quinta-feira, 2 de abril de 2015

Dependência do transporte rodoviário impõe custo alto à produção agrícola

02/04/2015 - O Globo

Todos os dias, o Brasil tem exemplos de como é ruim depender tanto do transporte rodoviário.
E, às vezes, isso se torna mais evidente, como aconteceu recentemente, durante a greve de caminhoneiros que entupiu as estradas. O custo dessa dependência a gente vê na reportagem do Marcos Losekann.

As bolinhas douradas valem ouro. É riqueza a granel: 28 milhões de toneladas de soja que fazem Mato Grosso bater mais um recorde de produção.

Mas essa fartura que se vê nas lavouras enfrenta uma séria ameaça nos armazéns, que nunca estiveram tão abarrotados, e não é só porque a produção aumentou. A recente greve dos caminhoneiros atrasou o transporte para os portos de Santos e Paranaguá, a mais de dois mil quilômetros do local. Não foram grãos, não vieram insumos. Até combustível faltou, comprometendo o finzinho da colheita da soja e, principalmente, o plantio da próxima safra de milho.

"Nosso grande problema é que somos altamente dependentes do transporte rodoviário", ", afirma o agricultor Carlos Alberto Simon.

Jornal Nacional: Quer dizer: se tivesse trem, poderia estar levando produto e trazendo insumos?
Agricultor: Com certeza, com nível de custo bem mais aquém do que temos hoje.

O prefeito de Lucas do Rio Verde chegou a fazer um quadro do mapa da ''ferrovia de integração do Centro-Oeste'', planejada para ir de Vilhena, Rondônia, passando pelas lavouras de Mato Grosso, até Uruaçu, em Goiás. Lá se conectaria com os trilhos da norte-sul, por onde a produção agrícola poderia chegar ao porto de Itaqui, no Maranhão.

"Infelizmente é um mero quadro na parede. Todos os empresários que vinham aqui eu mostrava no quadro o que estava para acontecer aqui, a esperança que isso nos trazia", lamenta o prefeito de Lucas do Rio Verde, Otaviano Pivetta.

No meio de um milharal, bem que poderia estar passando um trem. O vídeo acima mostra o traçado da ferrovia que não saiu do papel. Sem ela, resta a BR-163. Os trens poderiam substituir 400 mil caminhões e gerar uma economia de pelo menos R$ 7 bilhões por ano só com o frete.

Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres, as licitações atrasaram porque os projetos ainda não estão totalmente definidos.

"O modelo regulatório ainda precisa de algumas definições de contorno. O nosso contrato de concessão ainda precisa alguns aperfeiçoamentos e esses aperfeiçoamentos vêm sendo construídos", explica o diretor ANTT, Carlos Fernando Nascimento.

Atualmente são quase 11 mil quilômetros de estradas de ferro em operação no Brasil. Se as 12 ferrovias projetadas já tivessem saído do papel, o país teria o triplo de trilhos, com trens transitando em todas as direções.

Sem muita alternativa, 58% de todas as cargas em solo brasileiro dependem do transporte rodoviário.

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