sábado, 30 de maio de 2015

Cancelamento de refinaria frustra expectativa no ‘Eldorado’ do Ceará

Sem Premium II, preço de imóveis despenca e comércio começa a demitir

POR THAYS LAVOR / ESPECIAL PARA O GLOBO

03/05/2015 - O Globo

Aluga-se. Moradoras passam em frente à placa com oferta de hospedagem: valor do metro quadrado na região caiu - Marilia Camelo
SÃO GONÇALO DO AMARANTE, CEARÁ - O cancelamento da Refinaria Premium II pela Petrobras frustrou as expectativas de moradores da região e empresários locais. O projeto, que teve sua pedra fundamental lançada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010, não sairá mais do papel diante do cenário de queda do preço de petróleo e de impacto da corrupção, investigada na Operação Lava-Jato, nos cofres da estatal. O cenário desfavorável levou a Petrobras a rever suas projeções de investimento.

A Premium II seria instalada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém. O local era considerado uma espécie de novo Eldorado e vinha atraindo trabalhadores de todas as regiões do país. Com o anúncio do projeto, o fluxo de pessoas em busca de oportunidades cresceu significativamente, segundo o gerente da unidade do Sistema Nacional do Emprego (Sine/IDT) no Pecém, Francisco Carlos Pereira Costa. De acordo com ele, a previsão era que fossem criadas 90 mil vagas, o que gerou na unidade uma média de 300 atendimentos diários.

Ele conta que a frustração com o cancelamento do empreendimento da Petrobras na região atingiu tanto os trabalhadores quanto os investidores:

— Toda esta mão de obra que foi atraída para cá investiu em qualificação, que não é barata, principalmente na área de petróleo e gás. Já os investidores, muitos construíram pousadas, restaurantes, entre outros negócios.


Emprego. Jorge Balbino dos Santos procura vaga no Sine - Marilia Camelo
Diante deste quadro, o montador de andaime Jorge Balbino dos Santos e o carpinteiro Deusdete Francisco da Rocha, que é do Piauí, recorrem ao Sine em busca de uma vaga.

— O dinheiro começa a ir embora, pois pago mensalmente um aluguel de R$ 800, fora os custos com alimentação. Esperava já estar empregado, mas essa notícia foi um banho de água fria. Agora é ter esperança, e esperar que outras vagas surjam. Enquanto isso, continuo vindo diariamente ao Sine — disse Rocha.

QUEDA NO FATURAMENTO

As expectativas frustradas são compartilhadas também por donos de imóveis, hotéis, restaurantes e comerciantes, que investiram e ampliaram seus estabelecimentos com a perspectiva de crescimento superior a 50% este ano. A realidade, porém, foi marcada por demissões e queda no faturamento.


Perdas. Gilmaria e Gilvânia começaram a demitir - Marilia Camelo
Proprietárias do restaurante O Abençoado, as irmãs Gilmaria de Oliveira Rocha, de 39 anos, e Gilvânia de Oliveira, de 38 anos, tinham, até janeiro, um quadro de 24 funcionários. Hoje, são apenas 17.

— Ampliamos o salão de refeição, churrasqueiras, banheiros e o quadro de trabalhadores. Mas em vez do aumento na clientela tivemos foi uma queda, pois interditaram a CE-085, que dá acesso à refinaria, pois passa em frente ao nosso restaurante, e, fora este transtorno, o empreendimento não vem. Nossa salvação foram os contratos que fizemos com a siderúrgica para servimos almoço e café da manhã — relata Gilmaria.

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O setor imobiliário é outro que teve que repensar suas ações para 2015. O gestor comercial da empresa FortCasa Loteamentos, Mauro Martins, de 38 anos, conta que deveriam ser lançados 2 mil lotes no Pecém, entretanto somente 500 unidades serão comercializadas.

— Temos uns quatro loteamentos grandes na região, um deles é o Paraíso do Pecém, que nós tivemos que adiar o lançamento por conta do cancelamento da Refinaria, o que reduz o nosso potencial de público — disse Martins.

COMPENSAÇÃO POR PERDAS

Ele relata que o setor imobiliário da região tem reavaliado os valores dos imóveis e o tipo de produto a ser oferecido. Martins explica que um empreendimento lançado há quatro anos tinha preço de R$ 350 por metro quadrado. Outro imóvel de perfil similar está cotado agora a R$ 180 por metro quadrado.

Os cancelamentos foram feitos em janeiro último, sem aviso prévio.

Sobre a questão, o governo do estado afirma estar conversando com o governo federal, por meio da Petrobras, e ,ao mesmo tempo, também tem procurado investidores estrangeiros para a refinaria.

Os principais gastos com a refinaria foram ligados à infraestrutura. A área foi adquirida pelo governo do Estado, na gestão do ex-governador Cid Gomes, por R$ 126 milhões. Os terrenos ainda não foram devolvidos pela Petrobras, que, segundo fontes do governo, já sinalizou que iria devolver.

O projeto já teria custado R$ 657 milhões aos cofres do estado do Ceará, em obras de infraestrutura para a instalação da refinaria, no período de 2009 a 2014.

Procurada, a Petrobras disse que não iria se manifestar.

Na semana passada, o presidente da estatal, Aldemir Bendine, comentou o assunto durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Segundo ele, ao menos nos próximos cinco anos a Petrobras não terá capacidade de fazer uma refinaria no Ceará e outra no Maranhão, local onde era prevista a instalação da Refinaria Premium I.

Segundo Bendine, uma das alternativas para compensar o estado do Ceará seria a transferência do parque de tancagem de combustíveis de Mucuripe, em Fortaleza, para o Pecém. Seria uma alternativa para aumentar a arrecadação e compensar o estado pelas perdas com o cancelamento do projeto.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/petroleo-e-energia/cancelamento-de-refinaria-frustra-expectativa-no-eldorado-do-ceara-16044408#ixzz3bdiZOwKE 
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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Abandono ameaça raridade da arquitetura dos tempos coloniais Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/rio/abandono-ameaca-raridade-da-arquitetura-dos-tempos-coloniais-16283471.html#ixzz3bTsMWVyc

28/05/2015 - Extra

Mato alto cerca o entorno do casarão, que espera por obras

RIO — Último exemplar da arquitetura rural colonial ainda de pé na cidade, a Casa da Fazenda do Capão do Bispo, em Del Castilho, corre o risco de desaparecer da paisagem carioca. Tombada em 1947 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a construção, que pertence ao governo do estado, está sem reboco nas paredes, com telhado destruído e portas e janelas de madeira desgastadas. Segundo moradores do entorno, o local está completamente abandonado, e os cupins já atacaram as estruturas de madeira. Do lado de fora, o capim alto completa o cenário de esquecimento.
A casa pertenceu ao primeiro bispo do Rio de Janeiro, dom José Joaquim Justiniano Castelo Branco. Ela foi erguida no final do século XVIII em um capão — a parte mais alta de um terreno. Daí vem a origem do nome pelo qual a propriedade ficou conhecida. O terreno, que tem cerca de 250 metros quadrados, integrou no passado uma das primeiras fazendas disseminadoras de mudas de café para o interior. Com varanda na fachada e um pátio central — ambos com colunas toscanas de alvenaria —, o casarão reúne características típicas das edificações rurais setecentistas do entorno da Baía de Guanabara.

Segundo a historiadora Sheila Castello, do grupo SOS Patrimônio, trata-se de uma joia da arquitetura colonial. Mas sua situação é preocupante. Ela recorda que há cerca de quatro anos o governo estadual, com a promessa de restaurar o imóvel, retomou o casarão do Instituto de Arqueologia do Brasil, que havia instalado ali um centro de pesquisas.

'MILAGRE DO BISPO'

Desde então, reclama a historiadora, nada foi feito. O endereço foi incluído numa lista do SOS Patrimônio de cerca de 40 bens tombados do estado que sofrem com problemas de segurança, falta de manutenção ou mesmo total abandono.

— O estado retomou o edifício dizendo que iria restaurá-lo e dar novo uso ao casarão. Eles alegam que o local tem um vigilante, mas um só vigia naquele terreno imenso não vai impedir invasões — alerta.

Ondemar Dias, presidente do Instituto de Arqueologia, diz que o fato de o edifício estar fechado desde a saída do órgão deve ter agravado a situação:

— Mesmo com pouco dinheiro, fizemos algumas obras lá. Mas agora, com ele vazio, se não caiu, deve ser por milagre do bispo.

Em nota, a Secretaria estadual de Cultura voltou a afirmar que vai restaurar o "único exemplar remanescente na cidade da arquitetura rural colonial." A licitação, de acordo com o órgão, está sendo elaborada pela Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop). A data de começo da reforma não foi informada. De acordo com a secretaria, a intenção é transformar o lugar num espaço para residências artísticas e de fomento à economia criativa na região.



Sem dinheiro, obras em rodovias param

27/05/2015 -  O Globo

O cenário de arrocho nas contas públicas levou o Ministério dos Transportes a deixar de pagar R$ 1,5 bilhão a empreiteiras que tocam obras em estradas. Reformas em 15 rodovias foram paralisadas, relatam TIAGO DANTAS E ANSELMO CARVALHO PINTO. -SÃO PAULO E CUIABÁ- A crise nas contas públicas que leva o governo a promover o ajuste fiscal já afeta obras de infraestrutura em todo o país. Ao menos 15 rodovias federais tiveram serviços de duplicação e construção paralisados nos últimos dois meses, segundo levantamento feito pelo GLOBO com empresas contratadas para executar esses trabalhos, associações que representam empresários do setor e sindicatos de trabalhadores da construção pesada. A situação pode piorar ao longo do ano, já que o corte de gastos anunciado pelo governo na semana passada atingiu 36% do orçamento do Ministério dos Transportes.

Vinculado à pasta, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) admite que deve R$ 1,5 bilhão a várias empreiteiras responsáveis por obras em estradas. O atraso no pagamento começou ainda em novembro, dizem empresários. No primeiro trimestre deste ano, a justificativa era o contingenciamento das verbas do ministério enquanto o Orçamento de 2015 não era aprovado no Congresso. Nos meses seguintes, passou a ser a expectativa de definição do corte parra compor o ajuste fiscal. Agora, a pasta pretende definir, até o fim deste mês, como vai utilizar os recursos disponíveis para pagar os atrasados. Só então será possível identificar como isso vai afetar o cronograma das obras.

Sem receber do governo federal, algumas empreiteiras reduziram o ritmo dos trabalhos para manter os canteiros de obra funcionando apenas com recursos próprios. Outras empresas ficaram sem caixa e resolveram interromper a movimentação de máquinas e trabalhadores até que os pagamentos sejam regularizados. Só no Rio Grande do Sul, que tem três obras do Dnit inconclusas, estima-se que 4 mil operários da construção pesada foram demitidos desde o início do ano. O setor emprega 18 mil funcionários no estado, segundo Isabelino dos Santos, presidente do sindicato da categoria. Em Rondônia, estado com duas obras na lista de atrasos, o sindicato estima que 500 postos de trabalho têm sido fechados por mês desde janeiro.

ATRASO NO MT ATRAPALHA PRODUÇÃO AGRÍCOLA

No Rio Grande do Sul, dos nove lotes em que foi dividida a duplicação da BR-116, entre Pelotas e Guaíba, quatro estão paralisados, diz Nelson Sperb Neto, presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem do estado e dono de uma empreiteira contratada para trabalhar na obra. A duplicação de outra estrada, a BR-290, na região de Eldorado do Sul, também está paralisada. Mesmo assim, segundo ele, os contratos não são rescindidos porque o setor depende da verba governamental.

— Mesmo as empresas que estão sem receber preferem não rescindir o contrato, porque correm o risco de ficar sem nada. Enquanto isso, continua morrendo gente nessas estradas de pistas simples, e o gasto do transporte fica caro, o que tem impacto nos produtos — diz Sperb Neto.

Principal obra rodoviária do Mato Grosso, a duplicação da BR-163, que, em alguns trechos sobrepõe o traçado da BR-364, também parou. A obra ajudaria no escoamento da produção agrícola do Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, algodão e carne. No trecho entre Cuiabá e Rondonópolis, os trabalhos estão paralisados desde o final de 2014 sem os repasses.

— Essa situação deixou os empresários numa condição alarmante e colocou os trabalhadores em risco. Várias empresas estão passando por dificuldade financeira. Quem precisou comprar maquinário para fazer o serviço está tendo que devolver os equipamentos, porque não tem como pagar — afirma Alexandre Schutze, presidente do sindicato patronal do Mato Grosso.

Devido ao atraso, o motorista que passa pela BR-163 pode enfrentar uma situação curiosa: pagar pedágio sem que a duplicação tenha sido concluída. Por contrato, a concessionária Rota do Oeste poderá iniciar a arrecadação tão logo duplique 10% dos 453,6 quilômetros sob sua responsabilidade, independentemente de quanto o Dnit executou dos 281 quilômetros de pista que lhe caberia fazer.

A retomada das obras nos trechos paralisados ainda é incerta, e o problema pode se repetir em outros locais. Ao anunciar o corte no Orçamento, na semana passada, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse que o Ministério dos Transportes teria dinheiro suficiente para tocar 14 obras prioritárias e outras 13 do Dnit. A soma é menor que o total de 54 obras em rodovias federais que tiveram verba empenhada no orçamento da pasta em 2014. Ou seja: nem todas terão pagamento assegurado.

O GLOBO pediu entrevista ao ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues (indicado pelo PR), na semana passada, mas sua assessoria alegou falta de tempo. Em nota, a pasta informou que "está avaliando a destinação de recursos orçamentários" após o corte da semana passada. O Dnit informou que não emitiu ordem de paralisação — que formaliza a suspensão de um contrato — para nenhum dos contratados para as obras. Segundo o órgão, os pagamentos pendentes "estão sendo efetuados seguindo a ordem das datas dos serviços medidos". Até o momento, diz o Dnit, não há definição "sobre a necessidade ou não de priorizar quaisquer obras".

À beira da BR-163, cidade teme o desemprego provocado pela redução no ritmo da duplicação

Parte dos operários é absorvida em obras de prefeitura, mas busca por assistência cresce

CUIABÁ (MT)- A redução no ritmo das obras em parte da BR-163 jogou um balde de água fria nas expectativas dos moradores da pequena São Pedro da Cipa, uma cidade de menos de 5 mil habitantes que fica a cerca de 180 quilômetros de Cuiabá ( MT). Segundo o prefeito Alexandre Russi ( PR), parte dos operários que trabalhavam na obra foi demitida, e a procura por assistência social e cestas básicas aumentou.

São Pedro é a menor das quatro cidades do chamado Vale do São Lourenço e sediava um dos canteiros de obras da rodovia. O terreno de uma antiga usina de álcool foi desapropriado pela prefeitura para servir como pátio para o consórcio que está tocando a obra de duplicação.

— A obra trouxe uma expectativa muito grande para o município. Trouxe emprego, geração de renda. Parte da mão de obra foi contratada na cidade. Dos 550 funcionários admitidos no início, mais de 300 eram do município. Mas hoje são apenas 150 ao todo, e nem cem são daqui — diz o prefeito.

Russi relata que a redução drástica no ritmo dos trabalhos trouxe consequências sociais para a cidade:

— Muitos demitidos foram embora para suas cidades, outros conseguiram um novo emprego. Mas muitos ficaram aqui, sem trabalho. Nos últimos meses aumentou a procura por assistência social, curso de capacitação, cesta básica. Aumentou também o calote no comércio.

ATRASO CHEGA A CINCO MESES

A situação só não foi pior porque parte dos demitidos acabou absorvida por obras tocadas pela prefeitura, que está construindo, simultaneamente, uma praça, um colégio, um centro de convivência de idosos e 40 casas populares.

O trecho da rodovia que passa por São Pedro da Cipa tem 60,1 quilômetros. A duplicação custará R$ 255 milhões aos cofres públicos. O atraso nos trabalhos já chega a 5 meses. O término da obra está previsto para novembro de 2016.

Na licitação, o trecho de responsabilidade do Dnit da BR-163 foi dividido em três lotes. O mais atrasado deles é o inicial, a partir de Cuiabá. No trecho seguinte, há homens trabalhando na pista. Mas isso porque a construtora que lidera o consórcio, a Sanches Tripoloni, toca a obra com recursos próprios enquanto espera a regularização dos repasses. No trecho final, já chegando a Rondonópolis, o ritmo é lento.

O mato tomou conta da maior parte dos pontos aterrados no primeiro trecho da estrada. Em outros locais, as máquinas que trabalhavam na obra foram recolhidas.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Trecho da Ferrovia Norte-Sul não teve operações um ano após inauguração

25/05/2015 - G1

Um ano após a inauguração, nenhuma viagem com carga foi realizada no trecho da Ferrovia Norte-Sul entre Palmas, no Tocantins, e Anápolis, em Goiás. Segundo a responsável pela obra, a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A, para que a ferrovia comece a operar, empresas privadas precisam construir ramais de carga e descarga de produtos, o que ainda está em curso.

Uma das obras que ainda são realizadas é a de uma empresa de processamento de grãos. A estrutura, chamada tulha, tem 20 bocas e poderá escoar até mil toneladas de grãos por hora. A expectativa é de que o primeiro carregamento ocorra nos próximos meses.

Outra empresa interessada em construir ramais de carga e descarga planeja INVESTIMENTOde R$ 15 milhões para utilizar a ferrovia. O objetivo inicial é fazer três viagens por semana para exportar produtos pelo porto de Itaqui, em São Luiz do Maranhão. O empresário responsável afirma que a obra ainda não saiu do papel porque tem dificuldades em fechar negócio com uma empresa que vai executar o transporte.

Se já tivesse operando na ferrovia, ele acredita que conseguiria baixar os custos de produção. "Anápolis já está perdendo, o país está perdendo, porque nesse momento de crise a ferrovia é uma grande solução, principalmente para indústria, para o comércio e o atacado. Nesse momento, está todo mundo fazendo arrocho, uma reengenharia financeira, tributária e uma reengenharia de logística, para baixar custos" opina o empresário Edson Tavares.

Ferrovia

O trecho tem 855 quilômetros de trilhos e foi inaugurado pela presidente Dilma Rousseff em 22 de maio do ano passado. Segundo a Valec, a ferrovia está totalmente apta para operar. "Toda sinalizada, com licença de operação comercial liberada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), então, a ferrovia está apta a operar a qualquer momento", afirma o gerente regional da Valec, Charles Magno Nogueira.

As obras duraram 25 anos e denúncias de irregularidades marcam a construção. Em julho de 2013, o ex-presidente da Valec Juquinha das Neves foi preso na Operação Trem Pagador da Polícia Federal, sob suspeita de superfaturamento e desvio de verbas. Um novo presidente assumiu a empresa e pediu mais R$ 400 milhões ao governo federal para andamento dos trabalhos.

Devido à demora da obra, a Valec não soube precisar quanto de dinheiro foi gasto, no entanto, estima-se que R$ 8 bilhões. O prejuízo com cargas que deixam de ser transportadas, perdas e impostos não arrecadados pode chegar a US$ 12 bilhões por ano, segundo a Valec. Com o uso da ferrovia, empresários de Anápolis esperam reduzir o valor pago no frente em até 30%.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Acidentes com motos foram responsáveis pelo crescimento de 115% das internações no SUS

22/05/2015 - Folha de Londrina

A cada ano, cerca de 45 mil pessoas perdem suas vidas em acidentes de trânsito no Brasil. A violência envolvendo particularmente motociclistas está se tornando uma epidemia no país. O Paraná ocupa a 14ª posição no ranking de mortes por acidentes de motocicleta, com taxa de mortalidade de 8,2 para cada 100 mil habitantes. Entre 2002 e 2012, este número cresceu 204,9%. No Brasil, o índice é de 6,3 mortes por 100 mil habitantes. Dados preliminares do Ministério da Saúde apontam que, em 2013, os acidentes com motos resultaram em 12.040 óbitos no país, o que corresponde a 28% dos mortos no transporte terrestre. No Paraná, foram 723 mortes em 2013.

Nos últimos seis anos, as internações hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS) envolvendo motociclistas tiveram um crescimento de 115% e o custo com o atendimento a esses pacientes de 170,8%. No Paraná, foram 2.764 internações em 2014, representando um gasto de R$ 4,5 milhões.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde está propondo uma série de ações intersetoriais, que deverão envolver outras esferas do Governo Federal, governos estaduais e municipais, para promoção de uma política específica de prevenção aos acidentes com motos. Nesta semana, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, apresentou algumas das iniciativas em discussão durante a 68ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra. "Não dá mais para não agir na dimensão preventiva dos acidentes com motos. É preciso propor novas medidas e elevar essa discussão a um problema de saúde pública. Algumas propostas em estudo são a obrigatoriedade de apresentação da habilitação no momento da compra da moto, por exemplo, e a possibilidade de FINANCIAMENTO do capacete como um EPI (Equipamento de Proteção Individual), possibilitando a venda do item de segurança junto do veículo", exemplificou o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Em novembro, o Brasil sediará o 2º Road Safety, Conferência Global de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito, com o objetivo de repactuar metas e traçar novas estratégias do governo e da sociedade para garantir a segurança da população e salvar milhões de vidas. "Uma constatação que observamos no Brasil, e que já vimos em outros lugares do mundo, é a redução do número de atropelamentos e acidentes de carro e o aumento de acidentes de motos. A moto está substituindo a bicicleta e o cavalo e também vem sendo utilizada como um instrumento de trabalho", observou o ministro.

Números

Segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 4.292 mortes de motociclistas em 2003, número 280% menor do que o registrado 10 anos depois (12.040). Parte do aumento de acidentes envolvendo motos se deve ao crescimento vertiginoso da FROTA no país. Entre 2003 e 2013, o número de motocicletas aumentou 247,1%, enquanto a população teve um crescimento de 11%.

De 2008 a 2013, o número de internações devido a acidentes de transporte terrestre aumentou 72,4%. Considerando apenas os acidentes envolvendo motociclistas, o índice chega a 115%. Em 2013, o SUS registrou 170.805 internações por acidentes de trânsito e R$ 231 milhões foram gastos no atendimento às vitimas. Desse total, 88.682 foram decorrentes de motos, o que gerou um custo ao SUS de R$ 114 milhões – crescimento de 170,8% em relação a 2008. Esse valor não inclui custos com reabilitação, medicação e o impacto em outras áreas da saúde.

Perfil das vítimas

Segundo Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA 2011), que traça o perfil das vítimas de violências e acidentes atendidas em serviços de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde em capitais brasileiras, 78,76% das vítimas de acidente de transporte terrestre envolvendo motociclista são homens, na faixa etária de 20 a 39 anos. Entre os motociclistas ouvidos, 19,6% informaram o uso de bebida alcoólica antes do acidente e 19,7% estavam sem capacete.

"Os acidentes pegam uma faixa etária delicada da população. Para um país que está envelhecendo, essas pessoas impactam muito, já que estão em sua idade produtiva. Esses acidentes interferem no sistema de saúde, na previdência, no trabalho e, principalmente, na vida pessoal do indivíduo", lembrou o ministro.

Em 2010, o Ministério da Saúde implantou o Projeto Vida no Trânsito com o objetivo de reduzir os casos de mortes e feridos em decorrência de acidentes no trânsito. Entre as ações do projeto está a realização de campanhas educativas e a qualificação dos sistemas de informação sobre acidentes, feridos e vítimas fatais.

Com o banco de dados atualizado, os gestores de saúde podem identificar os fatores de risco e as vítimas mais vulneráveis nos respectivos municípios, assim como os locais onde o risco de acidente é maior. Desde a implantação do projeto, já foram liberados cerca de R$ 41,3 milhões para as atividades. Em 2012, o Ministério autorizou o repasse de R$ 12,8 milhões e, em 2013, foram repassados R$ 13,5 milhões para as capitais dos 26 estados e o Distrito Federal.

Promessas não cumpridas da China somam US$ 24 bilhões

22/05/2015 - Folha de São Paulo

Em Barreiras (BA), um megaprojeto de processamento de soja parou na terra plenagem. No porto do Açu (RJ), a siderúrgica Wisco desistiu de ter uma unidade no Brasil quando Eike Batista começou a desmoronar. Em Mato Grosso e no Pará, o acordo para o FINANCIAMENTO de uma ferrovia está parado há três anos.

Em comum, trata-se de projetos bilionários com capital chinês anunciados com estardalhaço nos últimos cinco anos, mas que nunca saíram do papel. Somadas, essas promessas não cumpridas ou redimensionadas para baixo somam ao menos US$ 24 bilhões, segundo levantamento da Folha.
Esse montante seria maior caso entrasse na conta a fabricante de eletrônicos taiwanesa Foxconn. Em visita a Pequim em 2011, o governo Dilma anunciou que a empresa investiria US$ 12 bilhões, mas ficou bem distante disso.

Esses antecedentes têm provocado ceticismo sobre os anúncios feitos durante a visita do primeiro-ministro Li Keqiang ao Brasil, nesta semana, como a construção de uma ferrovia transoceânica e um fundo de INVESTIMENTO de até US$ 53 bilhões.

Levantamento da Folha publicado nesta quinta-feira (21) mostra que apenas 14 dos 35 acordos recém-assinados têm recursos assegurados e compromissos mais firmes.

MONTADORAS

O esvaziamento dos planos ocorreu em vários setores. No ramo automotivo, alguns fabricantes de automóveis ainda não implantaram projetos industriais no Brasil –casos da Lifan, da Hafei e da Zotye.

Outros INVESTIMENTOS acabaram dependentes de dinheiro brasileiro. Em Camaçari (BA), onde a JAC Motors planeja uma fábrica de R$ 1 bilhão, a obra está parada à espera de um financiamento estadual de R$ 122 milhões. Os chineses arcarão com 66%, e o restante virá do sócio local, o Grupo SHC.
No caso da fábrica da Foton CAMINHÕES, que está sendo erguida em Guaíba (RS), todo o capital de R$ 400 milhões é brasileiro; a China entrará com a tecnologia.

No caso da soja, um dos principais produtos de exportação brasileira para a China, INVESTIMENTOS de pelo menos US$ 8,7 bilhões, que incluiriam compra de terras e infraestrutura para escoamento, não se materializaram.

Em telecomunicações, a visita da presidente Dilma Rousseff à ZTE, em Xian (China), em 2011, não foi suficiente, até agora, para a empresa implantar uma fábrica de US$ 200 milhões em Hortolândia (SP).

Por outro lado, a Huawei cumpriu a promessa na mesma época de abrir um centro de pesquisa e desenvolvimento em Campinas (SP), orçado em US$ 300 milhões.

Os empresários chineses costumam se desanimar com os custos e a burocracia. Eles estão decepcionados também com o crescimento pífio –boa parte dos anúncios ocorreu ente 2010 (quando o país cresceu 7,6%) e 2011.

INFRAESTRUTURA

O Brasil tampouco conseguiu atrair os chineses para grandes obras de infraestrutura. As empresas do país são pouco receptivas ao modelo de concessão e a participar de licitações. O Planalto não teve êxito, por exemplo, em envolver Pequim no projeto do trem-bala entre Campinas e Rio, várias vezes adiado.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Ferroviários vão à Assembleia pedir fim das concessões no setor

20/05/2015 - Mídia Max

Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias foram até a Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (19), defender o fim das concessões da malha do setor à iniciativa privada. Recentes demissões e faltas de INVESTIMENTOS estão entre os problemas apontados.

 "O modelo de concessão se tornou um fracasso, as ferrovias servem para integrar e levar desenvolvimento, mas o capital privado não tem interesse em INVESTIR", diz o coordenador-geral do sindicato, Roberval Duarte. Além dele, outros representantes da categoria estiveram no plenário da Assembleia, onde empunhavam cartazes contrários ao sistema de gestão atual.

Ainda segundo o sindicalista, atualmente quase toda a movimentação de cargas é feita por rodovias, o que encarece, resulta em mais acidentes, afeta a qualidade de vida dos caminhoneiros e gera maior demora. "A ferrovia é mais rápida, mas hoje está sucateada", conclui.

O objetivo da ida ao Legislativo foi justamente mostrar a situação, disse o coordenador-geral. "Falta fiscalização da União nos contratos de concessão. A ALL (empresa concessionária de malhas em MS, além de MT, SP, PR, SC e RS) já adiantou que não tem previsto INVESTIMENTOS para ferrovias no Estado".

Porfim, o sindicato dos ferroviários reclama de demissões. Foram cerca de 100 desligamentos ou transferências feitas somente do começo de maio para cá, de acordo com a representação da categoria.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Cinco fatos que indicam ligação entre o setor de transportes e o PCC

19/05/2015 - O Estado de SP

Leia: Perueiro foi morto após questionar novo contrato de transporte - O Estado de SP

Morte e agressão paralisam apuração sobre lotações; PCC estaria envolvido - O Estado de SP

Desde 2003, quando o sistema de transporte público de São Paulo foi reestruturado, os antigos perueiros se transformaram em membros de cooperativas de ônibus e, já no mesmo ano, surgiram os primeiros indícios de ligação entre as cooperativas e a organização Primeiro Comando da Capital (PCC). Naquele ano, um coordenador de cooperativa foi preso, depois de grampos telefônicos apontarem sua ligação com o tráfico de drogas. Mas a mistura entre crime organizado e transporte público estava longe do fim.

MORTE DE DONOS DE LINHAS

Três pessoas foram mortas em junho de 2005 durante o que foi, para a polícia, uma disputa pelo controle da linha Santo Amaro/Jardim Luso. As vítimas foram os coordenadores da linha, Roberto Carlos Santos Campos, de 38 anos, e André Jacinto dos Santos, de 26, além do perueiro Marcos Rodrigues de Oliveira, de 27. Foi um crime premeditado. Eles foram sequestrados em pontos diferentes da cidade e levados para uma casa na Favela Ingaí, região do Jardim Miriam, zona sul.

FRAUDE NO BILHETE ÚNICO

Uma ação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e da São Paulo Transporte (SPTrans) descobriu, em março de 2006, um golpe para fraudar o bilhete único, o chamado "golpe da coruja". Bilhetes únicos eram validados em ônibus parados, criando um faturamento indevido a veículos da extinta Cooperativa Aliança Paulista. O esquema servia para lavar dinheiro para a facção, segundo a polícia.

REUNIÃO COM POLÍTICO

Durante uma investigação da Polícia Civil, em março de 2014, grampos indicaram que integrantes do PCC se reuniriam com líderes perueiros. A investigação apurava ataques contra ônibus da cidade - as lotações eram sempre poupadas. Quarenta e duas pessoas foram averiguadas. Entre os flagrados no encontro, estava o então deputado estadual Luiz Moura, na época do PT. Da corrente PTLM (PT de Luta de Massas), a mesma do secretário de Transportes Jilmar Tatto, Moura terminou expulso do partido. Ele e seu irmão, o vereador Senival Moura, tinham nos perueiros sua principal base política.

LAVAGEM DE DINHEIRO

Em outubro de 2014, 11 anos depois do surgimento dos primeiros indícios de que o PCC usa as lotações para lavar dinheiro, as primeiras duas pessoas suspeitas de operar esse crime foram denunciadas pelo MP. Eram Geralda Jorge da Silva e Marcos Paulo Vidal de Castro. "Os valores originários do tráfico foram dissimulados por meio de INVESTIMENTOS feitos em vans, que circulavam em linhas da Coopertranse no transporte coletivo alternativo, especificamente na linha da Vila Ema (zona leste de São Paulo)", diz a denúncia. A Coopertranse não opera mais

CARTA DOS LÍDERES

No mesmo ano de 2014, foi divulgada uma carta entre dois dos líderes máximos da facção criminosa: Roberto Soriano, o Tiriça, e Daniel Vinicius Canônico, o Cego. Eles negociavam a transferência de uma lotação de um para o outro. A carta foi escrita por Tiriça. Ele dizia ser necessário "acelerar" pessoas na São Paulo Transporte (SPTrans) e nas cooperativas para facilitar a transação.

INVESTIGAÇÃO PARADA

Em maio de 2015, o assassinato de uma testemunha e o espancamento de outra paralisaram a investigação da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social da capital - braço do Ministério Público encarregado de investigações não criminais - sobre a transformação das cooperativas em empresas de ônibus, por meio de fraude. O objetivo da mudança seria permitir que elas participem da disputa por uma licitação planejada pelo prefeito Fernando Haddad (PT) para o transporte.

Perueiros de SP relatam ameaças de novas empresas de lotação

Crimes são investigados em sigilo pelo Ministério Público Estadual

Membros das antigas cooperativas de lotações de São Paulo relatam rotinas de extorsão e ameaças praticadas pelos diretores das novas empresas de transporte de São Paulo. Os casos vão desde falta de pagamento a pressões para que as lotações sejam vendidas para as empresas.

Os crimes são investigados em sigilo pelo Ministério Público Estadual (MPE). A instituição tem ainda um inquérito civil aberto para apurar improbidade de membros da Prefeitura no caso. Entretanto, conforme o Estado noticiou na semana passada, essa apuração foi paralisada depois da morte do perueiro Sergio da Conceição Nobre Oliveira, ocorrida em fevereiro, na zona leste, e do espancamento de outra testemunha, agora protegida.

As acusações ocorrem às vésperas de a Prefeitura lançar uma licitação estimada em R$ 120 bilhões, em 20 anos, para conceder o transporte público a novos empresários. O edital deve ser publicado ainda neste mês.

Segundo informações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), uma testemunha protegida disse que a empresa Allianz, antiga Cooperativa Paulistana, a mesma onde trabalhava o perueiro Oliveira, foi formada para fazer um contrato emergencial com a Prefeitura e "obter atestado de capacidade técnica e participar da licitação a ser realizada futuramente pela municipalidade para contratar prestadores de serviço de transporte".

Perueiros das zonas sul, leste e oeste, que pediram para não serem identificados, contam que a mudança de natureza das associações - de cooperativa para empresa - foi tomada à revelia dos sócios. A situação não teria ocorrido apenas na Allianz.

Achaques."Todo mundo questionou essa mudança. Ninguém concordou. Sabe o que aconteceu? Eles (diretores) perguntaram se a gente queria discutir isso e ligaram para a cadeia, no viva voz", disse um perueiro ouvido pela reportagem. "Quem vai questionar esses caras?", afirmou, referindo-se supostamente à facção PCC.

Na prática, a mudança fez com que cooperados virassem empregados dos diretores, que os ameaçavam diante de contestações. "A SPTrans paga R$ 2,10 por passageiro transportado. O pagamento é feito para a cooperativa, que fica com uma parte, e repassa o resto. Mas, agora, estão ficando com quase tudo. Meu repasse foi para R$ 1,08. Mal dá para pagar o motorista e abastecer o carro", contou outro perueiro. Antes da mudança, o repasse ficava em cerca de R$ 1,70, diz ele.

Além de ficar com parte do dinheiro, os empresários teriam passado a pressionar perueiros a entregar seus veículos. "Pago uma prestação de R$ 3.600 do meu carro à cooperativa, que fez a compra. Eles começaram a cobrar R$ 4 mil, até mais. Eu disse que assim não dava. Então falaram que, se eu não estava aguentando, devia vender meu carro para eles", contou outro perueiro.

A investigação paralisada do MPE chegou a ouvir cinco depoimentos semelhantes antes de o medo afastar novas testemunhas. Elas contaram casos parecidos. A promotora pública Karyna Mori, que ouviu essas pessoas, acompanha agora a publicação do edital que vai escolher as novas empresas. A investigação criminal, do Gaeco, segue em sigilo.

Diretor de empresas nega problemas à polícia

A reportagem procurou o advogado Anderson Barbosa da Silva, de 44 anos, presidente da Allianz, para comentar as informações presentes no inquérito do Ministério Público Estadual (MPE), mas ele não retornou as ligações.

Silva dirige a empresa citada no depoimento feito ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sobre o caso. É também a mesma empresa onde trabalhava o perueiro Sérgio da Conceição Nobre de Oliveira, morto em fevereiro supostamente por se queixar das mudanças no sistema de transporte.

À Polícia Civil, segundo depoimento a que o Estado teve acesso, ocorrido em 10 de abril, o advogado disse que a antiga cooperativa "estava revendo contratos das prestadoras de serviços e afins, visando regularizar todas as situações em desacordo com a São Paulo Transporte (SPTrans). Por causa disso, alguns contratos de parceria foram cancelados, outros alterados", disse. O advogado disse que conhecia a vítima só de vista, mas afirmou que ela era "polêmica".

Na quinta-feira, em entrevista ao Estado, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, afirmou que a contratação da empresa no lugar das cooperativas que já operavam na cidade ocorreu a pedido das próprias empresas, que queriam se modernizar. A solicitação teria ido ao encontro de reivindicações que já haviam sido feitas pelo Ministério Público e de recomendação feita pela empresa de auditoria Ernst & Young, que analisou as contas do sistema de transporte.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Sem fiscalização, favelas avançam em áreas nobres de Niterói

Em Itaipu, barracos invadem reserva e, em Santa Rosa, multiplicam-se no Morro do Beltrão

POR RENAN ALMEIDA / LEONARDO SODRÉ

18/05/2015 8:00 / ATUALIZADO 18/05/2015 10:56

Barraco da Favela do Rato Molhado encosta em muro de condomínio em Itaipu:Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
Barraco da Favela do Rato Molhado encosta em muro de condomínio em Itaipu:
Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo


NITERÓI — Morador de Santa Rosa há mais de três décadas, o administrador que pediu para ser identificado apenas como Bruno vive num prédio com vista plena para o Morro do Beltrão e pôde acompanhar todas as etapas de expansão da favela sobre a área verde do morro. Viu também o tráfico ganhar força na região e aprendeu a conviver com algumas políticas de boa vizinhança impostas pelos criminosos:
 
VEJA: Imagens de satélite mostram o crescimento de favelas de Niterói

— Não posso deixar vocês subirem no térreo para fotografar. Do alto vocês vão notar o crescimento da favela, mas ao mesmo tempo vão estar de frente para a boca de fumo. Aí, se alguém de lá perceber, pode dar algum problema para o condomínio — pondera Bruno, que acrescenta: — Os próprios moradores são orientados a não ficarem na janela do prédio com o celular na mão.

Embora seja uma favela antiga, quem mora ali se queixa que as construções continuam ocupando novas áreas do morro, na parte da comunidade virada para a Rua Mário Viana. No encosta, muito íngreme, a prefeitura planeja executar uma obra de contenção, mas ainda aguarda a liberação de verba. Comparando imagens aéreas de 2005 e 2015 é possível notar a diferença. E a insegurança de Bruno em permitir fotografar o lugar se explica: na última terça-feira houve intensa troca de tiros na área do Beltrão durante a manhã e à noite.

Longe dali, num condomínio em Itaipu, na Região Oceânica, a imagem da desigualdade social é mais escandalosa. A partir dos anos 90, a comunidade do Rato Molhado começou a ocupar o morro aos fundos do Vale de Itaipu. Hoje, casas de luxo e barracos são separados por uma parede.

O condomínio faz fronteira com A RESERVA Darcy Ribeiro e com um loteamento que dá na Avenida Central. O empresário José Eduardo mora ali, numa casa próxima à favela e lamenta ter visto árvores sendo postas abaixo no morro em frente à sua casa:

— Fiz denúncias quando derrubaram árvores para construir no morro e não deu em nada. É o absurdo do absurdo.

O síndico do condomínio, Wilson José, acompanhou a aparição dos primeiros barracos ali. Segundo ele, no início dos anos 90 o condomínio tentou em vão murar a área antes de a favelização ocupar os dois lados do morro. Embora o canto dos pássaros às vezes seja interrompido pelo barulho de tiros, Wilson diz que os traficantes vizinhos não levam problemas ao condomínio.

— A gente sabe que 90% dos moradores são de bem. Nunca tivemos problemas por conta disso, cada um vive no seu canto.


Moradores vizinhos ao Morro do Beltrão, em Santa Rosa, dizem que, a cada dia, barracos ocupam áreas desabitadas - Pedro Teixeira / Agência O Globo

O Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos (Nephu) da UFF monitorou durante dez anos, de 2000 a 2011, o crescimento das favelas em Niterói. De acordo com o estudo, a área ocupada por assentamentos precários aumentou 11,30% no período. Em 2000, eram 30.957 domicílios em favelas. Mais de uma década depois já eram 40.655. Já um relatório da Ampla enviado à Aneel para discutir revisão tarifária de 2014 mostra que, em 2008, a empresa tinha 33.386 clientes em áreas de risco. Em 2013, esse número mais do que dobrou, saltou para 71.438, apresentando um crescimento de 113,9%.

— Isso aconteceu porque a ideia que o gestor público tinha era de que não criando moradias de interesse social na cidade não atrairia pobre, mas é uma ideia errada. Para combater a pobreza são necessárias políticas de inclusão e igualdade de renda — destaca a coordenadora do Nephu, Regina Bienenstein.

A prefeitura informou, através de nota, que acaba de concluir um estudo com base em levantamento fotográfico aéreo digital da cidade "que permitirá o monitoramento e controle adequados da expansão demográfica em todo o município". Ainda de acordo com a nota, o mapeamento das áreas com crescimento desordenado em todas as regiões e bairros está sendo finalizado para a elaboração do novo Plano Diretor de Niterói. Somente após a conclusão desse diagnóstico será possível intensificar as fiscalizações e implementar as ações específicas que visem ao ordenamento desses territórios.

IMAGENS DE SATÉLITE MOSTRAM O CRESCIMENTO DE FAVELAS

O crescimento de algumas favelas em Niterói pode ser constatado através da comparação de imagens por satélite. Num intervalo de dez anos, é possível ver novas construções avançando sobre a mata e encostas em assentamentos precários em diferentes regiões da cidade. Na localidade do Caniçal, no Cafubá, a área verde entre as ruas 415 e Deputado José Luís Erthal foi bastante ocupada e quase desapareceu na última década. No Morro do Cavalão, entre Icaraí e São Francisco, percebe-se aumento do número de casas sobretudo nas partes altas da favela. E no Morro do Beltrão, em Santa Rosa, trechos de áreas verdes não existem mais.


Imagem de satélite da comunidade do Caniçal, no Cafubá, captada em 2005 e em 2015: áreas verdes dão lugar a construções - Google Earth / Reprodução

— O Caniçal é uma favela antiga. Se houve o crescimento foi porque o governo não fez a regularização fundiária e urbanística nem construiu moradias populares. As pessoas precisam morar. Assim como a propriedade é um direito, garantido pela constituição, morar também é — destaca Daniel Souza, presidente do núcleo Niterói do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB).

No período monitorado pelo Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos (Nephu) da UFF, de 2000 a 2011, o número de domicílios em assentamentos precários no Caniçal cresceu 47,47%: eram 297, em 2000 e passaram para 438, em 2011. No Beltrão, aumentou 8,23%, saltando de 620 para 271 casas no período. O Nephu apurou um crescimento de 35,20% na área que inclui Cavalão, Vital Brazil e Souza Soares. Entre os bairros de Icaraí e São Francisco, em 2000, havia 1.128 residências em assentamentos precários; em 2011 eram 1.525.

De acordo com o estudo, os assentamentos precários em áreas menores e de formação mais recente tiveram um crescimento percentual maior, mas a expansão foi mais significativa em favelas já consolidadas. A comunidade Cacilda Ouro, no Engenho do Mato, por exemplo, aumentou 241,67%: eram 12 casas, no ano 2000, e passou a ser 41, em 2011. Apesar de um percentual de crescimento menor no Morro do Preventório (29,67%), o aumento no número de residências foi mais considerável: de 1.028 para 1.333. Foram mais 305 casas em dez anos.

— Os assentamentos precários de Niterói ainda não chegaram na situação de descontrole como no Rio. Ainda é possível conter o crescimento e melhorar a vida de quem vive nesses locais. Para isso, é preciso urbanizá-los e fazer a regularização fundiária — alerta a coordenadora do Nephu Regina Bienenstein.

Na área de habitação, a prefeitura informa que desenvolve o programa Morar Melhor, em que 2.774 unidades estão contratadas e/ou em obras. Através de nota, acrescenta que prepara o Plano Municipal de Regularização Fundiária "que vai reverter as irregularidades fundiárias propondo melhorias habitacionais em situação ambientalmente adequada e socialmente justa, ora em fase de licitação"

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/bairros/sem-fiscalizacao-favelas-avancam-em-areas-nobres-de-niteroi-16178556#ixzz3aYJa5Kbf 
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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Poluição na Baía de Guanabara: cariocas e turistas apostam no desgaste da imagem do Rio

07/05/2015 - Jornal do Brasil

População lamenta cenário degradante, mostra preocupação com a imagem no exterior e culpa governo

Cláudia Freitas

Entre cariocas e turistas, uma opinião é unânime: se a Olimpíada deixará legados para o Rio de Janeiro, certamente um deles será manchar a imagem mundial de Cidade Maravilhosa, principalmente em função da degradante poluição na Baía de Guanabara - cartão-postal que será palco de competições. Na terceira reportagem da série, o Jornal do Brasil foi às ruas entrevistar a população e visitantes que estão de passagem pela cidade sobre o assunto. A avaliação das opiniões é desanimadora.

Luiz Guilherme Vasco, morador da cidade, aposta no conceito de que o turista, quando escolhe o Rio, com certeza é pela sua beleza natural. "E este quesito ambiental [poluição na Baía de Guanabara] pode impactar a visão que ele tem da cidade", opina. Para ele, pelo pouco tempo até a realização dos Jogos, dificilmente a cidade vai conseguir reverter este quadro crítico, o que pode representar uma decepção para o turista que está com a passagem reservada para o Rio. "Uma pessoa que vai para um lugar e é bem tratada, gosta dos lugares, a tendência é que ele volte para trazer os seus familiares ou curtir o que ele gostou da primeira vez. O turista internacional, particularmente aquele que vem da Europa, que tem uma despesa maior de viagem, se ele encontra uma decepção ligada à criminalidade, à questão ambiental, isso pode ser um empecilho para retornar ao país", acrescenta.

Wagner Oster: "Não acredito que tudo vai se resolver a curto tempo, mas com certeza deveriam, porque é papel deles e ganham para isso"
Wagner Oster: "Não acredito que tudo vai se resolver a curto tempo, mas com certeza deveriam, porque é papel deles e ganham para isso"

A turista paulista Daiane da Conceição Costa Trindade acha que a poluição vai provocar uma imagem muito ruim não só do Rio, mas do país. "No Rio de Janeiro, apesar de ser uma cidade bonita, os turistas acabam vendo somente a poluição e levando isto para fora. A imagem é de uma cidade suja", diz. Daiane lamenta não ter um maior investimento das autoridades em campanha de conscientização, visando manter a cidade limpa. 

A peruana Annye Piaf, de 35 anos, está há quatro anos no Rio de Janeiro e observa com muita tristeza a degradação da Baía de Guanabara e seu entorno. Ela aponta que a cidade vai receber uma demanda muito grande de visitantes no período das Olimpíadas e muitos deles devem mudar o roteiro de viagem assim que se deparar com um lugar bem diferente dos cartões-postais que conhecem por fotos. "Eu mesma adoro a praia, mas não entro mais no mar porque está muito sujo", conta. Ao descrever a imagem do Rio no exterior, Annye afirma que as pessoas idealizam a cidade como "algo muito bom, com praias e belezas". No entanto, a realidade constatada na sua rotina é de uma orla imunda, com muito lixo e em processo gradativo de piora e maior violência, como assaltos, em decorrência de ações ineficientes da prefeitura.

Maíra dos Santos, turista de São Paulo, está em sua primeira viagem ao Rio e acredita que a imagem que ela está tendo da cidade será a mesma que outros viajantes vão ter no próximo ano. "O Rio é uma cidade maravilhosa e as pessoas já vêm para ver alguns pontos famosos. Se tem um lugar sujo, claro que é notado", diz ela. A turista, em um passeio pelo Aterro do Flamengo, conta que encontrou lixo no chão e flutuando na baía. "A gente vê que tem pouco investimento. Estes locais que os turistas sempre escolhem estão desta forma. O imagem vai ficar ruim para o país, porque o Rio passa a ser um ponto de referência. Tem que ter investimento. Os turistas vêm para cá [Rio] trazendo um dinheiro a mais, uma renda a mais [para a receita do Rio]. Ele tinha que levar uma imagem bacana", lamenta Maíra. 


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"Infelizmente, os gestores do estado não tomaram as devidas providências no tempo que deveriam ter tomado. A cidade hoje está entregue ao tráfico, aos bandidos e à poluição", lamenta o taxista Cláudio Palma. Para ele, o quadro de calamidade é resultado da negligência das autoridades regionais. "Foi avisado que a Baía de Guanabara deveria ser despoluída desde quando ganhamos o direito de fazer os Jogos Olímpicos. E o que eles [governantes] fizeram? 'Vai dar tempo, vai dar tempo'. E agora não vai dar tempo? Em um ano eles vão conseguir despoluir? Não vão", diz, enfático, o taxista.

Cláudio Palma: "Infelizmente, os gestores do estado não tomaram as devidas providências no tempo que deveriam ter tomado. A cidade hoje está entregue ao tráfico, aos bandidos e à poluição"
Cláudio Palma: "Infelizmente, os gestores do estado não tomaram as devidas providências no tempo que deveriam ter tomado. A cidade hoje está entregue ao tráfico, aos bandidos e à poluição"

Quando a Copa do Mundo foi realizada no Rio, em junho de 2014, o paulista Alves Júnior estava chegando na cidade e decidiu prolongar a sua estadia. Ainda instalado na Zona Sul, ele lembra que naquele período houve uma repercussão positiva da imagem do Rio no exterior, mas pondera que agora este marketing deve ter um resultado bem diferente. "Com os esportes que devem ter na Baía de Guanabara, pelo que já estou acompanhando nos noticiários, não vai haver uma despoluição, como havia sido prometido. A imagem não deve ser favorável", aposta. Ele tem observado que o mau cheiro nas proximidades da enseada tem ficado mais forte a cada dia. "A falha foi dos governantes, que não souberam investir o dinheiro que foi enviado para esta limpeza", considera ele.

Luiz Guilherme Vasco: 'A poluição na baía pode impactar a visão que o turista tem do Rio'
Luiz Guilherme Vasco: 'A poluição na baía pode impactar a visão que o turista tem do Rio'

Wagner Oster, turista de Maringá, no Paraná, se diz triste ao imaginar o retrato que os estrangeiros devem levar do Rio de Janeiro após os Jogos, que para ele será de "lixo flutuante". "Com a mudança da maré, a gente vê muito detrito flutuando na baía. Este fato é muito prejudicial para todos os brasileiros, especialmente para os turistas que vão estar aqui competindo", comenta. Oster veio ao Rio a trabalho e aproveitou o momento de folga para praticar esporte na orla do Aterro. "Correndo aqui na orla, deu pra ver todo esse lixo que a gente vê à distância, nos noticiários. Eu esperava uma passagem muito mais bonita do que eu estou vendo agora. Já tem mais de 20 anos que a gente escuta que as autoridades deviam ter feito algo, até agora nada. Então, não acredito que tudo vai se resolver a curto tempo, mas com certeza deveriam, porque é papel deles e ganham para isso", afirma ele, se referindo ao governo da cidade.  

O suíço Dario Laupp reforça que logo que os turistas chegam ao Aeroporto Internacional, dependendo da maré, já são premiados com "um cheirinho especial", que impede até que a janela do carro ou ônibus seja aberta. E vendo "as coisas flutuando na água", fica uma impressão "meio esquisita". "O estrangeiro gosta de uma paisagem bem cuidada. Eles chegam à conclusão de que a maravilha que a gente tem aqui no Rio não é bem mantida", ressalta ele. Para Laupp, o Rio deve ficar marcado como lugar de abandono, o que representa uma "vergonha" para o povo e as autoridades

sábado, 2 de maio de 2015

Moradores de quatro barracos do Cantagalo terão até segunda para deixar o local

Um barraco já foi demolido; expansão irregular aconteceu em área de encosta após a derrubada de árvores

POR SÉRGIO RAMALHO

01/05/2015 - O Globo


Agentes da prefeitura derrubam barracos no Morro do Cantagalo - Divulgação

RIO - Agentes da prefeitura demoliram um dos barracos erguidos irregularmente em meio a trechos de mata do Morro do Cantagalo, em Ipanema. A expansão ilegal de construções em áreas verdes da comunidade foi mostrada nessa sexta-feira pelo GLOBO, após o recebimento de denúncias de moradores da região, que enviaram fotos e informações para o WhatsApp da Editoria Rio (99999-9110). Durante uma vistoria na favela, fiscais notificaram os responsáveis por outras quatro construções irregulares.

Segundo o subprefeito da Zona Sul, Bruno Ramos, o barraco demolido estava desocupado. Os invasores notificados terão até a próxima segunda para deixar as construções.

— As pessoas notificadas foram cadastradas e receberam o prazo para deixar o lugar. Até segunda, esses casebres serão demolidos. Caso não saiam, os invasores serão retirados e levados para abrigos — disse Ramos.

Erguidos em um terreno de encosta após a derrubada de árvores, os barracos ficam numa área onde há risco de desabamento. De acordo com relatos enviados pelo WhatsApp, parte da vegetação da encosta do morro vinha sendo desmatada desde o início do ano.

Alguns dos barracos erguidos nas clareiras já contavam com iluminação, obtida a partir de ligações clandestinas. Essa movimentação vinha sendo acompanhada com preocupação por moradores de prédios da Rua Barão da Torre. Eles ainda temem a possibilidade de a derrubada das árvores causar deslizamentos na encosta.

FIGUEIRA ITALIANA É DERRUBADA

Inicialmente, os barracos vinham sendo erguidos na encosta do Cantagalo com tapumes de obras. Segundo moradores de Ipanema, os invasores atearam fogo à mata e chegaram a usar explosivos para derrubar uma figueira italiana, plantada há décadas. O casal Rubens Fernandes e Jandira Costa contou que moradores de prédios vizinhos ao morro recorreram diversas vezes à Subprefeitura da Zona Sul para tentar evitar o avanço das construções irregulares.

O barraco demolido por agentes da prefeitura foi erguido num terreno inclinado sobre uma enorme rocha, que era escorada por árvores. Coordenadora do Projeto de Segurança de Ipanema (PSI), Ignez Barreto ressalta que a expansão das construções irregulares aumenta os riscos de deslizamentos no morro. A coordenadora da entidade acredita que, com a regularização das moradias já existentes a partir da distribuição de títulos de propriedade às famílias, será possível conter o avanço das construções ilegais:

— Há aproximadamente nove anos, elaboramos uma espécie de censo no morro. Foi um trabalho conjunto do PIS e da Associação de Moradores do Cantagalo, com o apoio da iniciativa privada. Fizemos um levantamento detalhado do número de moradias e de famílias. Enfim, um planejamento para urbanizar e transformar o Cantagalo em um bairro. O material foi entregue ao governo do estado.

Na quinta-feira, a Secretaria municipal de Urbanismo informou que não são permitidas novas construções no Cantagalo e que, entre 2011 e 2014, foram realizados 154 embargos na comunidade. No mesmo dia, a Secretaria municipal de Meio Ambiente afirmou que, após receber uma denúncia, fez uma vistoria no dia 10 de abril e constatou danos à vegetação do morro.

Dados do Censo de 2010 revelam que cerca de 4.700 pessoas moram no Cantagalo, distribuídas em 1.400 casas. Dessas, 77 estão em áreas de risco, segundo a Geo-Rio.invadido.

Colaborou Simone Candida


Barraco em construção na mata do Morro do Cantagalo, em Ipanema: montagem das casas é feita, em grande parte, com tapumes de obras - Domingos Peixoto / Agência O Globo


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/moradores-de-quatro-barracos-do-cantagalo-terao-ate-segunda-para-deixar-local-16033988#ixzz3Z0fRp0rT 
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