climáticas sem as cidades

Em se tratando da luta contra as mudanças climáticas, as cidades estão na linha de frente. Para começar, porque elas são a principal fonte do problema: aproximadamente metade da população mundial vive em áreas urbanas, e as cidades produzem 70% das emissões de dióxido de carbono relacionadas ao setor de energia. Cidades emergentes já estão alcançando cidades desenvolvidas no que diz respeito ao volume de emissões. Pequim, Xangai e Tianjin (China), por exemplo, têm emissões per capita semelhantes a grandes cidades europeias e norte-americanas. E o impacto ambiental das áreas urbanas ainda deve crescer mais – as cidades devem passar a abrigar 1,4 bilhão de pessoas a mais nos próximos 20 anos e atrair trilhões de dólares em investimentos em novas infraestruturas.


(Imagem: WRI / Fonte: World Energy Outlook)
 
No entanto, as cidades estão começando a agir. O Rio é uma das 35 cidades que testaram o piloto do GPC, e o número de cidades utilizando o padrão atualmente já aumentou para mais de 100. Essas cidades representam em torno de 1,1 giga tonelada das emissões de gases do efeito estufa e abrigam mais 170 milhões de pessoas, sendo comparáveis ao total de emissões e populações de todo o Brasil. Alavancando as redes do C40, ICLEI e do WRI Ross Center for Sustainable Cities, espera-se que o número de cidades usando o GPC cresça ainda mais nos próximos anos.
 
Esses compromissos amplificam aqueles já anunciados pela iniciativa Compact of Mayors em setembro durante a UN Climate Summit, que convoca os prefeitos e lideranças municipais a estabelecer metas de redução de emissões e a divulgar os resultados utilizando o GPC.
 
Voltando ao Rio…

Quanto ao rio, a administração municipal ainda não descansou desde que comprovou a fonte das emissões da cidade em 2011. Autoridades lançaram um plano de ação climática focado nas duas principais fontes de emissões. Para amenizar as emissões do setor de transportes e limitar a crescente dependência no automóvel privado, a cidade está expandindo sua rede de corredores BRT para incluir três linhas adicionais até 2016, totalizando 150 km de corredores. Combinadas a esforços para melhorar a eficiência dos combustíveis e aumentar o uso de biodiesel, essas medidas devem ajudar a atingir a meta estadual de reduzir as emissões dos transportes em 30% até 2020. A cidade também reformulou seu sistema de gerenciamento de resíduos, incluindo um dos maiores depósitos ao ar livre do mundo, o Jardim Gramacho. Só com isso, a redução de emissões de gases do efeito estufa deve ser de 1.400 toneladas por ano.
 
A cidade está progredindo, mas ainda tem muito trabalho a fazer. No ano passado, em conjunto com o teste piloto do GPC, o Rio completou seu inventário de emissões de 2012. O inventário indica que a cidade evitou 378 mil toneladas de emissões, número aquém da meta para 2012, que era evitar 929 mil toneladas. E apesar do alto índice de uso do transporte coletivo na cidade, a posse de carros ainda aumenta, e 47% dos brasileiros acreditam que ter um carro próprio é vital.
 
Ainda assim, munida de um inventário preciso, a cidade pode agora planejar ações mais ambiciosas e direcionadas, a fim de atingir suas metas climáticas e entrar no caminho certo para um futuro de baixo carbono. Enquanto debatem como enfrentar as mudanças climáticas, as lideranças nacionais reunidas em Lima podem ver em cidades como o Rio e ferramentas como o GPC formas de avançar o diálogo e concretizar ações.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Cemitério logístico trava investimentos em setor ferroviário

15/12/2014 - Exame

Ponte em obra inacabada da ferrovia Transnordestina: em dezenas de pátios logísticos espalhados País afora, milhares de vagões e locomotivas ainda enferrujam a céu aberto

André Borges, do Estadão Conteúdo

Iperó, Sorocaba e Mairinque - O governo anunciou planos de construir 11 mil quilômetros de novas ferrovias e erguer mais de 800 aeroportos regionais, mas há anos não consegue executar uma tarefa básica: limpar os trilhos e os aeroportos que já existem.

Em dezenas de pátios logísticos espalhados País afora, milhares de vagões e locomotivas ainda enferrujam a céu aberto, transformados em abrigo para usuários de drogas e entrave na operação diária de concessionárias que assumiram a malha ferroviária nacional, privatizada na década de 90.

Nos aeroportos, onde o pouco espaço disponível é disputado a tapa pelas companhias aéreas, dezenas de aviões e carcaças abandonadas ainda são um estorvo sem data para acabar.

Resultado da burocracia jurídica e da dificuldade do governo em concluir programas criados para desobstruir o caminho do transporte de cargas e passageiros, esses cemitérios logísticos estão escancarados em trechos como os da ferrovia Malha Paulista, que foram percorridos pelo Estado.

Ao longo da estrada de ferro que corta a região de Sorocaba (SP), linha que hoje é operada pela América Latina Logística (ALL), a reportagem flagrou centenas de vagões abandonados, estações históricas caindo aos pedaços e trânsito livre para o comércio de drogas.

Cabe ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) dar um destino aos bens da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA) que não foram repassados às atuais concessionárias.

No processo de privatização, realizado 18 anos atrás, todo o patrimônio da RFFSA considerado necessário à operação (malha ferroviária, vagões, locomotivas, equipamentos e oficinas) foi arrendado às empresas.

Ficou a cargo do Dnit cuidar dos bens considerados não operacionais e obsoletos, milhares de vagões e locomotivas antigas sem condições econômicas de recuperação. A autarquia do Ministério dos Transportes chegou a criar um programa para isso, mas simplesmente não consegue tirá-lo do lugar.

Sem interesse. Em 2012, o Dnit concluiu uma primeira etapa de inventário dos vagões, com 1.175 unidades fichadas individualmente. Dessas, 600 foram avaliadas para venda em leilão, incluindo grandes volumes que estão entulhados nos pátios de Triagem Paulista, em Bauru (SP), e de Samaritá, na cidade de São Vicente, litoral paulista. Uma licitação para venda dos vagões foi realizada dois anos atrás, mas o Dnit afirma que não teve interessado. Eram aproximadamente 400 vagões.

"Abrimos leilão em setembro deste ano para Triagem Paulista e Samaritá, mas não houve interessado, ou seja, o preço oferecido pelo Dnit estava fora do mercado", declarou a autarquia, por meio de nota.

Nas contas da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), que representa as concessionárias, um total de 5.400 vagões e locomotivas não foi arrendado no processo de privatização e, portanto, trata-se de material que precisa ser removido. Outras 7.400 unidades entraram nos pacotes de concessão, mas já estão em fase de devolução, por conta do fim de vida útil.

Nas contas do Dnit, ainda é preciso concluir a avaliação dos maquinários abandonados nos pátios de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e em capitais do Nordeste, como Fortaleza, que concentra grande quantidade das sucatas.

O material que será vendido por meio de leilões passará por avaliação de uma comissão de peritos da "inventariança da extinta RFFSA", processo que teve início em 2007 e que deveria ser concluído em 2015, mas que provavelmente terá de ser prorrogado. "Precisa ser concluído o inventário de torres de eletrificação elétrica em São Paulo, e depois transferir para Dnit", informou o órgão.

Legado

No processo de liquidação dos bens da RFFSA, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) assumiu o compromisso de desembaraçar mais de 52 mil imóveis que pertenciam à antiga Rede. Bens de valor cultural ficaram aos cuidados do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), enquanto a Advocacia-Geral da União (AGU) assumiu aproximadamente 40 mil processos trabalhistas.

Ao mostrar para a reportagem a situação atual em que se encontra a estação ferroviária de Iperó, o funcionário aposentado pela Ferrovia Paulista (Fepasa) Dejair de Almeida faz as promessas oficiais parecerem folclore. "Veja a que situação chegamos. Estamos sozinhos aqui. Até os prédios que pertenciam à Fepasa foram invadidos. Ninguém fiscaliza nada. É lamentável ver o que fizeram com a ferrovia."

Dejair Almeida trabalhou durante 22 anos na malha da antiga Estrada de Ferro Sorocabana (ESF). Aposentou-se quando um acidente o deixou cego do olho direito, enquanto trabalhava nas instalações elétricas da estação ferroviária da cidade. Hoje, cuida do Sindicato dos Ferroviários de Iperó. Durante a reportagem, enquanto apresentava o que restou da estação ferroviária, foi obrigado a recuar. Atrás do prédio, a polícia abordava um grupo de jovens, em busca de drogas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

Fonte: Revista Exame