quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Bairro da zona norte do Rio tem loja saqueada e ônibus incendiado

26/02/2015 - Agência Brasil 

Um ônibus foi incendiado e uma loja de departamentos, saqueada, no início da noite de hoje (25), na zona norte do Rio. A polícia investiga se as ações foram uma reação de moradores pela morte de um homem, suspeito de ser traficante, em confronto com a polícia, no Morro São João, na região do Grande Méier.

O coletivo foi incendiado por volta das 19h, na Avenida 24 de Maio, importante ligação entre a zona norte e o subúrbio. A via ficou interditada por cerca de uma hora e depois foi liberada parcialmente, causando grande engarrafamento.

Ao mesmo tempo, segundo o comandante do 3º Batalhão da Polícia Militar, coronel Silva Júnior, outro grupo de pessoas invadiu a filial da loja Casa e Vídeo, no bairro Engenho Novo, região onde há várias favelas, e saqueou o estabelecimento.

De acordo com um segurança da loja, cerca de 40 pessoas levaram diversas mercadorias, inclusive aparelhos de televisão. "Levaram metade da loja. Era muita gente e não tínhamos o que fazer", disse o segurança.

O coronel Silva Júnior ressaltou que dois homens foram presos e levados para a 25ª Delegacia de Polícia. Um deles foi surpreendido quando colocava objetos do saque dentro do próprio carro.

Um grande contingente de policiais militares foi deslocado para a região, incluindo um veículo blindado, que ficou posicionado em frente à subida do Morro São João, onde funciona uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Governo atrasa repasses e bloqueia R$ 32 bilhões de obras do PAC

26/02/2015 - O Globo / O Estado de SP

BRASÍLIA - Como mais uma medida do ajuste fiscal, o governo federal bloqueou temporariamente nesta quarta-feira R$ 32,6 bilhões de despesas previstas para o pagamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O corte atinge a principal iniciativa em infraestrutura do governo da presidente Dilma Rousseff, que chegou a ser apelidada de "mãe do PAC" na primeira fase do programa, ainda durante o governo Lula. Segundo o Ministério do Planejamento, o bloqueio atinge obras que ainda não saíram do papel.

O governo fará uma avaliação desses projetos e, em julho, decidirá se cancelará as verbas que haviam sido previstas para essas obras ou se manterá parte delas. Os R$ 32,6 bilhões bloqueados são relativos a valores de 2013 ou anos anteriores que não foram gastos porque as ações não se iniciaram. Segundo o Planejamento, há R$ 60,2 bilhões em despesas previstas de outros anos para pagamentos de obras do PAC, chamados de restos a pagar. Dessa quantia, R$ 30,2 bilhões não foram bloqueados porque as obras estão em curso e na fase de pagamento.

O bloqueio dos recursos foi determinado nesta quarta-feira pela equipe econômica como parte de um congelamento maior, no esforço de ajuste fiscal. O governo se debruçou sobre R$ 188,5 bilhões de verbas para ações ou obras que não deslancharam até o ano passado, incluindo as do PAC. Decidiu congelar R$ 142,6 bilhões, sendo R$ 71,6 bilhões de verbas inscritas em 2013 e outros R$ 71 bilhões de 2014.

O Orçamento da União prevê o pagamento em etapas. A primeira é o empenho, que é a reserva do dinheiro e a promessa de que o pagamento ocorrerá. Depois, há a liquidação, quando o pagamento é feito. Os restos a pagar são despesas previstas, mas que não foram liquidadas. Segundo os técnicos, isso ocorre quando a ação, projeto ou obra não tem o andamento esperado. O dinheiro fica retido na fase de empenho. No PAC, a cada trecho executado, o dinheiro é pago.

O decreto 8.407, publicado ontem no Diário Oficial da União, determina o bloqueio e o possível cancelamento de despesas inscritas até 2014, justamente em restos a pagar não processados (gastos contratados em anos anteriores, mas ainda não realizados).

Na reunião com a cúpula do PMDB, segunda-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, avisou que o governo estava adotando uma medida que mexeria nos chamados restos a pagar. O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), disse que a equipe econômica avisou que seriam medidas duras:

— Eles disseram que ia ser um decreto muito duro. Mas vai paralisar todas as obras? — questionou ontem o líder.

Segundo nota divulgada pelo Ministério do Planejamento, a medida está sendo adotada para que o governo possa "avaliar, em conjunto com os ministérios, a execução financeira e o planejamento fiscal das ações e projetos que ainda não foram liquidados".

De acordo com a pasta, os órgãos poderão desbloquear os recursos inscritos em restos a pagar não processados de despesas que iniciarem sua execução até 30 de junho de 2015. Nos casos em que não houver previsão de início da despesa até essa data, os ministérios deverão justificar a manutenção dos correspondentes empenhos à Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento e ao Tesouro Nacional até 30 de abril de 2015.

Os ministérios da Fazenda e Planejamento deverão se manifestar sobre a solicitação de desbloqueio até 30 de junho. Após essa data, os saldos de empenhos de restos a pagar não processados que permanecerem bloqueados serão cancelados.

No caso de 2014, além de preservar parte dos recursos do PAC, ficaram de fora do bloqueio temporário verbas dos ministérios da Saúde e da Educação (que financiam a manutenção e o desenvolvimento do ensino) e também as emendas individuais obrigatórias incluídas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014.

O Estado de SP

Governo atrasa pagamentos de obras do PAC

Nas bordas da Operação Lava Jato, investigação que levou à lona as gigantes da construção nacional, uma crise financeira se alastra entre empreiteiras de médio porte responsáveis pelas principais obras de infraestrutura do País. A grita é geral entre construtoras que, embora não sejam alvos diretos das investigações de corrupção na Petrobrás, vivem um calvário financeiro causado pelo atraso de pagamentos de obras pelo governo federal.

De dezembro para cá, a empreiteira SA Paulista cortou sua folha de pagamento em um terço. Dos 4 mil funcionários, 1 mil foram demitidos nos últimos 90 dias. Os cortes se concentraram no Cinturão das Águas, projeto de transposição em andamento no Ceará. "Não temos opção. Estamos sem receber desde outubro. São mais de R$ 20 milhões em atraso, porque o Ministério da Integração não fez o repasse que devia ao governo estadual", disse o diretor César Afrânio ao Estado. "Só nessa obra tivemos que dispensar 800 pessoas. Está tudo parado."

O drama financeiro também contamina a Ferrovia NorteSul, projeto bilionário da estatal Valec e uma das principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Há duas semanas, a Constran paralisou a produção de dormentes em sua fábrica, montada no lote da ferrovia entre Goiás e Minas Gerais. A empresa, que alega não receber da Valec desde novembro, cortou quase 2 mil trabalhadores no trecho. "Chegamos a ter 3 mil funcionários na Norte-Sul. Hoje estamos com 1.200", disse o presidente da Constran, João Santana.

A Constran, que não tem contrato com a Petrobrás, pertence à holding UTC, cujo sócio e ex-presidente da empresa Ricardo Pessoa cumpre prisão preventiva em Curitiba por causa da Lava Jato. "Não temos nenhuma relação com as investigações. Vivemos hoje esse pesadelo simplesmente porque o governo não paga pelo que contratou", diz Santana.

Sem caixa, a Constran reduziu o quadro pela metade. Dos 12 mil funcionários que tinha até o fim de 2014, ficou com 6 mil. Nas contas da empresa, a Valec tem uma dívida R$ 30 milhões com a empresa.

O calote federal envolve ainda o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), autarquia do Ministério dos Transportes que costuma ostentar a condição de ser dono do maior orçamento da União. A Constran atua em dois lotes de duplicação da BR-116, no Rio Grande do Sul. "Desde setembro do ano passado, o Dnit retarda as medições dos serviços. Temos R$ 29 milhões para receber. São serviços com fatura emitida e já vencida. Portanto, é pagamento atrasado."

A Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop) calcula que, desde o fim de 2014, cerca de 40 mil operários da construção foram demitidos. A dívida do governo federal com as empreiteiras, segundo a associação, é estimada em R$ 5 bilhões. "Muitas empresas estão penduradas em contratos com o governo, sem receber desde o fim do ano passado. O governo gastou mais do que podia e segurou a situação até onde pôde para ganhar uma eleição. O resultado é esse que estamos vendo hoje", diz Luciano Amadio, presidente da Apeop.

Questionado sobre atrasos nos pagamentos, o Ministério da Integração informou que "fez repasse de recursos para o Cinturão das Águas em janeiro e planeja manter o fluxo regular dos pagamentos, conforme o andamento das obras". A Valec declarou que tem um "pagamento pendente" de R$ 16,139 milhões com a Constran e a situação será regularizada.

Em declaração conjunta, Dnit e Valec informaram que aguardam a publicação da Lei  Orçamentária Anual de 2015, "onde serão definidos os limites para empenho e cronograma financeiro de desembolso". O Orçamento deve ser publicado na próxima semana. Segundo o Ministério dos Transportes, "não existe pendência de pagamentos" na Valec. Sobre o Dnit, "as medições efetuadas em dezembro serão praticamente pagas no fim de fevereiro", cerca de R$ 800 milhões.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

29% dos estrangeiros que compram imóveis em Miami são Brasileiros, veja o motivo

25/02/2015 - BHaz

http://www.bhaz.com.br/29-dos-estrangeiros-que-compram-imoveis-em-miami-sao-brasileiros-veja-o-motivo/

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Nos últimos 10 anos, o número de imóveis comprados por brasileiros na Flórida, estado americano onde se encontra Miami, aumentou mais de 5 vezes. Para se ter uma idéia, 29% dos estrangeiros que compram propriedades na cidade são brasileiros. E esse número ainda irá aumentar muito.
Graças a uma grande eficência da construção civil americana, os preços das casas nos EUA são muito interessantes. Para que você tenha uma ideia, veja um exemplo de imóveis que você conseguiria comprar com R$ 450 mil nos EUA e no Brasil:

“A diferença de preços de moradias no Brasil e nos Estados Unidos é, literalmente, assustadora” InfoMoney

Miami se tornou uma excelente opção para quem quer investir em imóveis ou simplesmente quer uma casa de férias em um dos destinos turísticos mais amados do planeta. Entenda o motivo:

Valorização. Alta valorização dos imóveis. Para que você tenha uma ideia, vários empreendimentos chegam a valorizar-se 30% apenas entre o lançamento da obra e a entrega.

Segurança. Cada vez mais investidores de paises com economias instáveis buscam segurança nos imóveis de Miami. Isso garante uma demanda mundial constante

Futuro. A revista Financial Times elegeu Miami uma das TOP 10 Cidades Americanas do Futuro devido ao grande número de investimentos estrangeiros na cidade previstos para os próximos anos.

“Os imóveis são mais baratos, quase não há assaltos, as praias são limpas e as regras de trânsito são respeitadas” Revista Veja

Assim como no Brasil, também é possivel financiar um imóvel nos EUA. Mas com uma pequena diferença: A taxa de juros será menor do que tudo que você já viu por aqui.

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Incertezas marcam volta da Marcopolo

25/02/2015 - Valor Econômico

A Marcopolo reinicia as operações das suas duas principais fábricas no país, em Caxias do Sul (RS), após dez dias de férias coletivas fora de época, ainda sem cenário claro para 2015. Esperadas desde dezembro, quando haviam sido adiadas devido às incertezas que pairavam sobre o setor, as projeções de desempenho da fabricante de carrocerias de ônibus para este ano foram novamente postergadas para data ainda não definida.

"Não estamos confortáveis em passar um panorama", disse ontem o diretor de relações com investidores da companhia, José Antônio Valiati, depois da apresentação dos resultados do ano passado. "Nosso segmento muda muito rápido e estamos administrando no curto prazo", afirmou o executivo. Sem detalhar percentuais, ele disse que o nível atual de encomendas está "mais fraco" do que no mesmo período de 2014.

No ano passado, em linha com a produção brasileira do setor, que caiu 14,1%, para 28,4 mil unidades, a Marcopolo teve queda de 14,2% no volume consolidado produzido no Brasil e no exterior (excluindo as participações e as empresas com controle compartilhado, contabilizadas via equivalência patrimonial), para 17,7 mil ônibus. O lucro líquido consolidado caiu 23,3%, para R$ 224,1 milhões, o Ebitda recuou 29,6%, para R$ 306,4 milhões, e a receita líquida diminuiu 7,1%, para R$ 3,4 bilhões.

Segundo Valiati, a empresa ainda não consegue "medir" o efeito, em 2015, da mudança na linha de financiamento do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do BNDES, nem das medidas de ajuste fiscal do governo federal. A taxa do PSI, que era de 6% ao ano, passou para 9,5% a 17,24%, conforme o percentual financiado do veículo e o porte da empresa compradora, e o prazo de pagamento baixou de dez para seis anos.

Também não há ainda perspectiva sobre a regulamentação, pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), do regime de autorização das linhas de ônibus interestaduais para que as empresas reforcem a renovação das frotas, disse o diretor. A estimativa é que as novas regras gerem uma demanda anual de 2 mil a 2,5 mil ônibus durante quatro a cinco anos, mil unidades a mais por ano do que na situação atual.

Outra dificuldade é a falta de clareza sobre o rumo do programa Caminhos da Escola, que repassa aos municípios veículos escolares adquiridos com recursos da União. A Marcopolo vendeu 4,1 mil unidades no leilão de janeiro de 2014, mas faturou só 40% do lote e não há definição da entrega das demais. Conforme o diretor, a empresa tem R$ 210,9 milhões a receber do programa, dos quais R$ 100 milhões em atraso. "Espero que [o pagamento dos atrasados] ocorra no primeiro trimestre", comentou.

O cenário é mais favorável no segmento de urbanos e das exportações. Segundo Valiati, já há "algum movimento" de renovação das frotas de ônibus urbanos, pois mais de 80 cidades reajustaram as tarifas cobradas pelas empresas de transporte depois do represamento provocado pelos protestos de junho de 2013 pelo país.

No caso das vendas a partir do Brasil para o mercado externo, a ajuda vem da desvalorização do real, que cria uma perspectiva positiva por conta do aumento da competitividade dos produtos brasileiros, disse o executivo. A variação cambial já foi a principal responsável pelo cumprimento da projeção de receita líquida consolidada de R$ 3,4 bilhões em 2014, graças à conversão para reais dos dólares obtidos nas operações.

A projeção original para 2014 era de receita líquida de R$ 3,8 bilhões, mas foi revisada para baixo em agosto. A previsão de produção baixou de 20,85 mil para 19 mil ônibus, e acabou 6,8% menor. A meta de investimento recuou de R$ 160 milhões para R$ 130 milhões e a cifra fechou em R$ 136,3 milhões, a maior parte direcionada à nova fábrica de miniônibus Volare no Espírito Santo, que começou a operar no mês passado.

Com o setor desaquecido, a Marcopolo reduziu em 9,2% o número de funcionários em 2014, para 16,8 mil, incluindo as controladas e coligadas na proporção da participação acionária. Na virada para 2015, a empresa também aumentou de duas para três semanas o período de férias coletivas e agora fez nova parada de dez dias em Caxias do Sul e de uma semana na fábrica do Rio de Janeiro.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Caminhoneiros fecham rodovias contra alta dos combustíveis

24/02/2015 - O Globo

BRASÍLIA, RIO E PORTO ALEGRE – Caminhoneiros paralisaram rodovias nesta segunda-feira em pelo menos sete estados (Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás) em protesto contra a alta nos preços de combustíveis, pedágios e más condições das estradas. As rodovias do Rio de Janeiro não foram afetadas, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal no estado.

A manifestação chegou a bloquear parcialmente rodovias gaúchas, incluindo a BR-392, que liga o porto de Rio Grande ao centro do Rio Grande do Sul. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), em pelo menos seis trechos de rodovias federais e estaduais havia movimento de manifestantes.

Na BR 392, caminhões ficaram parados no acostamento no sentido Rio Grande-Porto Alegre pelo protesto. A PRF estimou 200 veículos no acostamento. Os manifestantes permitiam apenas a passagem de carros de passeio e veículos com cargas vivas e perecíveis. Pneus foram queimados na estrada, o que causou congestionamento durante a manhã.

A manifestação no Rio Grande do Sul — que ganhou força na noite de domingo — ocorreu no entorno de Pelotas e, até as 10h, ainda não atingia a BR 116, principal ligação da zona Sul do Estado com a capital. Segundo a Ecosul, concessionária que administra a BR 392, o congestionamento passava de cinco quilômetros na rodovia nesta manhã.

PARALISAÇÃO AFETOU PORTO

O protesto também afetou trechos das BRs 386, em Rodeio Bonito, e na BR 468, em Coronel Bicaco. As rodovias são usadas para escoamento da safra de soja até o porto de Rio Grande. Na BR 285, em Ijuí, o trânsito também está lento devido ao protesto. Os manifestantes começaram a movimentação por volta de 6h.

Na RS 569, em Palmeira das Missões, havia bloqueio parcial da rodovia desde as 6h. No domingo, houve bloqueios parciais no Rio Grande do Sul em Seberi, Ijuí e Boa Vista do Buricá – todas cidades no Norte do Estado. Em Seberi, no km 51 da BR-386, a ação chegou a causar uma fila de 400 metros de veículos em ambos os acostamentos da via.

MOTORISTA TEVE PARA-BRISA QUEBRADO

Em Santa Catarina, o movimento iniciou na quarta-feira da semana passada e se estendeu por rodovias do Oeste. No entroncamento da BR 282 e SC 163, em São Miguel do Oeste, o protesto chegou a interromper o trânsito. Apenas veículos de passeio, oficiais e de transporte coletivo eram liberados.

No Paraná, o protesto começou no domingo e chegou a interromper parcialmente o trânsito em pelo menos 17 trechos de rodovias federais. O movimento se concentrou em estradas do Oeste do Estado. Nesta manhã, segundo a PRF no Estado, cinco trechos continuavam com bloqueios.

Na BR 277, no município paranaense de Medianeira, a fila provocada pelo protesto chegava a 6 quilômetros. Um motorista que tentou furar o bloqueio, segundo a PRF, teve o para-brisa quebrado. Em algumas rodovias os manifestantes impediram também o trânsito de carghas vivas e perecíveis.

Agricultores da região Norte do Rio Grande do Sul estão engrossando o movimento dos caminhoneiros. Na BR 392, em São Sepé, cerca de 40 manifestantes distribuíam panfletos criticando a alta de combustíveis e também os casos de corrupção na Petrobras.

SEM LIDERANÇA

A manifestação de caminhoneiros iniciada na última sexta-feira se expande sem que ninguém, até o momento, assuma o comando do movimento. A União Nacional dos Caminheiros (Unicam), entidade de representação máxima da categoria no país, diz desconhecer quem está à frente do protesto. Já o Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), que em 2012 liderou bloqueios em diversas rodovias, garante que, dessa vez, não está no comando . Enquanto isso, motoristas enfrentam dificuldades para atravessar 64 trechos de 23 rodovias federais, de acordo com o último boletim da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgado à noite.

A manifestação já atinge 11 municípios de Santa Catarina; dois de Goiás; oito de Mato Grosso; três de Minas Gerais; 12 do Paraná; dois do Rio Grande do Sul; e um do Mato Grosso do Sul. Em Minas Gerais, as pistas estão parcialmente paradas em ambos os sentidos, com trânsito fluindo somente para veículos de passeio, ônibus, carga perecível, carga viva e ambulâncias. O mesmo acontece no Paraná, que já registra congestionamento de 2 quilômetros em Pérola Doeste e de 3 quilômetros em Guarapava.

O presidente da Unicam, José Araújo, conhecido como "China", teme pelas consequências que um movimento sem liderança pode causar. Em nota publicada em seu site, a entidade alerta para o perigo das manifestações desorganizadas. "Diante de um agravamento desorganizado, não se pode prever os resultados. Antes que o caos total se instale, é melhor que todos os envolvidos assumam suas parcelas de culpa e, em conjunto, caminhem para uma solução que atenda a seus interesses, mas sem se esquecer dos anseios da nação", diz parte do texto.

O presidente do MUBC, Nélio Botelho, que em 2012 organizou manifestação contra mudanças regulatórias do setor, como a obrigatoriedade de intervalo de 11 horas de descanso ininterrupto a cada 24 horas, não quis falar diretamente com o GLOBO. A atendente da entidade limitou-se a dizer, por telefone, que ele "pediu para informar que apoia a manifestação, mas não está na liderança", prometendo uma declaração oficial para breve.

AGU recorre à Justiça para liberar rodovias federais

Advogados querem multa de R$ 100 mil por hora de bloqueio. PRF e a Força Nacional podem participar de operações

BRASÍLIA - A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que mobilizou uma força-tarefa para solicitar, na Justiça, a liberação de rodovias federais bloqueadas por protestos de caminhoneiros. Em nota conjunta com a AGU, o Ministério da Justiça informou que apoiará a ação por meio da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional.

Nas ações, ajuizadas simultaneamente nos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a AGU pede autorização para o poder público adotar medidas necessárias para garantir a circulação nas pistas e a fixação de multa de R$ 100 mil para cada hora que os manifestantes se recusarem a liberar o tráfego.

As procuradorias regionais da União, unidades da AGU responsáveis pelo ajuizamento coletivo, argumentam que os bloqueios "aumentam os riscos de acidentes e ameaçam a segurança de todos que precisam utilizar as rodovias, além de provocar graves prejuízos econômicos ao impedir que cargas, muitas delas perecíveis ou perigosas, cheguem ao destino".

Segundo a AGU, mesmo reconhecendo o direito à liberdade de expressão e de livre associação dos manifestantes, os advogados públicos ponderam nas ações que "não é justo nem razoável que a utilização abusiva desses direitos resulte em prejuízos de grande monta a praticamente toda a população brasileira".

"As procuradorias lembram, ainda, que a Justiça Federal já decidiu, em diversos casos anteriores, que rodovias federais não são adequadas para manifestações e necessitam de autorização prévia das autoridades para abrigar qualquer reunião de grupos", diz a nota.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

SP só recebeu até agora R$ 418 milhões dos R$ 8,1 bilhões prometidos do PAC

09/02/2015 - O Estado de SP

Os recursos do PAC ainda não entraram no caixa da Prefeitura de São Paulo. Pelo menos não na quantidade anunciada pela presidente Dilma Rousseff e comemorada pelo prefeito Fernando Haddad (PT). Balanço financeiro de 2014 aponta que, nos primeiros dois anos da gestão petista, R$ 418 milhões em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) financiaram novos investimentos na capital. Em meados de 2013, a promessa foi de R$ 8,1 bilhões.

A gestão Haddad sustenta que, apesar de ainda não representar um aporte significativo, a verba federal tem ajudado a cidade a quebrar recordes de investimentos, e aumenta ano a ano. No ano passado, pela primeira vez, São Paulo superou a barreira dos R$ 4 bilhões empenhados em novos projetos o total foi de R$ 4,3 bilhões, dos quais R$ 291,3 milhões foram obtidos com o governo federal. O valor é 130% maior do que o recebido em 2013, quando o repasse foi de R$ 127 milhões.

A lentidão na execução das obras selecionadas pelo PAC também ajuda a explicar a falta de recursos federais nas contas da Prefeitura. Isso porque na maioria dos convênios firmados as transferências se dão por ressarcimento, ou seja, são feitas durante as obras e não antes delas.

Depois de um período dedicado mais ao planejamento do que à execução, o prefeito conseguiu ampliar seu canteiro de obras pela cidade, o que deve assegurar mais recursos do PAC neste ano e em 2016. Responsável pelo maior conjunto de projetos em andamento, o secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, Roberto Garibe, diz que agora a máquina municipal está mais preparada para obter os valores prometidos.

"O município não tinha o costume de fechar convênios, principalmente visando ao investimento em infraestrutura. Isso é uma novidade para São Paulo. Ainda mais no volume dos compromissos firmados foram R$ 8,1 bilhões anunciados em agosto de 2013. A partir daí, começamos a correr atrás para colocar as licitações na rua, adequar os projetos, obter as licenças ambientais. Esse processo todo não é nada rápido", explica.

Segundo Garibe, a Prefeitura busca atualmente cumprir as exigências e a burocracia que antecedem os repasses financeiros. "Esse é o legado desta história toda. A Prefeitura está se organizando para ter uma máquina que consiga dar conta do desafio de aumentar o nível de investimentos na cidade."

Metas. O plano de metas de Haddad é ousado e caro: custa R$ 24 bilhões. Nos dois primeiros anos de governo, o prefeito diz ter investido cerca de um terço, R$ 8,2 bilhões. Para que a conta feche, diante do cenário de crise econômica vislumbrado para 2015, São Paulo demandará cada vez mais recursos da União para atender áreas consideradas prioritárias, como mobilidade, habitação, drenagem, saúde e educação.

O PAC Mobilidade, por exemplo, ajuda a financiar a construção ou requalificação de 63 km de corredores de ônibus. Até o fim de abril, segundo a Prefeitura, o valor deve saltar para R$ 2 bilhões. Na prática, no entanto, essa verba ainda não "pingou" na conta municipal. Isso vai ocorrer de acordo com o cumprimento dos serviços.

A mesma lógica se enquadra no PAC Drenagem, cuja previsão de aporte federal alcança um total R$ 2,9 bilhões. Nesse caso, o conjunto de intervenções, que afeta alguns dos principais córregos da cidade, como o Ponte Baixa, Cordeiro e Sumaré, exige contrapartida do Tesouro Municipal. Para que o pacote saia, a Prefeitura terá de desembolsar R$ 1,9 bilhão para custear desapropriações.

Conta-gotas. Diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires diz que a realização de investimentos a conta-gotas prejudica a cidade. "Nessa área, o retorno é sempre a longo prazo. É por isso que o planejamento precisa ser rápido e contínuo. Os políticos devem ver ações de infraestrutura como uma política de Estado, não de governo. Caso contrário, as promessas vão continuar se repetindo", afirma.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Trecho da ferrovia Norte-Sul no TO não opera após inauguração

02/02/2015 - G1

Trecho que liga Porto Nacional a Anápolis (GO) nunca entrou em operação. Apesar de nunca ter sido utilizado, trilhos tiveram que passar por manutenção.

Apesar de ter sido inaugurado há mais de sete meses o trecho da ferrovia Norte-Sul que liga Porto Nacional a Anápolis (GO), último trecho inaugurado com 855 km de trilhos, nunca entrou em operação.

O trecho apesar de nunca ter sido utilizado, os trilhos já tiveram que passar por manutenção e com isso substituídos. Desta forma, a única parte que funciona é que vai de Açailândia (MA) a Palmas, sendo que o trecho seguinte que vai de Anápolis está pronto, mas não recebe trens.

A ferrovia é um dos maiores projetos do país na área de transporte que começou a ser construída em 1987 e custou mais de R$ 10 bilhões. Para acompanhar mais informações sobre a situação deste trecho na ferrovia Norte-Sul, veja a reportagem do Jornal do Campo acima.

Fonte: Do G1 TO, com informações da TV Anhanguera 
 

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Placar da mobilidade: SP 40 x 1 RJ

01/02/2015 - O Globo

SÉRGIO MAGALHÃES

O tempo das cidades tem uma certa inércia. As grandes obras de Pereira Passos foram amadurecidas nas décadas anteriores. No Quarto Centenário, o governo da Guanabara encomendou o "Plano Rio Ano 2000". Seu autor, Constantinos Doxiadis, projetou uma cidade rodoviária, expandida 40 vezes! O rodoviarismo e a ocupação extensiva também estruturaram a "nova capital" pensada no Plano Lucio Costa para a Barra da Tijuca, em 1969. Não obstante, são propostas que continuam sendo tiradas do papel.

Um plano sintetiza ideias. Ainda quando superadas, elas podem manter vitalidade se não houver nova síntese.

Neste século 21, o ideário urbanístico mudou. O mito rodoviário está em ruínas. O expansionismo é insustentável. O desejo contemporâneo é por uma cidade de bons espaços públicos e usos variados, misturada, contínua, compacta, acessível, atenta ao ambiente, à paisagem, à vizinhança, às preexistências e menos desigual. Uma cidade com serviços públicos universalizados. Uma cidade para as pessoas.

Contudo, ao mudar o paradigma, descuidamo-nos e não atualizamos nossas decisões. Veja-se o caso da mobilidade metropolitana.

Embora o Rio tenha sido muito bem estruturado urbanisticamente pelos trens suburbanos, o sistema foi abandonado, optando-se por investir em rodovias, túneis e elevados para criar novas áreas de expansão. Regiões servidas pela ferrovia perderam vitalidade e população, com prejuízo ao patrimônio material e cultural.

Privatizada a operação dos trens, sucessivos governos diziam investir na recuperação do sistema, não obstante a evidente falta de resultados. Agora, em entrevista à jornalista Flávia Oliveira, no GLOBO, o secretário de Desenvolvimento fluminense atestou: nos últimos 25 anos, o Estado de São Paulo investiu 40 bilhões de reais nos trens enquanto o Estado do Rio investiu um bilhão no seu sistema. Sim: 40 a 1.

Ora, perdemos anos cruciais para o nosso desenvolvimento (com sofrimento diário de milhões de cariocas) na ilusão de que estavam adotadas as providências necessárias — quando, comparado com São Paulo e com os oito bilhões de reais que se gasta no metrô Ipanema-Barra, o investimento nos trens do Rio não passa de um óbolo.

O desequilíbrio avulta ao se comparar investimentos e populações dos territórios servidos: no caso desse metrô, são trezentos mil habitantes (R$ 26 mil/habitante); no caso dos trens, sete milhões de moradores (R$ 142/habitante). O placar é 183 a 1.

O Rio precisa do desenho de um novo ciclo de desenvolvimento em correspondência com o ideário contemporâneo e democrático.

Sem plano, os governos buscam ideias vencidas. Sem recursos, idealizam inapropriadas soluções. O projeto do território é função de Estado. Fazer PPPs setoriais, sem plano articulador, é desconhecer que o uso do solo, a mobilidade, o saneamento e os serviços públicos são ovos da mesma cesta. É preciso cuidado entre eles.

Com 12 milhões de habitantes, o Rio é uma metrópole global. É nessa escala e nos parâmetros de hoje que seu novo desenho deve ser pensado, debatido e compartilhado.

O placar da mobilidade, do saneamento, da segurança — da boa cidade — há de melhorar. Mas o jogo é aqui, não é com outra cidade. A criação de uma Câmara Metropolitana é um primeiro passo dado pelo governo do estado. O Estatuto da Metrópole, recente lei federal, pode ajudar a institucionalizar o tema.

Está na hora. Afinal, no tempo das cidades, passado o aniversário de 450 anos, o quinto centenário já estará às portas.

Sérgio Magalhães é arquiteto