quinta-feira, 26 de março de 2015

Após negociação, invasores deixam terreno da Cedae

Local havia sido invadido há duas semana por cerca de 500 pessoas

POR TAÍS MENDES

26/03/2015 - O Globo


Insasores deixam terreno na Zona Portuária - Gabriel de Paiva / Agência O Globo

RIO - Policiais militares fizeram na manhã desta quinta-feira uma operação de reintegração de posse num terreno da Cedae, na Via Binário 2, na Zona Portuária do Rio. O local havia sido invadido há duas semana por cerca de 500 pessoas. Após uma negociação com agentes da prefeitura, no entanto, três ônibus com invasores deixaram o local, e uma retroescavadeira da companhia de água já começava a derrubar os barracos erguidos por eles.

O último grupo saiu por volta das 8h40m, junto com parte do efetivo policial.`Eles seguiram para a sede da Guarda Municipal, em São Cristóvão. Às 9h30m, parte dos invasores faziam uma fila em frente à garagem da corporação. Uma mulher que não se identificou contou que, a maioria dos invasores foi cadastrada para receber uma casa no Bairro 13, no Santo Cristo, mas até hoje, esperam pelo imóvel prometido.

— Precisamos de ajuda, receber a casa ou aluguel social. Estou cansada de viver como cachorro, de favor na casa dos outros — reclamou.

Beatriz Silva, de 28 anos, também tenta ser cadastrada pela prefeitura para receber aluguel social e disse que antes de ir para o terreno, na Zona Portuária, morava de aluguel em Manguinhos. Ela também é ex-moradora do Bairro 13 e não conseguiu o cadastro para receber uma casa no condomínio em 2014.

— Há um ano que estou pagando R$ 450 de aluguel para morar num cubículo com meus cinco filhos, sendo que um tem necessidades especiais. Há duas semanas sai de lá para ocupar o terreno. Já entreguei a quitinete que alugava e não tenho mais para onde ir com a crianças — lamentou.


Polícia faz desocupação em terreno na Via Binário, na Zona Portuária - Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Para garantir a segurança durante a desocupação do terreno, homens do Batalhão de Choque (BPChoque), do Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos (BPGE) e agentes da Guarda Municipal fizeram o policiamento na região. No entanto, não houve registro de confrontos.

Uma técnica de enfermagem, que não quis se identificar, passou a manhã tentando localizar a empregada com dois filhos menores, que segundo ela, morava no Morro da Providência.

— Ela resolveu invadir o terreno porque os tiros voltaram na comunidade. Voltou tudo como era antes — disse.

Ainda de acordo com a técnica de enfermagem, o local foi invadido por moradores de diferentes comunidades do Rio:

— Há alguns dias, atendi duas senhoras hipertensas que moravam na comunidade do Mandela e Manguinhos e que vieram para o terreno.
DE
 
VEJA AS IMAGES DA DESOCUPAÇÃO NA ZONA PORTUÁRIA

Segundo o Centro de Operações da prefeitura, a Via Binário está parcialmente liberada ao trânsito, no sentido Praça Mauá, altura da Av. Professor Pereira Reis. A faixa reversível montada na pista sentido rodoviária ainda está em operação e o trânsito continua lento.

Desde o início da operação, a via ficou interditada na altura da Avenida Professor Pereira Reis, na pista sentido Centro. Para minimizar o impacto no trânsito, foi implantada uma faixa reversível no sentido Avenida Brasil da via, entre a Professor Pereira Reis e a Rua da Gamboa.

Devido ao bloqueio, houve reflexos no trânsito no Viaduto do Gasômetro e no acesso para a Ponte Rio-Niterói. Quem segue em direção ao Centro, pela Avenida Brasil, pode sair por Benfica pelas seguintes vias: Rua Boituva, Rua Couto Magalhães, Rua Senador Bernardo Monteiro até a Rua Visconde de Niterói.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/apos-negociacao-invasores-deixam-terreno-da-cedae-na-zona-portuaria-15703088#ixzz3VUrnHN9Q 
© 1996 - 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

terça-feira, 24 de março de 2015

Investidores planejam ferrovia e porto de R$ 16 bi no Pará

23/03/2015 - Exame

Investidores estrangeiros planejam a construção de uma ferrovia de 1,2 mil quilômetros no Pará e de um grande porto no nordeste do Estado para escoar minerais e produtos agrícolas, em uma obra de 16 bilhões de reais, disseram nesta segunda-feira o governo estadual e a empresa responsável pelo projeto.

A ferrovia estadual, que deverá ser uma concessão privada, seguiria um traçado paralelo ao trecho norte nunca finalizado da Ferrovia Norte-Sul, de concessão federal.

A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedeme) concedeu à Pavan Engenharia, de São Paulo, autorização para realizar estudos preparatórios que demonstrem a viabilidade da ferrovia ligando sul e sudeste do Pará até o litoral nordeste do Estado, segundo comunicado divulgado nesta segunda-feira.

A futura estrada de ferro, já batizada de Fepasa, deverá ligar áreas de extração de minerais e de produção agrícola a um porto a ser construído no município de Colares, ao norte de Belém, passando pelo porto de Vila do Conde, em Barcarena.

Os investimentos privados previstos para a ferrovia são de 8 bilhões de reais, mais 6 bilhões para o porto e outros 2 bilhões para a construção de um condomínio industrial próximo ao porto.

"Tem já investidores chineses interessados, alemães, porque está todo mundo atrás de infraestrutura", disse à Reuters Renato Pavan, diretor da Pavan Engenharia, responsável pelos estudos e contato com investidores.

A região de Colares foi escolhida porque tem calado natural profundo, permitindo a atracação de navios de grande porte que atualmente não conseguem acessar terminais em Santos (SP) e Paranaguá (PR), por exemplo.

"Quando a ferrovia paraense estiver pronta, ela poderá se ligar à ferrovia Norte-Sul, como acontece no Paraná, onde a ferrovia estadual se liga com a federal. Uma pode complementar a outra", disse o secretário de Desenvolvimento Econômico Adnan Demachki, em nota.

Segundo o governo do Estado, a expectativa é que já no primeiro ano de funcionamento da ferrovia a demanda será de quase 30 milhões de toneladas, principalmente minérios e grãos, com o volume subindo para 48 milhões de toneladas anuais em cinco anos.
Segundo Pavan, uma das minas a serem viabilizadas com a ferrovia, no município de Redenção, será capaz de produzir 30 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, com teor elevado de ferro (67 por cento).

"A ferrovia viabilizaria a exploração de minas de ferro, níquel e cobre no sul do Pará, que hoje não estão sendo exploradas por falta de logística, como também viabilizaria, através de ramais, as operações de outros empreendimentos, como é o caso da Votorantim Metais, que possui projeto pronto para instalação em Rondon do Pará", disse o secretário.

Após a conclusão dos estudos, deverá ser aberta uma licitação pública para a concessão da ferrovia, segundo o governo estadual.

quinta-feira, 12 de março de 2015

BNDES financia obra da Odebrecht em Cuba

11/03/2015 - Estado de São Paulo

Trabalho de reforma e ampliação de terminal do Aeroporto de Havana começa este mês e vai receber US$ 150 milhões do banco brasileiro



Em meio ao furacão que atinge a maior parte das empreiteiras brasileiras, a Odebrecht começa este mês a reforma e ampliação do terminal três do Aeroporto de Havana, em Cuba. Para financiar a obra, mais uma vez, os recursos vieram do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ao contrário de outras modalidades, em que o financiamento é dado à empresa, para que tenha capital de giro para suas obras, este é um crédito oferecido pelo governo brasileiro diretamente ao governo cubano.

Por e-mail, a Odebrecht informou ao Estado: "O financiamento não foi para a empresa e sim para o governo de Cuba na modalidade de crédito à exportação. Com isso, os recursos serão gastos obrigatoriamente no Brasil, com empresas brasileiras que exportarão bens e serviços brasileiros para a construção das obras do Aeroporto em Havana".

Aeroporto Jose Martí, em Havana, será reformado pela Odebrecht


O empréstimo confirmado, no entanto, é menor. Serão US$ 150 milhões, em um contrato fechado na metade de 2014. De acordo com o BNDES, ainda não houve desembolso, mas ainda está por começar.

Em entrevista à revista cubana Cuba Contemporánea, o representante de novos negócios da Odebrecht no país, Fabio Goebel, confirmou que as obras começam este mês. No total, o valor é de US$ 207 milhões, sendo US$ 57 milhões de desembolso direto do governo cubano.

Este é apenas mais um dos projetos financiados pelo BNDES na ilha de Fidel Castro. O mais famoso deles é o Porto de Mariel que, a um custo de US$ 802 milhões, usou o mesmo modelo, de financiamento direto ao governo para que pague a Odebrecht pelas obras, que necessariamente usa insumos brasileiros.

Em janeiro de 2014, quando esteve em Havana para a cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos, a presidente Dilma Rousseff anunciou outra linha de crédito, de US$ 290 milhões, para a criação de uma zona industrial especial na região do porto.

Na lista de desembolsos do BNDES aparecem ainda projetos para colheita mecanizada de açúcar, colheita de arroz, projetos de turismo, compra de veículos e financiamento para indústria farmacêutica local. Em 2014, até setembro, os desembolsos para operações com Cuba foram de US$ 59,8 milhões. Em 2013, foi o maior valor desde 2000, com US$ 252,52 milhões.

A justificativa do governo brasileiro para os empréstimos ao governo cubano é que são operações "ganha-ganha", já que o dinheiro volta por meio das empresas brasileiras contratadas para fazer as obras, que precisam comprar seus insumos no Brasil.

terça-feira, 10 de março de 2015

Odebrecht será responsável por ampliação do aeroporto de Havana10

09/03/2015 - UOL

EFE

Havana, 9 mar (EFE).- A construtora Odebrecht, que realizou a obra do megaporto de Mariel, próximo a Havana, será a responsável pela ampliação do terminal internacional do aeroporto da capital cubana, um projeto avaliado em US$ 207 milhões, publicou nesta segunda-feira (9) a imprensa oficial da ilha.

Em março serão iniciados os trabalhos de restauração e modernização da terminal 3 para tornar "mais eficientes os serviços que recebem os quase dois mil viajantes que transitam pela instalação nas horas de pico", afirmou o representante da Odebrecht em Cuba, Fabio Goebel, em declarações divulgadas pela revista online oficial "Cubacontemporanea".

Para as obras do porto do Mariel, a empresa capacitou mais de três mil operários cubanos por meio do Creer, um sistema criado para trinar capacitar mão-de-obra local, iniciativa que também será realizada na ampliação do aeroporto.

Em janeiro do ano passado, a Odebrecht iniciou a primeira fase das obras do porto do Mariel, a 45 quilômetros de Havana, com um investimento total previsto de US$ 957 milhões, mais da metade financiados pelo BNDES.

Em 2013, durante uma visita à ilha do então ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, foi assinado um acordo com Cuba para a concessão de um crédito de US$ 176 milhões para a ampliação de cinco aeroportos no país.

No ano passado, Cuba superou pela primeira vez o limite dos três milhões de turistas, número que segundo alguns analistas pode duplicar quando os Estados Unidos retirarem a restrição para os americanos viajarem para a ilha, algo cada vez mais próximo no atual contexto de degelo diplomático entre Havana e Washington.

Além das obras no aeroporto, o BNDES também se comprometeu a financiar com US$ 290 milhões a segunda etapa das obras do porto do Mariel, que também será executada pela Odebrecht.

O porto está encravado na Zona Especial de Desenvolvimento Mariel (ZEDM), a primeira do tipo em Cuba. O objetivo é que o local se transforme em um grande centro empresarial e pólo de atração ao investimento estrangeiro, sob condições fiscais e trabalhistas vantajosas para a instalação de empresas.

Cuba precisa de cerca de US$ 2,5 bilhões de investimento estrangeiro para garantir o êxito de suas reformas econômicas para "atualizar" o modelo socialista.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Governo atrasa pagamentos do PAC

05/03/2015 - O Estado de SP

Leia:Governo atrasa repasses e bloqueia R$ 32 bilhões de obras do PAC - O Globo / O Estado de SP

A queda na arrecadação e as despesas em alta levaram o governo a encerrar 2014 com dívidas para todos os lados. Os débitos atingiram até as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que deveria ter sido uma vitrine da administração da presidente Dilma Rousseff.

Em média, os repasses são feitos com atraso de 75 dias, segundo o presidente da Comissão de Obras Públicas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Carlos Eduardo Lima Jorge. Com isso, as obras sofreram forte desaceleração e estão a um ritmo perto de 20% do usual. Nesse cenário, as construtoras, sobretudo aquelas de médio porte, vivem uma crise sem precedentes. "Se os dados do desemprego de janeiro assustaram, os de fevereiro virão piores", alerta. Ele estima que de 60% a 65% das empresas demitiram no mês passado.

"O setor vive uma crise de pagamento e rentabilidade", confirma o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada de Minas Gerais (Sicepot-MG), Alberto Salum. Sua construtora, a Vilasa, participa em consórcios contratados para tocar diversas obras do PAC, como a BR-101, em Sergipe, e a BR-222 no Maranhão. Ele diz que, no fim do ano passado, acumulou perto de R$ 25 milhões a receber do Dnit. Atualmente, estima ele, a dívida estaria próxima a R$ 15 milhões.

O setor espera um cenário mais claro sobre o que será quitado em atrasados este ano e o que será possível realizar em obras do PAC a partir de agora. "Pior do que receber atrasado é não ter a previsão sobre se vai ou não receber", diz o executivo. "Que tudo seja feito às claras."

O resultado das contas públicas no mês de janeiro lançou mais um alerta para o setor. "A receita do ajuste é preocupante, porque o superávit foi conseguido à custa de uma redução de 35,44% nos investimentos e um aumento de 14,34% no custeio", afirma Jorge.

Nos gastos. O empresariado considera o "freio de arrumação" nas contas públicas necessário, mas quer que ele seja feito com corte nas despesas, e não no investimento. Outro fato que preocupou as empresas do setor foi o aumento da tributação sobre o faturamento das empresas que estão no sistema de desoneração da folha. A medida deverá desequilibrar contratos que estão em andamento.

As empresas reconhecem que a atual gestão tem se esforçado para pôr as contas em dia. O período mais agudo de atrasos, segundo reconhecem técnicos do governo, ocorreu entre outubro e novembro do ano passado. Na época, o governo dependia da aprovação, pelo Congresso, de uma autorização para, na prática, não cumprir a meta fiscal do ano - o que terminou ocorrendo. Com isso, o dinheiro voltou a fluir em dezembro.

Ainda assim, o governo federal virou o ano com um recorde de contas atrasadas a pagar, e os recursos em caixa não têm dado conta de tantas dívidas. No dia 27 de fevereiro, as empreiteiras que trabalham em rodovias do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) receberam R$ 800 milhões em atrasados, segundo informou o Ministério dos Transportes. Mas, mesmo após esse pagamento, restará um débito superior de R$ 1 bilhão, segundo estimativa das empresas.

E o governo vai demorar a pôr os pagamentos em dia, segundo ouviu o prefeito de São Gonçalo do Amarante (RN), Jaime Calado Pereira dos Santos (PR), que esteve esta semana no Ministério do Planejamento para pedir a regularização dos repasses para construção de uma adutora no município.