segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Ferrovia Norte/Sul continua sem engrenar

05/01/2015 - Surgiu

Em operação apenas o trecho Tocantins ao Maranhão

Inaugurado em 2010 pelo Presidente Lula e em 2014 pela Presidente Dilma, o trecho de Palmas TO a Anápolis GO está há um ano sem uso, enquanto o trecho Palmas TO ao Maranhão está sendo utilizado no transporte de minérios e grãos.

Este trecho sem uso, que tem um total de 855 km até Anápolis GO foi contratado em 2008 com intenção de conectá-la com o restante do país.

A VALEC, responsável pela sua construção e administração não conseguiu terminar a sua parte inviabilizando a passagem dos trens, o que poderá ocorrer ainda neste mês de janeiro de 2015, mas, para que isto ocorra terá que contratar empresa para conservação do trecho e a concorrência marcada para novembro de 2014 foi adiada.

Deve-se ressaltar que as duas inaugurações ocorreram em anos eleitorais e como não foram concluídas, partes dos trechos se deterioraram e nenhum trem passou pelos trilhos.

Trilhos chineses

A Pangnang é a mesma empresa que forneceu os trilhos anteriores e de acordo com relatórios que Folha teve acesso junto ao Ministério dos Transportes, estes trilhos não oferecem garantias de qualidades. A Pangnang tem a empresa brasileira RMC e de acordo com o relatório não apresentava patrimônio compatível na época, inclusive operava em endereço residencial e só depois se mudou para novo endereço comercial.

Nesta ocasião a Polícia Federal realizou uma operação sob suspeita de corrupção e desvio de R$ 100 milhões, inclusive com a prisão temporária do ex-presidente da VALEC, José Francisco das Neves (Juquinha). As investigações ainda não fora concluídas.

Em 2014 a VALEC fez uma compra salgada de trilhos e transporte dos mesmos por R$ 440 milhões, quando a previsão destes gastos em 2012 era de apenas R$ 300 milhões. A empresa alegou alta do dólar.

Para a Folha a VALEC disse que a empresa não tem mais restrições fiscais que impeçam a passagens dos trens, porém, tem que ter a empresa contratada para dar garantia de trafegabilidade na via.

De acordo com a estatal já existe uma empresa interessada na operação deste segundo trecho, que é a VLI Logísta, a mesma que já opera o trecho em uso que vai de Palmas ao Maranhão.

Perto de completar três décadas de construção, a ferrovia está longe de cumprir o seu objetivo: a integração ferroviária do país. A previsão é de que isto ocorra em dezembro de 2015.

Sem o funcionamento pleno da ferrovia, fica inviabilizado o transporte de cargas do Centro Oeste, pois, precisarão percorrer mais de 2.000 km até os portos marítimos em caminhões. Com isto o frete no país fica até o dobro de países concorrentes como Argentina e Estados Unidos.

Fonte: Surgiu 

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