terça-feira, 20 de junho de 2017

Roubo de cargas leva empresários a trocar o porto do Rio por Santos e Vitória

19/06/2017 - Portos e Navios

A onda de roubo de cargas no estado passou a atingir, também, as transportadoras de contêineres nos últimos dois meses. Com isso, empresários que exportavam ou importavam mercadorias pelo porto do Rio já optam por Santos ou Vitória. Cerca de 60% do ICMS que o Rio arrecada vem, justamente, dos portos.

Empresários que costumavam exportar e importar mercadorias pelo porto do Rio começam a usar os terminais de Vitória e Santos como rotas alternativas de transporte. Com o aumento do roubo de cargas no estado, algumas empresas já preferem escoar os produtos por trajetos mais seguros, mesmo que sejam mais longos e custosos. Isso se aplica, principalmente, aos exportadores e importadores de Minas Gerais e, em menor escala, aos de Goiás.

Embora a escalada do roubo de cargas tenha começado ainda no ano passado, empresários ouvidos pela CBN relatam que o assalto a veículos que transportam contêineres só se intensificou nos últimos dois meses. O presidente da Câmara Brasileira de Contêineres, Silvio Campos, diz que os impactos econômicos já começam a ser sentidos.

"A arrecadação no porto diminuiu muito, além de o movimento já estar fraco, por causa da crise. O porto do Rio de Janeiro é o terminal de escoamento "natural" para os mineiros e já está sendo trocado por Santos e Vitória", relata.

Mirian Carvalho, sócia da empresa Carvalhão, que atua no setor há 57 anos, afirma que teve um aumento de 25% nos investimentos em segurança. Ela conta que um cliente de Minas Gerais, por exemplo, desistiu de contratar os serviços da empresa depois que um veículo que transportava suas cargas foi alvo de um assalto. Ele preferiu usar o porto de Santos.

"Pela primeira vez, estamos vivenciando isso. É um gasto muito grande para as empresas. A gente precisou rever nossos planos de ação e todo o gerenciamento de risco. Isso aumenta muito o custo operacional, porque a gente tem que fazer desvios de rota, andar em comboios e com escoltas", diz.

O coordenador da Câmara de Logística Integrada da Associação de Comércio Exterior do Brasil, Jovelino Pires, lembra que a necessidade de fazer trajetos mais longos aumenta o custo logístico, tornando o produto mais caro no mercado interno e menos competitivo no mercado externo, em um cenário que já é desfavorável. Como exemplo, ele cita o custo médio para levar um carregamento de soja aos portos brasileiros, de noventa dólares, em comparação aos dezoito dólares necessários nos Estados Unidos. Jovelino também detalha como a substituição do porto do Rio pelos de Santos e Vitória agrava ainda mais a crise do estado.

"Cerca de 60% do ICMS arrecadado pelo Rio de Janeiro vem da exportação e importação. É muito dinheiro que se deixa de movimentar. Não é só o que vem dentro do contêiner, mas o crescimento do movimento comercial em torno dessa atividade", explica.

O delegado responsável pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas do Rio, Maurício Mendonça, disse não ter registro de aumento nos roubos de contêneires nos últimos meses, mas defendeu o endurecimento da pena para o crime de receptação. Atualmente, ela varia de um a três anos.




MPF visita aldeia indígena Bororo para discutir realização irregular de pedágio

20/06/2017 - 24 Horas News

Lideranças falaram sobre a situação da comunidade e os pedágios irregulares realizados na BR-070 por membros da aldeia.


sábado, 17 de junho de 2017

Transnordestina: construção paralisada há mais de um ano

17/06/2017 - Diário do Nordeste

A construção da ferrovia, que deverá atingir 1.735 km, se arrasta há 10 anos. Neste período, o orçamento saltou para R$ 11,2 bilhões ( Foto: Elizângela Santos )

Considerada fundamental para desenvolver a logística de cargas na região Nordeste, a ferrovia Transnordestina está com as obras paralisadas desde maio de 2016 e aguarda a retomada dos serviços ainda neste ano.

A construção do empreendimento se arrasta há mais de uma década, tendo o orçamento saltado dos R$ 4,5 bilhões iniciais para R$ 11,2 bilhões ao longo desse tempo, um aumento de quase 150%.

81 cidades

A ferrovia, quando concluída, deverá ligar o município de Eliseu Martins, no Estado do Piauí, aos portos de Suape, em Pernambuco, e do Pecém, localizado no Ceará. A expectativa é que a Transnordestina tenha 1.753 km de extensão, passando por 81 cidades.

No Ceará, a ferrovia deverá ter 526 Km e passar por 29 cidades, ligando Missão Velha ao Pecém. Até 2013, a obra no Estado era executada pela empresa Odebrecht, mas os serviços foram assumidos posteriormente pela Marquise, após a primeira empreiteira rescindir o contrato com o governo por causa do escândalo da Lava-Jato.

Em janeiro deste ano, o plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou medida cautelar em que determinou a suspensão de verbas de recursos para a Transnordestina, porque a manutenção dos repasses à obra representaria "risco concreto de danos ao erário público".

Verba

A cautelar proibiu repasses ao projeto do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o BNDES Participações (BNDESPar), além de Valec Engenharia, Construções e Ferrovias; Fundo de Investimento do Nordeste (Finor); Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDN).

Segundo o último balanço divulgado pelo governo federal, a Transnordestina já recebeu cerca de R$ 6,3 bilhões, dos quais cerca de R$ 3,4 bilhões são referentes a financiamentos federais. Pouco mais de 50% da obra foram concluídos.


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Obra da ferrovia litorânea enfrenta problemas burocráticos

13/06/2017 - RIC Notícias SC

Santa Catarina é o único lugar do mundo com cinco portos sem interligação por ferrovias. O estudo de viabilidade da obra da ferrovia litorânea, ligando os portos de Imbituba e São Francisco do Sul, foi feito entre 2001 e 2002, o projeto básico começou em 2009 e parou um ano depois. Hoje ele enfrenta problemas devido a presença de uma área indígena protegida por lei. Confira mais detalhes na reportagem.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Estados 'agrícolas' lideram buscas na internet

12/06/2017 - Valor Econômico

A colheita recorde de grãos esperada para esta safra 2016/17 devolveu o ânimo às principais regiões produtoras brasileiras, indicando uma possível retomada do consumo apesar do cenário de instabilidade persistente na política e na economia do país.

Levantamento realizado pelo Google para o Valor aponta um aumento mais expressivo nas buscas por produtos e serviços nos Estados com forte economia agrícola, no primeiro quadrimestre deste ano, em relação ao restante do país. O intervalo janeiro-abril é especialmente importante no calendário agrícola porque concentra a colheita e o pico da comercialização da soja produzida no Brasil.

Em Mato Grosso, o maior produtor e exportador nacional de grãos, as buscas no Google se destacaram em todos os itens clássicos de consumo que tendem a ser procurados quando as perspectivas são boas - móveis, fogões, lavadoras, televisores, geladeiras e celulares. Os setores automotivo e de turismo também registraram interesse maior dos mato-grossenses nos meses de safra que os dos brasileiros de Estados com baixa presença agrícola, assim como a busca por cartões, cotação de câmbio, seguro e previdência privada.

A situação não foi diferente em Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Dependendo do setor observado, as buscas nessas regiões chegam a ficar dez pontos percentuais acima da média Brasil, como nos pacotes de viagens. Tome-se como exemplo o setor de cruzeiros marítimos: enquanto a procura caiu 6% no país como um todo, entre janeiro e março, nos Estados agrícolas houve alta de 1%.

"As buscas servem como um termômetro das intenções do consumidor, antecipando comportamentos e gerando oportunidades de negócios para diversos setores e podendo, em alguns casos, até antecipar alguns movimentos de mercado", diz Carlos Calderon, gerente de Insights no Google Brasil.

Ainda que buscas não resultem necessariamente em compras, a sobreposição dos mapas da produção agrícola e dos cliques no Google dá uma dimensão mais ampla do impacto do agronegócio nas economias regionais, um movimento sentido nas ruas mas não devidamente mensurado nas estatísticas do setor. O reflexo do "dinheiro novo na praça" é mais comumente monitorado pelo caminho de volta que faz à propriedade rural, com reinvestimentos em máquinas agrícolas, insumos e tecnologias aplicadas às sementes.

O indicador mais abrangente de consumo é interessante também porque abarca a maior parcela da população rural: a que não é dona da terra, mas gravita em torno do seu desempenho. Dados do Cadastro Geral dos Empregados e Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, mostram que o setor agropecuário teve no primeiro quadrimestre deste ano o melhor desempenho em contratações desde 2011, quando o Brasil vivia um "Pibão".

"O agronegócio não só se recuperou como está a passos largos em contratações, ficando apenas atrás do setor de ensino", diz Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), citando que de janeiro a abril foram contratados 29,2 mil trabalhadores para o campo, contra 4,2 mil em 2016.

"Enquanto o emprego no Brasil ficou parado, no agronegócio ele cresceu 1,9%. A última vez que se viu tanta contratação no setor foi em 2011 - 81,7 mil trabalhadores. É o emprego e a renda que dão lastro para o consumo".

"Vivemos uma situação diferenciada do resto do país. Quando as indústrias estavam fechando em São Paulo e no Rio Grande do Sul, a gente não sentia nada. Nossa moeda de troca é o grão - aqui compramos casa com soja", diz Marilene de Godoi, gerente-executiva da Associação Comercial e Empresarial de Sorriso, em Mato Grosso. O Estado deverá colher 30,5 milhões de toneladas do total de 113 milhões de toneladas de soja estimadas para este ciclo 2016/17 - ou 17,2% a mais que na safra passada.

No município paranaense de Campo Mourão, sede da Coamo, a maior cooperativa agrícola do país e segunda maior empregadora local depois da Prefeitura, a Associação Comercial mantém o otimismo. "O país está em crise, mas nós vamos manter as vendas", diz o presidente, Paulo César Gomes.

As coisas só não estão melhores, diz ele, porque o produtor ainda está segurando a soja na expectativa de preços melhores diante da oferta prevista para esta safra - 243,3 milhões de toneladas, ou 25,6% a mais que no ciclo anterior. Tamanha abundância pressiona os preços e rouba a margem de lucro do produtor rural, já às voltas com os custos mais altos de produção.

Na sexta-feira, o preço da saca da soja entregue em Paranaguá (PR) valia R$ 69,35. No mesmo dia de 2016, eram R$ 96,30. "Se o preço [da saca de soja] estivesse bom, o consumo seria maior", reclama Fernando Cunha, do Sindicato Rural de Tupanciretã, no Rio Grande do Sul. "Não vejo esse ânimo todo no comércio. Aqui, só estamos repondo aquilo que estraga", diz ele.

Mas há ainda outra diferença fundamental, segundo o economista e diretor de análise setorial da consultoria Tendências, Adriano Pitoli: o agronegócio tende a sentir mais tardiamente os impactos negativos da crise política. Isso ocorre, diz ele, porque setores importantes como soja e milho estão mais atrelados ao mercado externo. "Eles sentem muito mais o que ocorre na China [e na oferta e demanda global de commodities] do que os problemas na política nacional. É isso o que manda. De certa forma, são regiões mais blindadas ao Planalto Central", afirma.

Em 2015, quando a expectativa da consultoria era de que os tumultos brasileiros atingiriam mais fortemente as regiões Sul e Sudeste do país - sustentadas em boa parte por setores sensíveis à crise, como a construção civil e a indústria de bens de capital -, foram o PIB do Centro-Oeste e do Nordeste que mais decepcionaram. "O clima quebrou a safra e diminuiu a renda familiar", diz Pitoli. Agora, o movimento é contrário: a supersafra levou à expansão de 13,4% do PIB agropecuário no 1º trimestre. Para 2017, a Tendências ainda projeta uma alta do PIB do setor de 11,8% no Centro-Oeste e de 4,8% no Sul - mas as coisas podem mudar se os escândalos persistirem.

Marilene, de Sorriso, diz que o baque a quebra em 2015/16 influenciou mais a economia local, e só agora as vendas voltaram a ganhar ritmo. No levantamento do Google, a recuperação do varejo em Mato Grosso é nítida, mas ainda não atingiu os níveis de 2015.

"É normal, o consumidor se adapta em dias ruins, mas não deixa de viajar - escolhe um pacote mais curto, parcela em 12 vezes", diz o presidente do Grupo CVC, Luiz Eduardo Falco, que há dois anos foi a Sorriso inaugurar uma loja. Neste 1º trimestre, Mato Grosso, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul tiveram uma expansão média de 15% em vendas - o mesmo percentual de todo o ano passado.

Brasil e China lançam fundo de US$ 20 bi para financiar projetos de infraestrutura

31/05/2017 - O Globo

Ronaldo D'Ercole 

Os governos do Brasil e da China lançaram ontem um fundo de investimentos de US$ 20 bilhões destinados ao financiamento de projetos de infraestrutura de interesse comum para os dois países. Denominado Fundo Brasil-China de Cooperação para a Expansão da Capacidade Produtiva, a constituição do novo instrumento de fomento prevê um aporte de US$ 15 bilhões pelo ClaiFund (Fundo de Cooperação Chinês para Investimento na América Latina), e de US$ 5 bilhões pelo BNDES e a Caixa Econômica Federal.

De acordo com o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, que representou o governo brasileiro no lançamento do Fundo em evento para investidores em São Paulo, o BNDES e a Caixa serão os principais operadores da parte do governo brasileiro, mas projetos que eventualmente tenham a participação de outros bancos, inclusive privados, ou mesmo consórcios de bancos, também serão avaliados para receber financiamentos do fundo.

Segundo Oliveira, o fundo definirá os volumes a serem aplicados em cada projeto. Os definidos como prioritários são os de logística, energia, recursos minerais, indústria, serviços e agricultura.

- Nossas expectativas são as mais altas, mas não há nenhum track record (histórico) que nos permita fazer projeções sobre demanda e prazos (para a utilização dos recursos do fundo) - disse Oliveira. - Atuaremos não só nos financiamentos, mas em cooperação para viabilizar os projetos que possam ser incluídos no fundo.

A partir de hoje, segundo Oliveira, os interessados poderão encaminhar os projetos à Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério de Planejamento, para, em seguida, serem submetidos a uma comissão bipartite, que será constituída pelos governos brasileiro e chinês. Quanto aos critérios que serão levados em conta para a adesão do fundo aos projetos a ele encaminhados, Oliveira explicou:

- O critério básico é que haja agregação de valor, como melhorias na infraestrutura, com expansão da capacidade produtiva. Não há qualquer contrapartida para o lado brasileiro, não temos que contratar projetos obrigatoriamente com participação de empresas chinesas. 

CRISE POLÍTICA E REFORMAS

O ministro do Planejamento admitiu que a turbulência política tem impacto no andamento das reformas no Congresso:

- A força política só pode ser medida com a votação do projeto. O que se faz antes é construir no Congresso o consenso necessário para levar à votação. Mas é evidente que há uma crise política e que isso afeta a construção desse consenso. Mas não quer dizer que inviabilize as reformas.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Obras públicas chegam à reta final em meio à crise

04/06/2017 - O Estado de SP

Iniciadas numa época em que a arrecadação federal batia recordes, um conjunto de obras públicas emblemáticas está perto de ser concluído e algumas poderão ser inauguradas até o fim de 2018. Mesmo com o forte ajuste fiscal imposto nos últimos quatro anos, elas não pararam totalmente.

O governo optou por concentrar recursos nos projetos em fase final. Isso, no entanto, não tem sido suficiente para puxar a atividade econômica, nem para reverter a trajetória de queda dos investimentos no País.

“A crise política não nos afetou em nada”, diz o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Valter Casimiro. Houve, sim, impacto do corte orçamentário que retirou R$ 2,3 bilhões dos R$ 9 bilhões destinados ao órgão. Ao mesmo tempo, a área econômica indicou que reverteria a medida e devolveria R$ 1,6 bilhão ao longo do ano.

Mesmo assim, projetos novos não foram iniciados. Por exemplo, está contratada a elaboração de projeto e construção da segunda ponte de Foz do Iguaçu (PR), mas a obra não sairá do papel este ano. Da carteira sob sua responsabilidade, Casimiro aponta como prioridade a pavimentação da BR-163 no Pará. Atoleiros na rodovia ganharam destaque no noticiário e resultaram em redução de embarque de grãos pelos portos do Norte em 11 milhões de toneladas.

O Dnit quer, até o fim do ano, construir ao menos a base da pavimentação – colocar pedras para permitir o tráfego de caminhões mesmo sob chuva. O asfalto só deve ser concluído em 2018. Por causa do clima na região, só é possível trabalhar na obra por quatro meses no ano.

PAC. Obras que ainda integram o Orçamento federal sob a marca Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como Trecho Sul da Ferrovia Norte-Sul – linha de 682 km ligando Ouro Verde (GO) a Estrela d’Oeste (SP) – que deve ser concluído no fim do ano ou início de 2018. Com o corte no Orçamento, a estatal Valec concentrou recursos nessa obra. Outros projetos da carteira, como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) ficaram em ritmo mais lento.

As polêmicas obras de transposição do São Francisco também estão em fase final. Segundo o Ministério da Integração Nacional, a obra está 94,92% concluída. Ela foi paralisada pela saída da Mendes Júnior, envolvida na Lava Jato. Agora, depende de uma decisão judicial. Do contrário, a previsão era de que seria concluída neste ano. Quando terminada, garantirá água a 12 milhões de pessoas no interior do Nordeste.

Também segue o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub). O fato de ser fruto de cooperação internacional o manteve à margem dos cortes orçamentários, pois há compromissos a serem cumpridos.

A previsão é que em um ano seja entregue o Riachuelo, primeiro de quatro submarinos convencionais a serem construídos dentro da cooperação. O programa prevê também um modelo com propulsão nuclear e um centro para construção, operação e manutenção de submarinos. Em nota, o diretor do programa, contra-almirante Flávio Augusto Viana Rocha, informou que o programa vai até 2027 e custará R$ 31,85 bilhões.

Outra vitrine das administrações petistas, o programa Minha Casa, Minha Vida deve entregar 260 mil unidades habitacionais até o fim de 2018. O programa está a cargo do Ministério das Cidades, que também administra obras de saneamento e mobilidade em parceria com Estados e municípios.

Projetos em andamento

1.       No Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), uma das prioridades é a pavimentação da BR-163 no Pará.

2.       Dentro do Programa de Aceleração do Crescimento, o Trecho Sul da Ferrovia Norte-Sul deve ser concluído até início de 2018.

3.       A transposição do São Francisco está em fase final, com 94,92% das obras concluídas, segundo o Ministério da Integração Nacional.

4.       O Programa de Desenvolvimento de Submarinos está em andamento. A previsão é que o primeiro submarino seja entregue em um ano

5.       O Minha Casa. Minha Vida deve entregar 260 mil imóveis até o fim de 2018.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Agro sustenta primeira alta do PIB em dois anos

02/06/2017 - Valor Econômico

A economia brasileira cresceu no primeiro trimestre 1% em relação aos três meses anteriores, feito o ajuste sazonal, registrando a primeira alta em dois anos. O avanço do PIB foi uma boa notícia, mas a abertura dos dados mostra um quadro bem menos animador, com o bom desempenho muito concentrado na agropecuária, que teve um salto de 13,4% sobre o trimestre anterior. "A agropecuária está na oferta, nos estoques e nas exportações", diz Fernando Montero, economista-chefe da Tullett Prebon, para resumir a importância do setor para o avanço do PIB de janeiro a março.

Pelo lado da demanda, o setor externo também ajudou, com o aumento das exportações superando o das importações. Já a demanda interna desapontou mais uma vez, num cenário em que muitas empresas e famílias ainda têm dívidas elevadas, embora o ciclo de redução dos juros em curso ajude a aliviar a situação financeira das companhias e dos consumidores. O investimento caiu 1,6% sobre o trimestre anterior, um número bem pior que um recuo de 0,3%, a média das projeções dos analistas ouvidos pelo Valor Data. Foi o 13º tombo dos últimos 14 trimestres. O consumo das famílias, por sua vez, teve queda de 0,1% e o consumo do governo, de 0,6%.

Além da composição um tanto decepcionante do crescimento, há uma possibilidade considerável de que a recuperação seja interrompida no segundo trimestre, ainda mais depois do surgimento da nova crise política. Uma variação negativa do PIB no intervalo de abril a junho é a aposta de vários analistas. É o caso, por exemplo, do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, que projeta recuo de 0,8% em relação ao trimestre anterior.

"Em que pese ser bom", o resultado do PIB do primeiro trimestre "cheira a velho a esta altura", diz Vale, que revisou a projeção para o PIB em 2017 de um crescimento de 1% para zero. A confiança de empresários e consumidores, que estava em processo de melhora, deve ser atingida pelo cenário de incerteza causada pela divulgação da conversa comprometedora entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, da JBS.

Mesmo antes da crise política, a avaliação dominante era de que haveria uma forte desaceleração do PIB no segundo trimestre. "A principal causa é a reversão dos dois principais fatores que contribuíram para a alta do PIB no primeiro trimestre", escreve o economista Artur Manoel Passos, do Itaú Unibanco. A produção agropecuária, nota ele, deve ter uma "ligeira contribuição negativa", depois do crescimento superior a dois dígitos registrada de janeiro a março. Na média deste ano, porém, a alta deve ser muito expressiva - a MB projeta expansão de 10,9%.

Além disso, a chance de um recuo da indústria no período de abril a junho é considerável. Com o tombo da produção industrial em março, de 0,9%, a herança estatística para o segundo trimestre ficou negativa em 1,2%. Isso significa que, se a indústria não crescer em relação ao nível registrado em março, haverá uma queda no período de abril a junho de 1,2% em relação aos três meses anteriores.

No primeiro trimestre, o destaque absoluto foi a agropecuária, como ressalta Montero. Houve uma alta de 13,4% sobre o quarto trimestre do ano passado, feito o ajuste sazonal, e de 15,2% sobre igual período do ano passado. Pelas projeções do IBGE, a safra deve crescer 26,2% neste ano. Montero destaca o efeito da agropecuária sobre o PIB. Ainda que tenha um peso pequeno na economia, essa oferta precisa ser comercializada e transportada, refletindo-se nos serviços, processada (o que ocorre na indústria), armazenada, consumida ou exportada (o que aparece na demanda), diz ele.

Ainda pelo lado da oferta, a indústria cresceu 0,9% sobre o trimestre anterior, enquanto os serviços tiveram variação zero. No PIB industrial, um dos destaques positivos foi da produção extrativa mineral, como nota a LCA Consultores. "Esse resultado foi garantido pela produção de petróleo e gás (graças ao avanço na exploração do pré-sal) e de minério de ferro, muito impulsionada pela expansão das atividades da Vale no Pará, relacionada ao projeto S11D, que começou a operar no quarto trimestre de 2016.", aponta a consultoria.

A indústria de transformação subiu 0,9%, "puxada pelo desempenho mais positivo da produção de bens finais (bens de capital e de consumo), beneficiada pelo processo de ajustamento de estoques, pela desvalorização cambial e pelos efeitos indiretos da safra recorde", segundo a LCA.

Com maior peso no PIB, os serviços ficaram estáveis. É um desempenho melhor que o recuo de 0,5% registrado no quarto trimestre do ano passado, mas mostra a dificuldade de reação do principal componente do PIB pelo lado da oferta.

Pelo lado da demanda, o crescimento de 1% no primeiro trimestre foi sustentado por uma grande contribuição da variação de estoques. Nas contas do diretor de pesquisa para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, essa contribuição foi de 1,13 ponto percentual para o PIB, na comparação com o trimestre anterior. A chamada demanda interna final - consumo das famílias, consumo do governo e investimento - retirou cerca de 0,5 ponto, segundo Ramos. Já o setor externo contribuiu positivamente com 0,41 ponto, calcula ele (eventuais diferenças na soma se devem a arredondamentos). No trimestre, houve uma alta de 4,8% das exportações de bens e serviços, superior ao aumento de 1,8% das importações.

Ao analisar o que está por trás da contribuição positiva da variação de estoques, Montero destaca especialmente em uma safra agrícola, cuja "armazenagem faz parte do ciclo produtivo antes do destino final", além da retomada da extração de petróleo e de minério.

Segundo analistas, o principal estímulo para a retomada neste ano e no próximo precisaria vir da política monetária. Os juros estão em queda desde outubro do ano passado, e tendem a encerrar o ano abaixo de dois dígitos. O problema é que a crise política já afetou a ação do BC. A possibilidade de uma Selic na casa de 8% ou menos do que isso ainda neste ano saiu do radar da maior parte dos economistas. Na reunião de anteontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve o ritmo de corte dos juros em 1 ponto percentual, em vez de ter baixado 1,25 ponto, como se esperava antes da nova crise. Além disso, indicou que vai reduzir a velocidade de queda, possivelmente para 0,75 ponto, num quadro de maior incerteza quanto à aprovação das reformas.

Com isso, o estímulo monetário será menor do que se esperava antes do novo imbróglio político, o que deve se refletir numa recuperação com menos força. Um novo tombo do PIB em 2017, depois da queda de 3,8% em 2015 e de 3,6% em 2016, é uma possibilidade.

Nesse ambiente, a retomada do investimento pode demorar ainda mais. Uma queda menos acentuada dos juros e incertezas devido ao prolongamento da crise política tendem a dificultar a melhora da formação bruta de capital fixo (FBCF, medida do que se investe em máquinas e equipamentos, construção e pesquisa), que mostra um péssimo desempenho há mais de três anos. Com a exceção da alta de 0,1% do segundo trimestre de 2016, o investimento está em queda desde o quarto trimestre de 2013, na comparação com o trimestre anterior. Para ter uma ideia do estrago, a FBCF caiu quase 30% em relação ao nível do terceiro trimestre de 2013. O consumo das famílias também vai mal. Recua há nove trimestres seguidos, e está 9,7% abaixo do pico alcançado no terceiro trimestre de 2014.

Outra medida do tamanho da recessão é o que ocorreu com o PIB per capita. O Brasil precisará de pelo menos mais cinco anos de crescimento - considerando que se concretizem os cenários mais otimistas - para que o indicador volte aos níveis em que estava em 2014, antes da recessão, de acordo com estimativas da LCA. "Estamos falando de pelo menos mais cinco anos de uma recuperação que não vai trazer, em termos de renda e bem-estar, o mesmo nível que a gente observava antes da crise. É uma recuperação bastante fraca", diz o Thovan Tucakov, da LCA.

De acordo com cálculos do analista, o PIB per capita em cresceu 0,9% no primeiro trimestre de 2017 sobre o trimestre anterior, em termos dessazonalizados, após cair ininterruptamente desde o segundo trimestre de 2014. Naquele ano, antes da crise, o PIB per capita brasileiro era R$ 28.500, em reais de 2014. "E estamos falando desses R$ 28.500 lá em 2021", diz ele.